quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ORIXÁ REGENTE DO ANO



Por Erick Wolff de Oxalá

22/12/2016



Ainda estamos longe do dia 31 de dezembro, e já começaram as mensagens dos orixás regentes de 2017,  para quem não sabe do que se trata precisaremos fazer uma breve explicação do que realmente envolveria a regência do ano, e as consequências para um templo afro-religioso. 


Primeiramente necessitamos entender que cada casa possui rituais, costumes e os seus fundamentos, por isso, cada uma delas tem uma Divindade (orixá) que administra e rege toda aquela comunidade, como um micro universo que possui o Orun (quarto de santo), esta divindade seria o segundo no comando (após Olodumare), neste caso seria Orixá do fundador do templo, ao qual é estruturado todos os rituais e fundamentos em torno do axé desta divindade, assim as demais divindades pertencentes ao templo e os filhos iniciados nesta casa, comungam do axé desta divindade, como um administrador, ou um regente, o orixá do fundador equilibra e sanciona as feituras e sacrifícios. O restante do templo seria o Aiye (mundo físico), onde esta divindade regente deste templo também teria domínio e responsabilidades.


Aí vem um tema tão complexo do Orixá que regerá um ano inteiro, e o que acontece a partir daí que teremos que pontuar.


Se for eleito um ou mais Orixá para reger determinado ano, os demais orixás estarão subordinados a este regente, inclusive o orixá do fundador daquela casa, logo seja qual for o orixá daquele templo, abdicará das suas responsabilidades e domínio, para o determinado orixá regente do ano. Seguindo a lógica, se um orixá rege o ano todo, as primeiras oferendas, os Ebo e feituras deverão ser entregues para esta divindade antes mesmo da própria divindade do templo. E a cada ano terá um regente e a hierarquia daquela casa irá variar constantemente. inevitavelmente ocorrerá todo ano.


E claro que não poderemos esquecer que como regente ele terá soberania total, por todos daquela nação e por todos que praticarão rituais por aquela egbe (comunidade), ou ilê (templo).



Para esclarecimento, convencionaram que o dia da semana que o primeiro dia do ano caísse, elegeria o orixá ou orixás que regeriam este ano. 


Entendo que estes primeiros minutos, possam sim serem influenciados por alguma divindade, seja Esu, Osala, Osun, ou qualquer outra divindade, mas não os torna regente de um ano inteiro. 

Sendo assim feliz ano novo e que todos os orixá possam lhe dar apoio durante este ano.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

AS DEZESSEIS PEDRAS DE ORUNMILA - (EXTRATOS)



Luiz L. Marins
Novembro de 2016


Introdução


Este não é exatamente um artigo ou dissertação sobre os elementos oraculares de Orunmila, e não tem a finalidade de investigar as origens de Ifa.
Este texto pretende apenas registrar rapidamente algumas fontes etnográficas sobre o fato da geomancia oracular que deu origem ao oráculo de Ifa tal qual hoje é conhecido na Iorubalandia, inicialmente utilizar-se de pedras, e não a semente de palmeira como se utiliza hoje.
Segue o registro das fontes.
 


















Pg. 118

IFA DIVINATION: MYTHOLOGICAL NARRATIVES
Aderemi Suleimam Ajala
[...]


“O Oke-Ipori, conforme o Chefe Abifarin, era formado por pedras sagradas em número de dezesseis. Elas eram de cor escura, cristalina e oval em formato.
Quando Orunmila subiu ao céu, ele deixou seu Oke-Ipori. Depois seus filhos [...]”


[...]



P. 32
[...]


“ Ifa – Este é o principal oraculo que se consulta na Iorubalândia, e foi introduzido pelo rei Onigbogi, que dizem ter sido destronado por ter feito isso.
Outra tradição diz que foi introduzido na Iorubalândia por Setilu, nativo Nupe, que nasceu cego.
Isto foi durante o período da invasão muçulmana. ”


P. 33 [...]



“Como ele estava em idade avançada, ele começou a praticar a magia e a medicina. No começo de sua prática, ele usou 16 pequenas pedras e obteve grande sucesso obtendo o crédito daqueles que o procuravam por causa de suas aflições e angústias. ”





CONSIDERAÇÃO FINAL
Conforme o exposto o uso das sementes de palmeira como elemento natural do oráculo, em substituição às dezesseis pedras anteriormente utilizadas, como mostram as fontes citadas.