terça-feira, 15 de agosto de 2017

O CULTO AOS MORTOS NO BATUQUE NÃO É (E NÃO PRECISA SER) UM CULTO DE EGÚNGÚN.

Erick Wolff de Oxalá
Agosto de 2017


“De modo algum o ilé-ibo-akú (ibokú), a casa do culto aos mortos do lésè òrìsà (casa de orixá), deve ser confundida com o lèsànyìn, a casa do culto de egúngún dos lésè egúngún (terreiro de eégún).

No ibokú são cultuados os espíritos dos iniciados, sacerdotes (tisas) iniciados no culto dos òrìsà.

No lésànyin são cultuados os ará-òrun em geral, e os espíritos daqueles que foram iniciados no mistério dos egúngún”

Juana Elbein dos Santos & Deoscóredes M. dos Santos,
“O Culto dos Ancestrais da Bahia, o culto dos eégún”,
Tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura

In: Olóòrìsà, escritos sobre a religião dos orixás,
 (Org.) Carlos Eugênio Marcondes de Moura,
Ed. Ágora, 1981, p. 171.


No texto de chamada deste pequeno artigo, Juana Elbein e Mestre Didi esclarecem que existe uma diferença entre o ibóku, local de culto aos mortos da tradição do terreiro de orixá, e o lèsànyìn, local de culto de baba egun.

Em ioruba, osso se escreve egungun, e o espírito cultuado através deste osso chama-se egúngún (nome).

No culto de baba egun cultua-se não apenas o espírito, mas também o osso do ancestral ali enterrado, e isto só pode ser feito com a intervenção de um ojé. Assim, o culto de baba egun é, portanto, outra forma religiosa, que não se aplica ao Batuque.

O culto de baba egun no ilèsànyin, do terreiro de egúngún nada tem a vem com o culto dos ancestrais religiosos no balé (ibóku) de uma casa de orixá. O que se faz no balé (ibóku) do batuque não tem nada a ver com o que se faz no lèsànyìn do culto de baba egun.

No batuque do RS, no balé (ibóku) se cultua os espíritos dos mortos, babalorixás e ialorixás fundadores (as) das tradições do batuque, e ancestrais das famílias religiosas, mas não existe no batuque culto do osso deste ancestral ali presente, naquele chão.

Tem-se notícia que alguns sacerdotes (?) tem o costume de pegar ossos em cemitérios para montar um balé, mas isto, além de estar completamente errado, ainda é crime previsto em lei. Tal prática nada tem a ver com o culto tradicional do ancestral no batuque e deve ser completamente abolida.

No Batuque, o culto é feito à memória dos nossos ancestrais religiosos, mas os ossos destes ancestrais não estão enterrados ali, por isso, não precisamos de ojé, por que não estamos fazendo culto de baba egun. O local de adoração aos mortos, no batuque, pode ser feito num buraco no mato, ou caso tenha espaço, no pátio do templo; podem destinar um pequeno local para adoração, que o Batuque chama de balé (ibokú), local de culto aos mortos.

Quando cultuamos a memória do morto, nossos ancestrais, criamos um elo entre a comunidade e os mortos através do balé (iboku); desta forma, os descendentes que possuem casa aberta e todos os axés, podem ter um balé (ibóku) em seus templos tão logo seja possível, para que os ancestrais possam abençoar, proteger e orientar aquela comunidade.

Todos os lados do batuque (Jeje, Ijesa, Kambina e Oyo) possuem rituais e fundamentos de egun, no entanto a Kambina é a que mais e destaca pela sua peculiar familiaridade com Xangô Kamuka e os rituais dos mortos da comunidade.

Assim, os rituais fúnebres do Batuque do RS são ministrados pelos babalorixas e iyalorixas, prontos de todos os axés, e inclusive, possuem fundamentos e segredos dos rituais fúnebres, para atuarem dentro do balé (ibóku) da casa de orixá. Não é necessário a presença de um ojé, pois este rito fúnebre do batuque nada tem a ver com o que se pratica no lèsànyìn (léssanin) do culto de baba egun, pois nos terreiros de Orixá, como o culto é para memória dos mortos, não precisa do osso; bastam-se os paramentos ou utensílios que o representem. Por isso, repetimos, ojé é desnecessário.

O nome do ritual fúnebre do batuque chama-se orissu ou, arissun ou, sirrum. Assim que o individuo falece, iniciam os rituais com corpo presente. Prepara-se a pessoa, o caixão, fazem rituais sobre ele, inclusive dançam em volta e depois levam este caixão embanado ao som de cantigas fúnebres. Após isso, os rituais levam sete dias, no ultimo despacha todo o carrego, e guarda o luto que poderá chegar a um ano.

Aos sacerdotes que possuem balé (ibóku), anualmente costumam fazer uma festa para os mortos, com muita comida e rituais. Antigamente os mais velhos chamavam de missa de Egun. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como informamos acima, o culto aos ancestrais iniciadores do Batuque do RS são de exclusividade dos sacerdotes de orixá, e o culto da memória do falecido não necessita do osso, e não faz nenhum sentido pegar ossos em cemitérios de cadáveres desconhecidos, para cultuar como ancestral.

Assim os sacerdotes do batuque que sabem como praticar seus rituais aos mortos desta comunidade, não necessitam de um ojé, sacerdote de outra religião, que é o culto de baba egun, e nem cometerem o crime de buscarem ossos em cemitérios.

Para finalizar, tenham em mente que cultuar um ancestral religioso no balé (ibóku) de uma casa de orixá, não tem nenhuma relação com o culto de baba egun no terreiro de egúngún. Misturar os dois cultos é se perder pelo caminho. 

domingo, 13 de agosto de 2017

NAÇÃO CABINDA, ATACADA E DESMORALIZADA

Por Jorge Verardi

Meus irmãos, mais uma vez tenho que vir a público para mostrar a minha indignação com a matéria publicada pelo Babalorixá Júlio Cesar Ferro de Xangô Agandjú, com todo respeito que tenho pelo irmão, sei de sua competência como estudioso, pesquisador e professor da Língua Yorubá, acho importante para aquelas pessoas que queiram saber a história da Africa e suas Nações, assim como seus dialetos, mas quando os negros vieram para o Brasil, durante a viagem em porões do navios, os negros escravos vinham de todas as nações, consequentemente de diversos dialetos, não podendo se comunicarem uns com os outros, exatamente para que não fizessem rebelião, assim que por necessidade de comunicação eles criarão palavras e dialetos para poder se comunicar, e aqui chegados os próprios negros deturparam e mesclaram seus dialetos, porque uma religião que é transmitida de boca a ouvido, e oralmente, no decorrer dos tempos é normal que sofra mais deturpação linguística, não me interessa saber da história da Africa, não me interessa saber das suas mudanças, não me interessa saber que a Cabinda hoje é apenas uma província de Angola, o que me interessa o o que os nossos ancestrais trouxeram para o Brasil, e nos deixaram, um legado a ser respeitado por todos nós Africanistas, dizer que a Nação de Cabinda não existe, que é uma invenção é dizer que todas as demais não existem, que pai Valdemar de Xangô Kamuká, foi invenção, não aceito que uma nação seja enxovalhada, desmoralizada, denegrida, por isso tudo, em nome da Afrobrás e em meu nome como Babalorixá da Nação Gegê Ygexá, protesto contra esta matéria e convido a todos os irmãos da Nação Cabinda e seus líderes os quais tenho o maior respeito e demais Nações para ocuparem esta rede social para também protestar contra esta matéria, meu não rotundo a esta matéria.

Meu Agô para todos e muito Axé.

Fonte - 
https://www.facebook.com/jorge.verardi.5?hc_ref=ARRcAUUuXdEQ5rbs0qS8QVjaG5i-YH9XiE6Fr9ahzNqfM2SqqXhBrVQlRLbsuyF5goQ&fref=nf

sábado, 12 de agosto de 2017

ARTIGO EM DEFESA À CABINDA/KANBINA DO BATUQUE DO RIO GRANDE DO SUL

Por Charles Demétrio S da Silva (Hùngbónò Charles)
Historiador, Professor e Pesquisador da cultura africana e afro-brasileira

12 de agosto de 2017



Resumo
O presente trabalho tem como principal objetivo a defesa da vertente religiosa Cabinda/Kanbina1, como parte integrante e legítima do Batuque do Rio Grande do Sul2.


O proposito deste trabalho é contrapor uma publicação (Cabinda, Qual é a origem da acepção Cabinda?) recentemente lançada via redes sociais e na internet, de que a vertente religiosa de Cabinda/Kanbina seria uma invenção de seu fundador Waldemar (Valdemar) Antônio dos Santos e que não teria valor cultural e religioso, sendo assim, não podendo ser considerada uma forma de culto religioso afro-brasileiro. No decorrer deste artigo apontarei algumas inconsistências e falhas na dada publicação, que nitidamente representa um ataque infundado a uma forma de culto, bem como a seus adeptos e ao seu fundador, o Sr. Waldemar Antônio dos Santos.


1 Uma das questões abordadas no presente trabalho será a nomenclatura da vertente, se a mesma seria Cabinda ou Kanbina.
2 Forma religiosa implantada pelos africanos escravizados e seus descendentes no Estado do Rio Grande do Sul/Brasil, e que posteriormente foi introduzida em outros Estados brasileiros, bem como em países vizinhos tais como Argentina e Uruguai. 

Link = https://drive.google.com/file/d/0B7oGeEZgb95gYVdEWFNVbW1lOW8/view

DEVOTOS CELEBRAM EM 20 DE AGOSTO "O DIA DO ORISA", NO ESTADO DE OYO, NIGÉRIA

Publicado na Página do Alaafin (Dr.) Olayiwola Adeyemi III, na data de 12/08/2017.

Alayeluwa Oba (Dr.) Olayiwola Adeyemi III, O Alaafin Oyo, reuniu os Governantes Tradicionais no Estado de Oyo para apoiar a Sagrada Religião Yoruba Antiga de Orixá.


O Alaafin de Oyo juntou-se a Olubadan, Ona Onibode de Igboho, Oni Ilua de Ilua, Eleruwa, Aseyin de Iseyin, Aare of Ago Are, Asawo de Ayete, Olu de Igbo-Ora, Onisemi de Iseme-Ile, Akibio de Ilora, Ibakisi Oloje de Oje-Owode, Onigbope de Ibope, Sepeteri, Saki, Ogbomoso, entre outros, para comemorar este dia em cada cidade.

Na quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017, os membros honoráveis ​​da Casa de Assembleia do Estado de Oyo levantaram uma moção e resolução da Câmara para solicitar ao corpo executivo do governo que reservasse um dia de feriado para os adeptos da Religião dos Orisa.

Com o reconhecimento concedido às 2 religiões existentes pelo governo do Estado de Oyo, ou seja, o cristianismo e o islamismo, é pertinente observar que o reconhecimento dado ao cristianismo e ao islamismo é fisicamente pronunciado com a declaração de um determinado dia ou data para a observância de um dia festival para os adeptos dessas duas religiões, que por turnos são observados por todos como um feriado público e a lei aprovada é perante o Governador Executivo do Estado de Oyo ,para aprovação final.

Citando o Alaafin de Oyo: 
"A civilização iorubá, ao contrário de outros, tem seu sistema de conhecimento e uma religião hoje amplamente aceita e praticada em outras partes do mundo, especialmente na diáspora africana apesar do fato de que, ao contrário de outras religiões, não proselitismo. 
Há muito tempo descobri que o Patrimônio Cultural Yoruba e o sistema de valores são ferramentas fortes em nossos esforços para promover e utilizar a diplomacia cultural para o desenvolvimento em África.
A Nigéria deve beneficiar-se da boa vontade e dos interesses de uma população em expansão de praticantes da religião iorubas que hoje estão rejeitando outras religiões e estão em extrema necessidade de uma religião com a qual possam se conectar na busca de identidade e desenvolvimento espiritual. ” 



Fonte do artigo - https://www.facebook.com/alaafinoyo/photos/a.322566881203723.1073741828.317108578416220/1237201533073582/?type=3&theater

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

POR QUE OS IORUBAS ENTERRAM SEUS MORTOS EM CASA?

REVISTA OLORUN N. 53, Agosto de 2017

ISSN 2358-3320 - www.olorun.com.br


Publicado em 28 de janeiro de 2012, no Daily Trust

Doyin Adebusuyi, Ado-Ekiti;
Abdul-Hameed Olawale, Osogbo;
Mustapha Abubakar, Ilorin
Sikiru M. Jimoh, Abuja.

Os iorubas acreditam que os mortos ainda são parte da família e acredita-se que aqueles que se enterram seus mortos em cemitérios teriam jogado seus entes queridos em uma terra estrangeira” (Odofin Are Ikere, Ado-Ekiti, Estado Ekiti, Chefe Bode Ajisefini).
Se for esse o caso, por que o governo do estado Ekiti está tentando ir contra a crença das pessoas, pois planeja proibir o enterro dos mortos em compostos familiares?
É uma visão comum ver sepulturas dentro das casas ou especificamente nas varandas no Estado de Ekiti. Para as pessoas, é um tabu enterrar ancestrais em terras “estranhas”, isto é, o cemitério, que é o lugar de enterro designado na maioria das grandes cidades em algumas partes do país, e também, em todo o mundo.
No entanto, a tendência está prestes a mudar, já que o governo estadual planeja torná-lo ilegal para as pessoas que perdem seus entes queridos, enterrá-los em suas casas.
O governo, de acordo com o Conselheiro Especial sobre Assuntos do Território, do governador Kayode Fayemi, Élder Remi Olorunleke, planeja estabelecer cemitérios públicos e proibir enterrar os mortos dentro de suas casas e em qualquer lugar dentro de bairros residenciais, como parte das iniciativas de renovação urbana em andamento.
O Élder Olorunleke, que representou o governador em uma reunião com o Conselho estadual de Obas, em dezembro de 2011, disse que essa medida era necessária para “reforçar o valor da propriedade e melhorar sua comercialização”.
Ele explicou que, quando a lei entrar em vigor, seria impossível que as pessoas enterrassem seus falecidos dentro de suas casas por qualquer motivo. Ele argumentou que:
“O investimento em habitação é conhecido por consumir uma porcentagem considerável do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A habitação tornou-se um grande mercado no mundo.
Como forma de regulamentar o mercado, há a necessidade de reforçar o valor da propriedade e melhorar a sua comercialização, desencorajando enterrar os mortos dentro e ao redor das áreas residenciais. Um cemitério público adequado seria estabelecido em nossas principais cidades para cuidar dos mortos. ”
Exceto cristãos e muçulmanos que têm cemitérios para seus membros mortos, as investigações da Weekly Trust em torno da capital do estado, Ado-Ekiti e algumas comunidades revelaram que não há cemitérios públicos em qualquer lugar do estado.
De acordo com Odofin Are Ikere, alguns pais idosos, antes da morte, escolheram onde deveriam ser enterrados e ninguém se atreve a mudar tal testamento.
Ele disse que:
“Enterrar os mortos em casa nas terras Iorubas é parte de nossa cultura e tradição. Nossos pais e mães, antes de morrer, puderam dizer onde deveriam ser sepultados quando morrerem; eles querem permanecer parte integrante da família”.
Ele também argumentou que quando eles são enterrados em casa, qualquer membro da família poderia ter acesso fácil aos mortos através do sacrifício, o que ele disse, não poderia ser permitido se enterrado no cemitério:
“Nossos irmãos cristãos e muçulmanos acreditam na Bíblia e no Alcorão enquanto os tradicionalistas acreditam nas crenças tradicionais. Nossa crença é que, uma vez que você não oferece sacrifícios aos mortos, suas orações não serão respondidas ”.
O chefe de Ikere, que lembrou que perdeu seu pai em 10 de março de 1986, disse que os membros da família ainda oferecem sacrifícios a seu falecido pai em sua tumba, devido à crença de que “ele está sempre conosco”.
Ele mencionou aqueles que poderiam ser enterrados em casa, como sacerdotes, aqueles com títulos de cúpulas tradicionais, monarcas e qualquer um que opte por ser enterrado em casa.
Outro governante tradicional, Odofin de Ararome Obo, HRM Oba Oyebode Olowokere, que alegou ignorância da proposta, disse que:
“Tradicionalmente é permitido, se alguém pedisse que fosse enterrado em casa. Quando você enterra seu amado em casa, você pode se comunicar com os mortos e oferecer sacrifícios; não penso que seja um coisa ruim enterrar os mortos em casa”.
Do mesmo modo, Deacon Olakiitan Ogunje, descreveu o governo como:
“Uma boa política que não é praticável considerando nosso nível de desenvolvimento no Estado de Ekiti”.
Ele disse que as pessoas veem os mortos como uma coisa muito assustadora que não deve ser celebrada conforme o governo está planejando. Para ele, ter cemitérios públicos “é um apelo para que ocorram mais mortes”.
Ele lembrou que seu falecido pai, o Chefe Enoch Ogunjemilehin, que morreu em 2003 em Ijen, região do governo local de Gbonyin, no estado de 94, expressou seu desejo de ser enterrado em casa apesar de ser um anglicano. Ele disse:
“Nós vemos isso como uma honra, enterrar nosso pai sua casa, que lutou toda a vida para construir”.
Ele criticou o estado pobre de alguns cemitérios pertencentes a grupos religiosos no estado, acrescentando que eles não estão bem conservados e que podem ser cobertos de plantas daninhas e portadores de rituais:
“Algumas pessoas consideram isso como um grande desrespeito, o de enterrar seus mortos em tais lugares”.
O diácono Ogunje também acredita que a proteção dos moradores e dos membros da família é responsabilidade dos espíritos dos mortos enterrados em casa.
Sr. Ojo Samuel, residente de Ado Ekiti, também falou em apoio a pessoas que estão enterrando seus mortos em casa. Ele disse:
“É o certo. Não respeito pessoas que enterram seus mortos nos cemitérios. Se meu pai morrer hoje, não permitirei que ele seja levado para o cemitério”.
O Sr. Jackson Adebayo, Diretor, Mídia e Publicidade do Partido Democrata dos Povos (PDP) do Estado, disse que decidiu enterrar sua mãe na frente de sua casa, em Otun, na área de governo local de Moba, embora a lei proíba:
“Nós acreditamos que nossos homens e mulheres, mortos ou vivos, devem ser vistos. Mas, do ponto de vista da higiene e da modernidade, acredito que não devemos continuar a enterrar pessoas em casa”.
Para diminuir esta tendência, o Sr. Adebayo disse que o governo deveria fornecer cemitérios públicos em cidades e comunidades para que as pessoas enterrassem seus entes queridos. No entanto, um clérigo islâmico, Malam Yaqoup Popoola, disse que o Islã recomenda que os mortos sejam enterrados em um lugar público preparado para o enterro, acrescentando que o enterro interno é contra o Islã.
Porém, o Rev. Fr. Julius Omoniyi Adewumi, sacerdote da paróquia da Igreja Católica de São Patrício, Ilawe Ekiti disse que não havia nada de errado em enterrar os mortos em casa, como forma de manter o falecido como membro da família:
“Nós acreditamos que tanto os vivos como os mortos são um. Então, numa situação em que os mortos serão esquecidos após o enterro, preferirei que os mortos sejam enterrados em torno do complexo para que as pessoas olhem os mortos como parte da família. ”
Mas ele condenou uma situação em que os parentes adoram seus mortos como deuses:
“Eles não são deuses, mas alguns ainda podem interceder por nós na presença de Deus como os santos no cristianismo. Os santos são aqueles que viveram a vida santa quando estavam vivos, e ainda pedimos que intercedam por nós diante de Deus. Eles são seres humanos que estão agora na presença de Deus. Portanto, não há necessidade de fazer sacrifícios a eles”.
O chefe Bayo Ogunmodimu, que falou em nome de Ewi de Ado Ekiti e secretário de Ewi em Conselho, disse que é política do governo e é um desenvolvimento bem-vindo:
 “O governo tem o direito de decidir melhores coisas para as pessoas do Estado. É um gesto de boas-vindas e não temos outra opção senão obedecer. ”
No estado de Kwara, para garantir uma coordenação adequada, os grupos governamentais e religiosos estabelecem cemitérios públicos que estão bem espalhados pelo Estado. Não obstante, muitas famílias ainda mantêm a tradição de enterrar seus mortos dentro de suas casas.
Um pastor de uma igreja de nova geração, que prefere o anonimato, disse que a prática de enterrar os mortos em casa ou no cemitério não tem nada a ver com a doutrina dos cristãos; no entanto, aqueles túmulos que são feitos nas instalações da igreja costumam lembrar ao cristão seu inevitável final. Segundo ele, quando as pessoas veem tais túmulos regularmente, eles lembram qual será sua casa final.
Um estudioso islâmico, Ustaz Mukhtar Muhammad Thani,, no entanto, disse que enterrar os mortos em casa é mais uma coisa cultural, por causa da crença que as pessoas atribuem aos mortos e essa crença, ele disse que “realmente começou há muito tempo mesmo antes da era do Profeta. Foi o Islã que nos iluminou. ”
Outro motivo para a prática naqueles dias, ele disse, é para o falecido ter contato com a família e a propriedade que ele deixou para trás. Então, ao ser enterrado em casa, ele ou ela pode ver o que está acontecendo com sua família.
Os casos de violação de cadáveres em cemitérios, com o propósito de ritual, foi outra razão pela qual as pessoas continuam a enterrar seus mortos perto deles, para monitorara-los, especialmente se eles são ricos, influentes ou justos.
“Eventualmente, as pessoas começaram a unir a divindade a estes túmulos, canalizando seus pedidos nestes locais, rogando aos mortos por proteção para os membros da família que deixaram para trás. Embora outras religiões não sejam contrárias a tal prática, é o pecado mais grave no Islã, pois equivale a colocar esses mortos no mesmo pedestal com Deus”.

Grupos de túmulos são vistos regularmente em muitas casas residenciais no Estado de Kwara. Na verdade, um estranho poderia caminhar sobre tais túmulos sem saber. Mesmo com a provisão de terras pelo governo estadual, as pessoas ainda estão muito vinculadas a esta prática antiga, e não estão perto de abandoná-la ainda.
Como em Kwara, a tradição antiga ainda está sendo praticada no Estado de Osun. No entanto, os líderes religiosos são de opinião que um funeral público é preferido.
Falando com a Confiança Semanal em Osogbo, capital do estado de Osun durante a semana, a Mesquita do Imam de Baba Popo na área de Gbaemu, Alhaji Salami Adejumo apelou ao Governo do Estado de Osun para fornecer um cemitério público para desencorajar as pessoas de enterrar seus parentes no ambiente familiar. Ele também observou que o costume de enterrar cadáveres em casa não é atraente, mas continuará até que o governo forneça cemitério.
“É verdade que, enterrar cadáveres nos compostos da família, não é atrativo hoje em dia. Se o governo fornecer cemitérios públicos, as pessoas estarão dispostas a levar seus cadáveres a tais lugares. Algumas das organizações que têm cemitérios restringem seu cemitério aos membros. Eles não permitem que os não membros sejam enterrados em tais cemitérios”.
Para Alhaji Liasu, deve haver segurança adequada para os cemitérios antes que as pessoas estejam convencidas de levar seus cadáveres lá para o enterro:
“Nossa experiência nos últimos tempos não é muito agradável com a forma como alguns elementos sem escrúpulos estavam removendo partes dos corpos dos cadáveres dos cemitérios. Até que o governo forneça sepulturas públicas com cerca e segurança adequada, as pessoas continuarão a enterrar seus cadáveres no complexo familiar. Infelizmente, há um espaço muito limitado nos ambientes familiares”.
No entanto, a proibição no Estado de Ekiti foi reprovada em alguns lugares. Sr. Omotayo Owolo, um empresário do Estado de Osun, residente em Abuja, disse que a proibição teria um efeito adverso sobre a cultura e as normas ioruba:
“A cultura (tradicional) é bastante diferente da modernização. A modernização não cria espaço para enterrar parentes falecidos em áreas residenciais, mas essa é a nossa tradição e não há nada que o governo possa fazer, exceto através do esclarecimento e do encorajamento gradual de todo o povo. Não por lei aplicada ao acaso”.
Além disso, o Sr. Tawab Fatola, da Ikire, no Estado de Osun, disse à Weekly Trust em Abuja, que a prática é mostrar às crianças os túmulos de seus antepassados da família:
 “Se os filhos não conheceram o pai ou o avô, podemos mostrar seus túmulos e fotografias, explicou”.
Fatola disse que cristãos e muçulmanos, em Ikire, enterram seus familiares, especialmente os antigos, em áreas residenciais.

Tradução, transcrição e adaptação, em 29/07/2017, por: Luiz L. Marins – www.luizlmarins.com.br

Original em Daily Trust, Internet. Acessado em 29/07/2017. Disponível em:


ANEXOS:
Túmulo da família Atanda 

Túmulo da família Elebuibon    

   

Ibojì Ijagbo, foto Omowale Willys, 2015 
   
Isa Oku, foto babaawo Alabi 
   
Túmulo dentro de uma casa, em Abeokuta. Fonte não identificada