segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Nascimento de um Òrìsà- Parte III

Por Bàbá Erick Òòsàálá

29/12/14


Relembrando as postagens anteriores, falamos sobre ancestralidade, descendência, agrupamento de divindades, escolhas boas ou má, culto a Orí e  livre-arbítrio. Nesta edição abordaremos a transferência do àse.


Qualquer iniciado, desde que tenha recebido um Eborí (Ebo de Orí), ele poderá abrir um O(nós de cola, um fruto de duas, três, quatro ou cinco partes) para comunicar-se com seu Orí, sabemos que isso é possível desde que o seu sacerdote passe o sistema e formas de interpretar, muitas vezes usando o sim e não para simplificar a comunicação. 

O Obì é uma das sementes sagradas mais antigas para comunicação com as divindades e Orí, na África é comum que os iniciados abram um Obì e comuniquem-se com Orí, o sacerdote usa este mesmo fruto para passar o seu àse, algumas vezes mastigando um pedaço do Obì durante rituais, ou apenas sacrificando um Obì para aquele indivíduo.

No Brasil, poucos sacerdotes liberam o Obì para que aquele indivíduo possa conversar com o seu Orí, da mesma forma que sabemos que é costume que os seus Igbá (Louças sagradas das divindades ou Orí) costumam ficar no templo.

No Batuque os Igbá, ficam todos no templo a menos que o indivíduo for abrir a sua casa, neste caso, os Igbá devem ser transportados até a nova casa, pelo seu sacerdote, há rituais para que os Igbá sejam levados, desde preparação da casa, com sacudimentos, limpezas e sacrifícios, esta é a única forma que sabemos que tradicionalmente ocorre, estes procedimentos proporcionam as condições necessárias para que as divindades se acomodem na próxima residência e consequentemente o àse dê continuidade na nova casa.

Ainda neste artigo, lembramos que a responsabilidade com os Igbá pertencente ao iniciado, ficam de responsabilidade do mesmo tratar e alimentar as quartinhas, há raras excessos de pessoas que moram em outros países ou estados distantes que seria impossível dar Ose (sabão, ou quando neste caso seria limpar ou tratar) a cada dois meses no mínimo, neste caso quando solicitado o Bàbálòrìsà, Ìyá
lòrìsà, Bàbá-kékeré (padrinho) ou Ìyá-kékeré (madrinha), para que dê ose, quando abandonado o Igbá, por mais que seis meses, sem que o iniciado entre em contato e ou de uma satisfação, arria no meio do quarto de santo o Igbá-Orí e Igbá-òrìsà, para saber qual procedimento a seguir, que pela maioria das  vezes é desfazer e despachar, motivo abandono do mesmo.

E a vontade da divindade será  feita, nos preparativos que finalizam o ano, para o ano novo, assim, não haverá Igbá abandonados no templo.

Sempre tenham em mente que uma divindade possui personificação e inteligência, jamais subestime a sua essencia.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Homem negro

Por  Alexandre H. Custódio De Xango Aganju
26/12/14
 

Sou negro não por opção, mais se tivesse opção negro gostaria de ser.
Povo que com um sorriso no rosto acorda disposto e vai trabalhar.
Povo que segue sua sina quem enfrenta que o discrimina e mostra disposição de vencer.
Vi meu pai que enfrentava dificuldade e na bem da verdade sofre e se priva quase de tudo que viu no estudo a única chance de um futuro decentes para seu filho deixar.
Se hoje estou aqui escrevendo isso que você Le.

Deixa-me dizer para você com o que tive que lidar.
Já na escola aprendi antes mesmo de aprender a escrever.
Que tem assuntos dos quais não devemos falar.
Quando em uma aula sobre etnias gente de todos os povos eu via quando perguntei a minha fiquei sem resposta.
Hora negro já sabia que era mais queria saber mais, pois via portugueses, polacos, alemães e italianos.

Insisti continuei perguntando mais a resposta não veio.
Fiquei meio amuado fui pra casa chateado em busca de uma explicação
Minha tia vendo meu semblante pesado me perguntou o porquê de minha frustração
Contei pra ela o ocorrido e pensando em ser atendido como uma boa explicação
Mais uma vez me decepcionei com a resposta você é negro e pronto
Nessa hora me enfureci e com o respeito faltei
Respondi que sou negro eu sei porra agora quero saber de onde
Não tive resposta de fato e pela falta de tato

Deixe eu lhe falar que de fato tive que correr pra não apanhar
Assim foi na escola quando sai do seio e da proteção da família que aprendi o que é ser negro de fato
Ser chamado de negro, neguinho, tissão nunca me entristeceu
Pois se isso for tudo que podem dizer para tentar me ofender podem falar até perder a voz
Aprendi com minha família a não deixar para algoz outro motivo pra critica
E os valores que deles recebi são os que vou passar adiante
Só uma coisa importante não posso me esquecer
O preconceito velado o meu trabalho dobrado para mostrar meu valor
Pois no pais onde um homem negro pra ter um lugar ao sol
Só jogando futebol, pois todos desconfiam quando veem um negro doutor.
Desconfiam da nossa capacidade e na bem da verdade muitas vezes não temos a possibilidade nem se quer de mostra-las

Somos números nas estatísticas, o primeiro alvo da policia querem nos condenar a marginalidade.
Fico bem à vontade pra dizer que no meu caso não, já passei por dificuldade mas não tenho talento pra ser ladrão. 
Não vivo de cotas ou bolsas acho isso uma bosta uma mordaça pro povo
Pois apreendi que é com o suor do rosto que se deve ganhar o pão
E fico indignado quando me pedem pra deixar o passado no passado e esquecer o que vivi
O que chorei o que sofri, pois ser homem negro na maioria das vezes é trabalhar em dobro e receber pela metade.
Não me canso de lutar e minha luta só vai acabar
Quando ver a sinceridade no olhar de quem na rua apontar um homem negro e o chamar apenas de Homem.
Não posso evitar falar a eloquência e um dos atributos de um rei
Embora eu não seja eu sei, pois sou filho de um. Filho de Aganju que antes foi dado a Ogun.

Fonte - https://www.facebook.com/alexandredxango.aganju/posts/416788148471677

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O Nascimento de um Òrìsà- Parte II

Por Bàbá Erick Òòsàálá
16/10/14

Conforme o artigo parte I, informamos a existência de Ìkójopò-òòsà  ou Ìran-òòsà e quais recursos para que seja estabelecido o vinculo com tais ancestralidades, sabemos que além destes recursos, ainda deveremos ficar atentos ao caráter e personalidade do indivíduo.

Um ponto ao qual o iniciado deve se dedicar quando deseja cultuar Orí e sua Ancestralidade, e não cometer atos que gerem desequilíbrio ao seu Orí, para a lei dos homens, há regras que a sociedade estipula que devem ser observadas e ao mesmo tempo respeitadas, como não roubar, não matar entre outras, sabemos que além das punições que a própria lei poderá cobrar, há também os desequilíbrios e cobranças do próprio espiritual. Um dos fatores que poderá proporcionar a exclusão de um templo caso o indivíduo possa ser um perigo para o templo religioso, ou seja, os  desvios de conduta possam gerar problemas a tal ponto que o sacerdote possa querer quebrar o vinculo com aquele indivíduo, por falta de comprometimento com os bons costumes e regras daquele templo, sem que o sacerdote se comprometa com o espiritual daquele indivíduo. Sabemos que muitas vezes para proteger a comunidade ele poderá eliminar o mau, seja espiritual ou material.

O livre-arbítrio é o maior mecanismo de abstenção da culpa e do compromisso, pois a maioria dos que usam a sua escolha para algo, e a liberdade de escolha para qualquer caminho, ele deve assumir toda a e qualquer responsabilidade, deixando claro que ele será o único responsável quando houver uma má escolha, desde que este indivíduo não tenha sido induzido à má escolha. Por outro lado, o livre-arbítrio, além de ser um mecanismo de auto flagelação por consequência, ele livra o sacerdote dos compromissos com o indivíduo, afinal cada um é livre para escolher o seu caminho, desde que não prejudique a comunidade ele poderá seguir por onde quiser, caso contrário o sacerdote terá o dever de intervir caso algum indivíduo possa prejudicar aquela comunidade, assim o sacerdote estará protegendo a sua comunidade.

Talvez o maior vilão do ser humano não seja a punição a qual ele se envolve, mas sim a tendência para a má escolha, e os os erros que ele poderá cometer diante das más escolhas, o que sabemos que não é da responsabilidade do sacerdote quando este indivíduo insiste nas más  escolhas.

O culto ao Orí, abre caminhos e oportunidades para que o indivíduo possa prosperar e crescer, vai dele escolher sempre o melhor para si, desviar de um caminho honesto e correto, pode lhe causar danos, podendo até que responder judicialmente, porem não cabe a nós julgar ou conviver com isso, basta eliminar as más escolhas, caso não consiga  elimine os elementos que trazem má influencia ou possam prejudicar a comunidade, desta forma protegera aqueles que são honestos e procuram a espiritualidade.

sábado, 11 de outubro de 2014

O Nascimento de um Òrìsà- Parte I

Por Bàbá Erick Òòsàálá
11/10/14


 
Criar o elo entre o iniciado e a divindade é feito através da iniciação, o sacerdote necessita saber as características, folhas, ferramentas, comidas e segredos.
 
Quando citamos características, estamos relacionando aos fundamentos que compõe aquela divindade, não basta apenas definir se é um Sàngó, Odé ou Òòsàálá, temos que definir qual divindade será cultuada para aquele indivíduo, partindo do principio que, muitas divindades estão aglutinadas numa determinada divindade, para simplificar o culto, levando em consideração que há muitas divindades para serem cultuadas, os sacerdotes antigos consideraram que o culto de determinadas divindades assemelhava-se a outras, e poderiam compor o que chamavam por qualidades, no entanto com o tempo percebemos que estas qualidades estariam divididas em descendências ou por ajuntamento ou acumulação... conforte citaremos a seguir;
 
Descendência - poderemos notar no caso de Sàngó que o seu culto aglutina divindades como Aganju, Agodo, Jakuta entre outros, que partem de uma mesma descendência e aglutinam no culto a Sàngó, levando em consideração que cada divindade tem a sua caraterística, fundamento e rituais, que o individualiza dos demais.

Neste caso recebe o nome em Yorùbá de Ìran-òòsà - descendência ou geração.

 
Ajuntamento ou acumulação - quando encontramos divindades que o seu culto se assemelham e podem considerar que o seu culto possa ser tratado como uma determinada divindade, observem no caso do Batuque que Olókun, Óbokún, Dakun, Oduduwá entre outros, se encontram no culto a Obatala, neste caso aglomeraram divindades Funfun (Primordiais) que poderiam ser cultuada em determinados fundamentos, porem mesmo assim deverá haver uma individualização entre elas, e cada uma terá determinados conceitos, rituais e fundamentos que possam identificar a  feitura de  cada um.
 
Neste caso recebe o nome de Ìkójopò-òòsà - ajuntamento, acumulação ou coleção de  divindades semelhantes em determinado culto.
 
Estes conceitos ajudaram os  sacerdotes no Brasil a aglutinar várias divindades no culto das divindades principais.

Folhas
As folhas são de extrema importância, sabemos que devem fazer parte do assentamento, ou seja, são usadas na hora de fazer o Omi-àse (água de erva do ase daquela divindade ou demais divindades, conforme a necessidade ou fundamento), da mesma forma que as folhas irão compor o assentamento para que possa ser ativado, quando houver o sacrifício, seja qual for, haverá a sacralização e a folha ajuda a ativar a consciência desta divindades considerando que cada folha contem e ajuda a compor a divindade como se fosse o DNA, que faz com que aquela divindade desperte.

 
Note que existe folha macho e fêmea, quente e fria, entre outros fatores que devem ser considerados, jamais esquecendo que cada folha contem um Ofò (invocação ) para que desperte a sua magia.
 
No Batuque há um conceito muito interessante que ajuda tanto na hora corte quanto na hora da levantação, que o sacerdote escolhe aves e bichos com pelos na cores convencionadas que distinguem cada divindade cultuada, sendo assim, ao cortar e ter vários assentamentos comendo, fica muito fácil identificar cada um pelas cores das penas das aves que foram sacrificadas, sendo assim não há confusão com penas brancas de bichos que são cortados... Por isso usa-se bichos com penas de varias cores e tipos de  aves, como as carijó, vermelhos, telha, escuros e  claros, assim cada divindades será identificada conforme as penas que estão cobrindo os assentamentos que estão comendo.
 
Os fundamentos de cada divindade, sabemos que cada divindade tem uma determinada ferramenta e rituais, por isso, é muito importante que ao preparar aquela divindade saiba-se o mínimo a que ela necessita para que possa ser feita, como pós, sementes, favas, óleos, mel, folhas e  etc.... Observamos para alguns sacerdotes consideram que basta as aves distintas, porem levantamos a questão do Ìkójopò-òòsà  ou Ìran-òòsà, que são divindades individualizadas que compõem uma destas posições e devem ser  respeitadas, por isso consideramos que na hora da  feitura teremos que movimentar adequadamente a feitura daquela divindade para que haja a ligação com força e àse.
 
Assim consideramos que cada divindade que nasce deve ser  respeitada e considerada pelo sacerdote sagrada, jamais esquecendo que está diante de um deus ou deusa, e qualquer sacerdote é um mero intermediador entre os seres divinos e a humanidade, agora imaginem a responsabilidade de cada iniciado diante da sua divindade e sacerdote.... Afinal foi através dele que houve a ligação e o restabelecimento entre o divino e o ser humano.
 
Assim os òrìsà nos ensinam e assim ensinamos os iniciados a serem boas pessoas.
 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ibeji


Dhadar Faseyi


29/09/2014




 
O povo Iorubá acredita que gêmeos são pessoas especiais. Na cultura tradicional Iorubá, quando nascem gêmeos, os pais visitam um babalaô/ babalorixá, para descobrir seus desejos.

 

O gêmeo que nasce primeiro chama-se Taiwo, que significa, “a primeira que chegou no mundo”, e a segunda chama-se Kehinde, que quer dizer, “a última pessoa que chegou no mundo”. Dizem que Kehinde envia Taiwo para ver como é a vida na Terra, e dizer para Kehinde se é boa.

 

Portanto, Taiwo vem como enviado de Kehinde, e torna-se a primeira criança a nascer. Ele se comunica com Kehinde espiritualmente, dizendo se a vida aqui será boa ou não. A resposta determina se Kehinde vai nascer vivo ou natimorto. Ambos retornam para onde vieram, se a resposta do Taiwo não for boa o suficiente para os dois viverem juntos.

 

Os iorubás dizem que Kehinde é o mais velho dos gêmeos apesar de ser o último a nascer, porque ele enviou Taiwo. Kehinde é, portanto, referido como omokehindegbegbon, que significa a criança que veio por último torna-se o mais velho.

 

Que Orixá Ibeji esteja sempre com a gente e nos dê muito axé.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

MÉDIUM DE INCORPORAÇÃO CONSCIENTE


Luiz L. Marins
Setembro de 2014

 
 
Não existe incorporação consciente. Quem está incorporado, não tem consciência de nada.
 
O médium de incorporação que tudo vê, tudo escuta, e lembra-se de tudo depois do transe, simplesmente não está incorporado, está irradiado. Ilude a si, e pensa enganar aos outros. Isto se chama animismo. W.W. Matta e Silva já falava sobre isto nos 60/70.
 
Médiuns conscientes são os videntes, os psicógrafos, os clariaudientes ...
 
Sim, existem médiuns de incorporação semi consciente, mas estes são muito diferentes dos chamados conscientes, pois não se recordam de nada depois do transe, embora durante este possam ter alguns flashs do que ocorre.
 
Babas, Iyas e Médiuns. Sejam honestos com vocês mesmos, revejam seus conceitos. Se for o caso, parem de exercer uma mediunidade que nunca tiveram. Tenho certeza que serão mais felizes, pois tirarão um peso de suas consciências.
 
Desculpem a franqueza, mas é necessário.
 

terça-feira, 24 de junho de 2014

O Caráter e o Afro-religioso.

Por Bàbá Erick Óbokún
24/06/14


Atualmente na comunidade Afro-brasileira, está se falando muito sobre o caráter, porem acreditamos que muitos ainda não conseguiram visualizar em sua mente, do que se trata o bom caráter. Por isso, que vale tentar ajudar a entender melhor o que é o bom caráter, principalmente para aqueles que pertencem a cultura Yorùbá. Iremos ilustrar;



"O que é Caráter:

Caráter é um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de atitudes.

O conjunto das qualidades e defeitos de uma pessoa é que vão determinar a sua conduta e a sua moralidade, o seu caráter. Os seus valores e firmeza moral definem a coerência das suas ações, do seu procedimento e comportamento.

Uma pessoa conhecida como "sem caráter" ou "mau caráter", geralmente é qualificada como desonesta, pois não apresenta firmeza de princípios ou de moral. Por outro lado, uma pessoa "de caráter" é alguém com formação moral sólida e incontestável.

O caráter quando é forte, não se deixa levar por alguma proposta de uma via mais fácil para a realização de algo. Mesmo se naquele momento parece ser o melhor caminho a seguir, é o caráter que vai determinar a escolha do indivíduo.

"A caráter" é uma expressão que significa conforme a época e ao lugar, rigorosamente como a moda deve ser.

Caráter também pode ser uma marca ou sinal gravado em uma superfície, como uma letra. Ex: Ele não entendeu nada porque não consegue ler caracteres chineses." (fonte -http://www.significados.com.br/carater/)

Acima fizemos uma pequena demonstração do que é Caráter, porem o que isso importa, e por que é tão falado atualmente? Justamente sobre isso que quero tentar demostrar para que as pessoas entendam a real necessidade de cultuar o bom caráter, numa religião a qual se dá muito valor à verdade!

Para um iniciado, o bom caráter lhe ajuda a estar afinado com a sua divindade e Orí, Orí engloba tudo que for pessoal para aquela pessoa, que se encontra no òrun. Se aquele indivíduo não cultua o bom caráter, a sua vida ou melhor falando o seu destino começará a sofrer conflitos, em conseguencia do mal caráter, pois ele terá dificuldade em viver a verdade, envolvido nas mentiras que cria.

Aprendemos a ser quem somos com os nossos mais velhos, seguimos os seus exemplos, e os imitamos, claro que o estudo e o aprendizado é algo que lhe ajudará muito, porem uma boa parte lhe é dado como um àse, que lhe acompanhará para sempre, cabe a pessoa manter este 
àse com bons pensamentos e uma vida equilibrada e sadia.

O pensamento claro e sadio lhe ajudará muito, ser um adorador da verdade lhe ajudará a caminhar por caminhos aos quais, mesmo quando levantarem falso contra você, a verdade será a sua aliada e os mentirosos cairão, por que, a "verdade" é única não tem meia verdade e ou uma verdade inventada.... Para isso existe a "mentira" que não é sadia, que muitas vezes quer confundir com a verdade e enganar inocentes.

E para o sacerdote, o por que é importante o Bom Caráter?

Os seus seguidores irão imita-lo, e irão carregar o seu 
àse, por isso, que a boa conduta, bons pensamentos e viver a verdade lhe fará um bom exemplo, não importando o quanto doa a verdade, ela deve ser cultuada e cultivada dentro de cada um.

Sabemos que muitas vezes a verdade dói e machuca, e nem todos estão preparados para a verdade, contudo aprender a aceitar a verdade e procurar a verdade, faz parte do amadurecimento e da sua ascensão para a evolução pessoal e comunitária.

Evoluir e crescer, é um ato de valentia numa sociedade a qual talvez não esteja pronta para ver a verdade, onde a maioria prefere estar na sua zona de conforto e manter o que aprendeu, sem querer olhar para a frente com medo de descobrir que o que conhece pode ser que não esteja de acordo com a verdade, afinal não existe uma verdade pessoal, inventada apenas para aquela pessoa. Por isso, por mais que doa, devemos procurar caminhar para frente nunca para trás, mesmo que esta jornada seja cansativa e solitária, devemos aos que virão a oportunidade de aprender e ter o seu exemplo.

Então por que o caráter deve ser avaliado pelo indivíduo constantemente?

Por que somos humanos e erramos constantemente, não basta deletar alguém, bloquear ou expulsar da sua vida, só por que esta pessoa pode lhe causar transtorno ou por que lhe mostrou algo ao qual você errou,  seja valente e maduro e reconheça seu erro e o concerte, afinal é para isso, que estamos evoluindo, aprender e consertar nossos erros.

E se tem duvidas sobre o que aquela pessoa fala, procure mais fontes, estude e tenha conteúdo para debater, trabalhe limpo e honesto, a sua vida será mais linda e você poderá ser feliz.... Pense, quem sabe seja por isso que sofra tanto.


Boa semana.

domingo, 25 de maio de 2014

País Diola

Senegal 
País Diola

Bosques sagrados, boekin e costumes históricos como salvaguarda cultural

Casamance, região do sul do Senegal, é um território de valores íntimos, iluminado por sua riqueza cultural e pela vivacidade de suas tradições. A capital Ziguinchor foi, no século XVII, um grande centro de comércio português e ainda preserva alguns prédios da arquitetura colonial. A fauna local é distinguida pela grande diversidade de aves, que se destacam no cenário que mistura mangues e baobás. Mas não é a arquitetura ou a natureza que prevalecem como símbolo da região. Encaixada entre Gâmbia e Guiné-Bissau e dividida pelo rio homônimo, Casamance é marcada pela preservação das mais antigas culturas, sendo o atual coração de grandes reinos. É ali que se encontra o País Diola.

A origem do povo Diola é pouco conhecida, uma vez que a história da comunidade é considerada confidencial, conservada a sete chaves pelos seus guardiões, que fazem questão de preservar a tradição em segredo. A sociedade ocupa a região da Baixa Casamance, território que abrange toda parte sul do rio, e é conhecida e respeitada por ter conseguido fazer prevalecer sua estrutura fundamental, perpetuar antigas normas e manter vivos os numerosos costumes locais. Em um país onde 95% da população incorporou o islamismo ou o cristianismo como principal crença, a cultura Diola é marcada pela salvaguarda do animismo e suas tradições e crenças endógenas do continente africano.

O rei fica instalado no vilarejo de Oussoye e desempenha papéis econômicos, sociais e religiosos na sociedade Diola. Entre suas funções principais está a justiça, sendo o encarregado de solucionar intrigas e problemas sociais, aconselhando os envolvidos e podendo até punir os responsáveis. Ainda, dono de grandes terras de arroz, o Rei Sibulumbaï Diédhiou explica que ele é incumbido de empregar em seu cultivo parte da população e que o arroz colhido deve ser divido entre as comunidades. Ele enfatiza ainda que as terras pertencem àquele que ocupa o cargo e não ao indivíduo e por isso devem ser utilizados em função do povo.

“Quando um rei está bem é porque a população está bem. É um círculo vicioso”, aponta o Diédhiou ao comentar que um rei pode perder o cargo se a população estiver insatisfeita. Ele ainda explica que na cultura Diola o reinado não funciona como uma dinastia e que quando um líder morre ou é deposto, existem três famílias que possuem o poder de decidir o novo encarregado. “Outro membro da família do antigo até pode ser escolhido, mas nunca o filho”, deixa claro o líder, que faz questões de receber os visitantes, sejam turistas ou não. Sibulumbaï Diédhiou acredita que é essencial esclarecer as dúvidas da população sobre seu reinado e sobre as tradições Diola. E para não deixar mal entendidos, prefere ele mesmo responder aos questionamentos.


As três famílias, além da escolha do rei, possuem outras importantes funções na sociedade, como a guarda de alguns espíritos. Pierre Diatta faz parte de uma delas. É um grande conhecedor das histórias e tradições de sua cultura, qualidade exigida pela família. Ele explica que apesar da incidência no país ser o oposto, na região de Casamance 90% da população é considerada animista. “Mas são apenas números. Na verdade, toda população do Senegal carrega seus valores tradicionais e a maioria ainda participa dos rituais mais importantes. O que existe na África não é um ou outro, mas sim um forte sincretismo religioso. A diferença aqui em Casamance é que somos exclusivamente animistas”.


Os animistas Diola acreditam que a energia cósmica, também conhecida como energia vital, mora em todas as coisas, sejam animais ou materiais. Acreditam também na existência de inúmeros espíritos, conhecidos como boekin, que moram e transitam pelas casas, vilarejos, plantações de arroz e bosques. Os intermediários da conexão entre os humanos e os boekin são os Oeyi, influentes figuras do domínio espiritual que junto ao rei, são responsáveis por definirem as obrigações e deveres dos cidadãos, por manter a ordem e a moral e, antes de tudo, por manter a paz. A conexão com os espíritos pode acontecer de diferentes formas: em rituais sagrados, em cerimônias tradicionais ou grandes comemorações.


Pierre Diatta explica que cada espírito tem o seu lugar e cada um é responsável por uma função específica na sociedade. “Tem o boekin da floresta, tem o da família que fica no fundo da casa, tem o boekin da fecundidade que é exclusivo das mulheres etc. Os maiores e mais importantes são protegidos e guardados por uma das três famílias”. O responsável por guardar o principal boekin de Oussoye é o pai de Pierre. Nas cerimônias de conexão, ele obrigatoriamente deve estar presente, escutando todos que buscam a ajuda do boekin. “Os pedidos são na maioria das vezes relacionados à saúde, fertilidade, bons estudos, justiça, proteção e trabalho, podendo ser tanto um problema pessoal e individual quanto um social”, completa o filho.


Normalmente na cerimônia é trazido como oferenda ao boekin galinhas, cabra ou porco e vinho de palma, suco da palmeira que chega a ter 4 a 5% de teor alcoólico quando fermentado por mais de dois dias. Alguns espíritos aparecem mais constantemente, outros são mais raros e alguns só aparecem no principal evento da cultura Diola, o Boukout, um ritual de passagem realizado no bosque sagrado, que marca a saída da adolescência para idade adulta. Quando é o período da cerimônia, todos os jovens não iniciados são encaminhados para o bosque, onde passam semanas ou meses.



No entanto, não há periodicidade certa para a realização do Boukout, que pode demorar até 30 anos para acontecer. E quando esse é o caso, os não iniciados, mesmo os mais velhos, não podem nem casar e nem ter filhos, pois são vistos pela sociedade como adolescentes. O que acontece no bosque sagrado é outro segredo guardado a sete chaves. “O que se passa lá a gente não pode contar, mas posso dizer que é uma experiência, sobretudo de educação, trabalho e ética”, explica Pierre. Formando a estrutura da sociedade e movendo o motor cultural da região, bosques sagrados, boekin, reinados e costumes históricos fazem do país Diola uma das principais e mais ricas tradições da África Ocidental.






Fonte - http://www.afreaka.com.br/pais-diola

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O Lórogún um ritual remanescente da escravidão.



Por Bàbálòrìà Erick Óbokún
19/04




O Ritual de mandar os òrìà  para a guerra, no período da Quaresma, sabemos que é costume de algumas famílias do Batuque Afro-gaúcho, fechar o Yàrá-òrìà (quarto de òrìà) assim que chega o Carnaval, ficando o período da Quaresma sem sacrifícios e restringe ao máximo as iniciações, neste período não há  toques nem festas religiosas, por isso, não há iniciações, claro que nem uma iniciação está vinculada a toque, porem o tambor anuncia festas decorrentes de iniciações.

Entre estas familias do Batuque do R. S., se dedicam a rituais chamadas de Missa do Égún, um ritual vinculado aos ancestrais e antepassados que são homenageados neste período. Quando não estão dedicados a rituais de Égún (culto aos restos mortais dos antepassados) ele se voltam para os trabalhos com Exú e Pomba-Giras, entidades que trabalham para proteção ou demanda dos templos. 

Este período entre o Carnaval e a Páscoa Cristã, é chamado por alguns de Lórogún, um costume que foi adquirido do Candomblé, assim como narra Beniste, em seu livro Ọ̀run Àiyé.


  • [...] O Lórogún é uma cerimónia que marca a paralisação das atividades do Candomblé, e que coincide propositadamente com o período da Quaresma católica. É realizado após o Carnaval, com o iré Ògún - brincadeira de guerra, numa simulação de luta entre duas alas previamente escolhidas. A ala em que primeiro se manifestar o òrìà será a vencedora. O Lórogún é a motivação para o descanso dos componentes do Candomblé. [...] (p. 332)

E reforçado o Lórogún, em outro livro, As águas de OXALÁ, o autor detalha melhor este ritual do Candomblé.

  • [...] O Lórogún é um ritual que se realiza no primeiro domingo após o Carnaval. Literalmente, Orò - ritual, Ogun - guerra, batalha que revive a ida dos òrìà para a guerra com uma representação de batalha entre dois grupos que se enfrentam: o exercito de àngó, carregando uma bandeira vermelha, e o de Òṣàlá, carregando um estandarte branco. Não há sacrifícios, somente comidas secas. No período em que os òrìà estão ausentes, o Candomblé paralisa suas atividades, só terminando em 29 de junho, quando àngó retorna para a sua festa. Somente a oferenda do Àmàlá é mantida todas as quartas-feiras. Trata-se de um resquício do período constrangedor da escravidão, quando os senhores dos engenhos não permitiam aos negros dançarem no decorrer da Semana Santa. Deveriam mostrar tristeza, mesmo contra a vontade. (o grifo é nosso)
  • Durante este período apenas um òrìà permanece na Casa para tomar conta dela e dos filhos. O jogo é quem determina, a cada ano, qual será o òrìà. Durante este período fica na casa de àngó um recipiente com grande quantidade de pipoca com a função de garantir a paz na casa. Quando àngó retorna, ela deve ser despachada. 
  • Para a realização deste ritual, que se inicia, geralmente, às 19 horas, portanto mais cedo, primeiramente faz-se uma procissão passando-se pelas Casas de todos os òrìà, como se fosse uma viagem por toda a cidade. terminada a caminhada, segue-se para o Barracão  formando-se lá duas alas, uma à esquerda e outra à direta. O exercito de àngó, com todos usando roupas vermelhas e brancas, e a mais velha do grupo empunhando o estandarte vermelho; o de Òṣàlá, da mesma forma, porém, vestido com roupas brancas e a mais velha do grupo empunhando o andor de Òṣàlá. A função de Òṣàlá é apaziguar as disputas. Todos são enfeitados com folhas de samambaia, em formato de coroa para as mulheres e folhas de tiracolo para os homens. Trata-se de um ritual muito alegre, com todos em suas posições, e alguns cânticos são entoados:
  • Olórògun olórògun.
  • Elémasa sá o
  • Olórògun e jẹ wa pá ìwà
  • Olórògun pá
  • Elémasa sá o
  • Olórògun e jẹ wa pá ìwà
  • Akaja
  • Lógún masa
  • Ọlọ́w
  • Bẹru já [...](p. 158 á 159)

No Batuque do R.S. os antigos diziam que no período da Quaresma as divindades iriam para a guerra, vejam como segue o ritual e conceitos empregados neste período

Na semana do Carnaval algumas famílias do Batuque do R.S., fecham o Yàrá-òrìà, da mesma forma que procede em cerimonias fúnebres, esvaziando as quartinhas e apagando as velas, neste período o templo fica com suas atividades encerradas. Aproveitando este tempo ao qual as quartinhas estarão vazias, são dietas as devidas manutenções de pintura, e assim permanecem secas durante toda a Quaresma, acreditando que neste período as divindades foram para  a guerra, por isso, não há toques, nem iniciações, nem mesmo consulta através dos búzios ou Eb para as divindades. Assim ficando  até a Sexta-Feira Santa, a qual os iniciados do templo se reúnem no mesmo para preparar os à e comidas de òrìà para o Sábado de Aleluia, para o retorno das divindades. Enquanto os templos preparam uma limpeza espiritual usando determinadas divindades, para passar nas  pessoas e no templo. Após a limpeza espiritual, enchem as quartinhas novamente e lavam os olhos com algodão e água sagrada da quartinha de Òòṣàálá, simbolizando a retirada de qualquer magia e ou feitiço que possa prejudicar a visão dos sacerdotes e ou dos iniciados em seu oráculo ou rituais.

Enfim o tambor inicia uma sessão de cantigas para chamada dos òrìṣà, acredita-se que é Xapanã, quem traz as divindades da guerra de volta para o templo.

Conforme citamos acima, nem todas as famílias praticam o ritual de enviar os òrìṣà para a guerra, no período da Quaresma, há templos que não fecham os Yàrá-òrìà,  seguindo com as atividades normalmente neste período, ficando livres para praticar a religião sem preceitos ou restrições, seguem dois exemplos de famílias e raízes diferentes;

Bàbálòrìṣà Lucas Prates, Ilê Oxalá e Cacique 7 Montanhas, iniciado por Henrique de Ògún, Nação Batuque, Raiz Ijeṣà. Porto Alegre, Brasil.

Ìyáòrìṣà Patricia Nievas, Reyno Africano Oṣala, 14 años de aprontamento com, Nação Batuque, Raiz Jeje-Ijeṣà, iniciada por Tinancia de Osala (Igba e), Leopoldo de Ianza (igba e), Jorge Veradi Ti Sango, Buenos Aires, Argentina.




Considerações finais

Como puderam observar, o Lórogún, de origem escrava imposto pelos senhores do engenho, praticada pelas casas de Candomblé, não possuem nem uma similaridade com os ritual praticado pelo Batuque do R.S.

Sabemos que nem todas famílias do Batuque do R. S., fecham o seu Yàrá-òrìà neste período, da mesma forma que o Lórogún, no Candomblé, não tem sido divulgado. 

Se divindades se afastam da terra, segundo narram estas famílias do Batuque R.S., quando enviam os òrìà para a guerra, e só voltam no Sábado de Aleluia as 11 horas da manhã, numa cerimonia  que Xapanã os trazem da guerra. Devemos considerar que sem òrìà, não há o jogo de búzios e os serviços religiosos deveriam parar, afinal seria um período ao qual o mundo estaria sem a presença destas divindades, e até mesmo para aqueles iniciados suas divindades não estariam com eles. Por isso, é um período de muita vigília e segurança para preservar o bem estar  espiritual familiar.

Notem que o Sábado de Aleluia, é o único dia ao qual estas famílias aceitam que as divindades possam chegar durante o dia, pois acreditam que o òrìà só chega a noite, com exceção dos serões de cortes, que geralmente começa na madrugada e terminam de cortar para Òòṣàálá, já com o sol claro e as  divindades ainda no mundo.

As demais familias que não seguem o Lórogún, praticam seus rituais normalmente, dão toques e fazem iniciações  sem encerrar atividades na Quaresma ou Semana Santa, sem dar atenção aos rituais Católicos. 

Quanto ao ritual do Lórogún, nas atividades do Candomblé, não temos mais relatos da pratica, eu acredito que poucos templos ainda o pratiquem.


Bibliografia 

BENISTE, José. Ọ̀run Àiyé, O encontro entre dois mundos. Editora Bertrand Brasil, 1997.
BENISTE, José. As águas de OXALÁ, ÀWỌN OMI ÒṢÀLÁ. Editora Bertrand Brasil

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Por que o Batuque R.S. é considerado uma Nação, com raízes adjacentes?

Por Bàbálòrìà Erick Óbokún
17/04

Primeiro o que é uma nação?

As religiões de matriz africana são formadas por grupos religiosos, cada um com as suas divindades, costumes, rituais e idioma. Identificamos grupos étnicos e religiosos por costumes, idioma e ou rituais, notem que alem do Batuque do R.S., existem outras Nações, como Banto, Jeje e etc... Citamos  as principais para que possamos ter como base a predominância Yorùbá e seus costumes na Nação Batuque R.S.


  • Nação é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, que falam o mesmo idioma e tem os mesmos costumes, formando assim, um povo. Uma nação se mantém  unida pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional. (Fonte - http://www.significados.com.br/nacao)

Sabemos que os Yorùbá cultuam divindades Òrìà que são cultuados apenas por este grupo religioso, claro que há possibilidade de encontrarmos algumas divindades Yorùbá, entre outros povos, porem assim que giram para outras etnias muda a forma de cultuar, assim como ocorreu com os Vòdún, que migraram para o culto Yorùbá. Saber o que cultua é saber quem é perante a sua sociedade.



Apesar dos Sacerdotes do Batuque terem recebido em seus rituais vários Vòdún, não temos conhecimento nem referencia alguma de nem um nKissi (divindade Banto), entre os seus rituais.  Desconhecemos qualquer vínculo com os rituais Banto e seu idioma, para que possamos dizer que em qualquer momento houve uma influencia desta raça e religião, pois sabemos que os Banto não cultuam àngó muito menos cultuam Orí, Brí, Òrìà ou qualquer outro ritual Yorùbá.

Sabemos que o Candomblé se destaca justamente por receber várias Nações em sua estrutura, no entanto cada uma destas Nações possui os elementos necessários para se destacar, podendo haver até raízes como ocorre com a Nação Batuque R.S., em sua estrutura social. Observe;

Candomblé 

Nação Angola
Origem -  Angola, Moçambique, Zaire Congo
Idioma - kimbundo, umbundu e kikongo
Raízes que subdividem este grupo religioso - Tumbajussara, Tumbassi, Bate-Folha, e etc.. (estas raízes da Nação Banto seguem com as mesmas divindades, rituais, idioma, cantigas e seguencia de roda, mudando muito pouco entre si, como acontece nas raízes do Batuque R.S.). 
Tocam na mão, sem Aquidavi.
Divindades cultuadas entre os Banto
Lembaraganga
Kajanjá
Kanbaranqueje
Matamba
Kaitumbá
Dandalunda
Bombojira/aluvaiá
Mucumbe
Kassumbenca
Angoromea
Wunje
Yombe
Catendê
Kitembu
Zumbarandá
Kafundeji

Nação Jeje 
Origem - Dahomey grupo étnico fon, ewe, fanti, ashanti, mina
Idioma -  Ewe, Fon e Mina;
Raízes que subdividem este grupo religioso - Mina Jeje, Jeje Mahi, Mana Jeje e etc. (As raízes seguem os mesmos rituais, muda-se muito pouco, o idioma é o mesmo praticado em cada raiz, tal qual as cantigas e culto a divindades).
Tocam em tambores ou atabaques na mão, sem Aquidavi.
Divindades cultuadas entre os Jeje
Mahwú 
lissa
Xapanã
sapaktá
envioso
abé
abotó
Aziri
Odin 

elegbá

obessem
hoho - to bossa
geledê
neossum
loko
anbiocô
ajagun


Nação Ketu
Origem - Yorùbá;
Idioma - Yorùbá;
Raízes que subdividem a Nação Ketu, não existe, porem podemos encontrar Nações como os Nàgó XambáNàgó Egbá, e etc... que fazem parte do grupo étnico e são muito semelhantes a Ketu, o que não quer dizer que sejam Ketu, pois seus rituais os distancia desta Nação. 
A Nação Ketu toca no aquidavi, uma vareta preparada para os rituais. Os Nàgó tocam em Tambores.
Divindades cultuadas entre os Nàgó
Òòṣàálá
Obaluaiyê
àngóỌya
Yem
njá

Òùn
Èṣù
Ògún
Ifá
O
umarè
Ibeji
Eégun
Òsanyìn

Iroko
Nanã Burukun
Logun Ede
Obá(entre outros)

Nação Batuque
Origem - Yorùbá com uma leve influencia Jeje
Idioma -  Yorùbá;
Raízes que subdividem este grupo religioso - Kànbína, Ijeṣa, Ọ̀yọ́ e Jeje. Agora todo mundo irá pensar que cada raiz religiosa possui seu Idioma Natal e cultua divindades diferentes... Então não é bem assim que funciona, por mais que tente aproximar de cada Nação, se os Jeje (Batuque) deixarem de cantar as cantigas no mesmo Idioma e seguir outra rituais, ele deixará de ser Batuque, formando uma nova Nação, assim com a Kànbína, que acreditamos que não tenha nada haver com Banto, afinal sabemos que os Banto não cultuam Ori nem mesmo Òrìà, por isso, que pedimos que leiam com atenção para que entendam que apesar dos nomes serem muito semelhantes, a estrutura religiosa está ligada aos rituais da Nação Batuque R.S., sem que estas raízes se distanciem da matriz.
Tocam em tambores na mão, com a possibilidade da raiz usar o Aquidavi um instrumento Yorùbá.
Divindades cultuadas entre os Batuqueiros
Òòṣàálá
Xapanã
àngóỌya
Yem
njá

Òùn
Bara
Ògún
Ibeji
Eégun

Òsanyìn

Odé
Otim
Obá



Considerações finais
Note que a Nação Batuque não carrega divindades Banto, se existiu, se perdeu, e podemos considerar que a partir do momento ao qual a divindade aceitou ser cultuada em rituais Yorùbá, seguindo o Idioma Yorùbá e seus conceitos, ela se tornou um Yorùbá.

É possível que a Nação Batuque R.S., e suas  raízes tenha recebido influencias de outros povos, no entanto o que prevalece nos seus rituais continua a ser a cultura Yorùbá.

segunda-feira, 10 de março de 2014

O Adósù o símbolo de submissão ao grande Aláàfin







Imagem ilustrativa do pps Ori o orixá individual de Aulo Barreti
Por Bàbá Erick Óbokún
10/03/2014




O Adósù é um símbolo de submissão ao grande Aláàfin (o soberano da cidade de Òyó). Os seus seguidores, portam este tufo de cabelo, que situa-se no alto da cabeça para que todos possam visualizar,  o mesmo ocorre com os iniciados que carregam este símbolo para que sejam reconhecidos como os seguidores e submissos de Sàngó em território Yorùbá, sabe-se que é um dos símbolos mais importantes e sagrados para os iniciados desta divindade, origem Yorùbá.





O mesmo simbolo é usado em algumas  religiões da cultura Afro-brasileira. 
Imagem ilustrativa do pps Ori o orixá individual de Aulo Barreti


Mais sobre o 
Adósù

As mulheres do Aláàfin
A lya-Naso está ligada ao culto de Sàngó e geralmente é responsável por tudo ligado ao seu culto.
É de sua responsabilidade a capela privada do rei, para o culto a Sàngó, todos os privilégios decorrentes ao cargo são dela.
A lya-fin-Ikù é a segunda no comando, assistente da lya-Naso. Ela esta ligada ao rei através do “Adósù Sàngó”, devota do rei para os mistérios de Sàngó, como todos os adoradores de Sàngó, cedem um de seus filhos para trabalharem para o Deus, ela assume um lugar privilegiado ao lado do rei, podendo ir e vir livremente, além de comer qualquer coisa sem que seja cobrado dos vendedores.  (Johnson, p. 64)

Adósù – Iniciado, aquele que tem tufos de cabelo no alto da cabeça (Beniste, p. 43)


Bibliografia
JOHNSON, Samuel.The history of the yorubas

BENISTE, José. Dicionário Yorubá, Português