segunda-feira, 24 de maio de 2010

13 de maio de volta ao passado

A Princesa Isabel, assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, desde então muita história foi escrita e várias estórias foram contadas pelos filhos da abolição. Entre tristes contos até as mais lindas lendas exaltando a bravura dos grandes guerreiros, que foram vendidos massacrados e estuprados pela cultura ocidental, temos um rico acervo de contos e folclores, porem nem todos são belos.

Infelizmente a realidade do passado ainda se conflita com a vida contemporânea, não tenho duvidas do sofrimento e do terror que os homens negros passaram, jamais compreenderei o medo e a agonia que passaram... Triste realidade que os antigos aplicaram aos seres humanos. Mas não devemos viver do passado, pois a vida segue e não podemos votar o relógio e liquidar nossas dívidas, por isso, nos resta tentar fazer o melhor daqui para frente.

Bom, foi lembrando-se de uma cantiga de terreiro que comecei a pensar sobre alguns termos que ainda são usados e discutidos nas comunidades e templos de Umbanda. Veja o que eu digo;


  • Vovó não quer casca de coco no terreiro, Porque faz lembrar os tempos do cativeiro.

Eu acredito que esta cantiga, muito comum nos terreiros de Umbanda traz uma tênue mensagem do sofrimento e da tentativa de esquecer os terrores inimagináveis que estes bravos guerreiros passaram. Então por que ainda existe uma resistência em retirar do tronco os negos que foram escravos?


  • Olha o xire olha o fogo e o chão.

  • Olha o xire olha o fogo e o chão.

  • La, la, la ô olha o nego de cor

  • La, la, la ô olha o nego chora de dor

  • E cada lágrima conta uma história,

  • Uma historia que nego passou.

  • Olha o xire olha o fogo e o chão.

  • Olha o xire olha o fogo e o chão.

Os lamentos cantados nos templos tentam nos fornecer uma energia positiva que nos leva a pensar na perseverança daqueles que padeceram sonhando com a sua terra e como eram livres e dignos de uma vida saudável.

Entre tantas cantigas que ouvimos nas sessões, sempre elegem o nego como uma entidade humilde e muito forte, uma linha que traduz conhecimento e muita necessidade de nos ensinar a sermos mais atenciosos com a evolução, com o sofrimento e com a busca de novos caminhos, sendo que nada é fácil, nem todos caminhos são floridos como gostaríamos que fosse... Sugerindo que pensemos nos passos que andamos e nas conseguencias dos nossos atos...

O atual religioso que segue a cultura brasileira ainda confunde conceitos como sugerir que a Umbanda é ameríndia, sendo que não encontramos nada dos povos Maias, Astecas, Xeroques, ente outros no culto, desta forma podemos apenas contar com os índios brasileiros e assim mesmo temos que tomar muito cuidado ao afirmar isso, pois os missionários estrangularam a cultura indígena na tentativa de dar alma aos pobres homens... Da mesma forma que fizeram com os negros.

Então se a religião Umbanda é uma miscigenação de vários povos, com certeza não é tão abrangente como dizem, uma inspiração popular que cresce com tanta facilidade que não conseguimos ao certo definir onde começou, mas é um fato claro para qualquer estudioso ou membro da própria religião que goste de estudar terá dificuldade de chegar à metade dos temas que costumam referenciar. Infelizmente acontece com uma frequência audaz e sega, metade das referencias são hipóteses sem embasamento, desde que a própria religião não exige estudo ou intelecto. Mas é claro que para ser médium não há necessidade de retirar diploma, pois eu também chego a ser contra, não acreditando em médiuns preparados por diplomas, numa religião que é viva e tão complexa.

Aproveitando para relembrar um pequeno incidente com uma escola que editou no seu quadro curricular a matéria Biologia do Espírito. Fiquei muito curioso e empolgado com esta matéria que por sinal era inédita, eu imagino que seria como conseguir unir um cabo 1.2 milhões de Volts á uma poça d’água sem ver uma única faísca.

Observem o que o Aurélio fala:


  • Biologia geral. 1. Estudo dos seres vivos como um todo, sem particularização animal ou vegetal; estudos das leis gerais da vida; estudo das características gerais dos seres vivos.

Nesta tese não existe espaço para Deus, ou a sua existência, então como conseguiram unir a Biologia do espírito? Eu não sei e nem a escola soube me dizer, (risos) o reitor não atende os meus telefonemas até hoje.

Enfim, até quando vão continuar a manter no tronco os nego-veio, a cultura e a própria Umbanda, com dogmas estagnados e arcaicos?

Esta pergunta me assusta muito, sim, chega a me causar um desconforto, pois é o fator dominante na sociedade religiosa e cultural que envolve esta religião. E está se africanizando mais rápido que o próprio candomblé. De uma forma desordenada, misturando nações e trazendo costumes que não são próprios da própria liturgia, como ekejis, ogãs, adaga, yabace e etc... Estes cargos são efetivos do candomblé que necessitam dos iniciados para cada função dentro de um templo. Não cabem na umbanda tais cargos, porque não existe o mecanismo que rege as culturas e templos do candomblé...

Por isso espero que os nego-veio recebam sua carta de alforria e possam ser chamados de Nego (carinhosamente) e não de preto, afinal preto é cor nunca foi raça.

Por Erick Wolff8

domingo, 16 de maio de 2010

Muita atenção com a pele negra

O Brasil é a segunda terra dos Africanos, suas divindades e tradições, e com eles vieram a mistura das raças e sua necessidades que nem sempre são atendidas corretamente pelas empresas cosmetológicas.

Com a febre da cultura sul-africana durante a Copa do Mundo 2010, vale lembrar que além dos quitutes influenciados por este povo, não devemos esquecer-nos das exigências dos tratamentos para a pele negra. Quebrando o conceito de que esta derme exige menos proteção e é mais forte por permanecer imune a diversos fatores.

Na realidade tanto a pele clara quanto a pele negra sofre com o aparecimento de rugas de expressão, manchas e com passar do tempo também perde o viço, envelhecimento também aparece na pele negra. Por outro lado, a derme da pele negra possui melanina mais funcionante, o que naturalmente a deixa mais protegida, também é rica em fibroblastos ativos - células que produzem colágeno - que a deixa mais distante da flacidez. Porem isso não quer dizer que não precise atenção na proteção e nos tratamentos anti-idade.

Segundo a cirurgiã plástica Edith Kawano Horibe, o cuidado é para todos, não podemos esquecer que a ação do tempo pode acentuar marcas indesejáveis no rosto, que trará transtornos para qualquer pele.



segunda-feira, 10 de maio de 2010

85 ANOS DE MÃE ESTELA DE OXOSSI

Considerações sobre o ritual Afro-Gaúcho e o conceito do Bọrí

Observando a riqueza dos rituais Afro-Gaúchos, no Batuque e suas vertentes, eu percebi que muitas das comidas ofertadas para as divindades cultuadas por este povo sempre são acompanhadas de guloseimas e algumas vezes frutas. Sabemos que a fruta é um elemento muito comum em várias nações, já os docinhos como quindim, cocada, brigadeiros, pudim, sagu e etc... Estes são muito comuns nos rituais pertinentes ao culto ao Orí. [a imagem ao lado ilustra uma Orí]



Pesquisando intensamente os fundamentos dos Batuqueiros eu entendi que, o que ocorreu foi uma aglutinação de conceitos, onde a Orí e o Òrìṣà estão partilhando do mesmo ritual, mesmo contendo os itens necessários para a fundamentalização na hora de dar a comida a Orí, este povo deixou para trás em algum lugar do passado as rezas e saudações para a Orí.



Os elementos estão presentes para o conceito e noção de pessoa segundo o ritual da Orí, como o Igbá-Orí, búzios, moeda, uma mecha de cabelo do iniciado, mel, dendê, banha de Orí, entre outros elementos que fazem parte do Bọrí, mas tudo isso sem as tradicionais rezas de saudação declarando a Orí como o primeiro Òrìṣà a ser cultuado. 
[a imagem ao lado ilustra um dos formato do Igbá-Orí  usado no culto]  



Foi aí que comecei a perceber que numa mesa de Bọrí sempre continham os docinhos e guloseimas que fariam parte de toda a obrigação, porem, uma comida de uma determinada divindade poderia ser ofertada sem os docinhos, contudo não existem registros de docinhos arriados sem as comidas. Não é possível afirmar com certeza que os docinhos foram distribuídos para cada Òrìṣà na intenção de agradar a Orí daquela pessoa através da divindade ao qual foi iniciado. Mas é muito claro e conciso que os rituais foram assimilados para aglutinar os fundamentos do Bọrí e da feitura.



Eu cheguei a ver durante os rituais do Bọrí e ou iniciação para o Òrìṣà na cultura Afro-Gaúcha, o sacerdote dar o Bọrí ao mesmo tempo em que iniciava o Ẹlẹ́gùn a determinado Òrìṣà, muito diferente de outras nações que separam os rituais, com o conceito para fortalecer a Orí antes do Ìyáwó fazer seu santo.



Para esclarecer o meu pensamento, observem que algumas famílias do Batuque dão o Bọrí e a feitura ao mesmo tempo sem separar as aves do Bọrí com as aves do Òrìṣà, muitas vezes na mesma bacia descansam o Bọrí e o Òrìṣà. Enquanto algumas nações aboliram o Igba-Orí, o Batuque manteve o recipiente, mas sem o conceito e noção de pessoa, diferente das outras nações que exaltam a Orí em seus rituais e buscam o conceito e na noção de pessoa.



O Bọrí de Òrìṣà é considerado como uma feitura ou um Bọrí para o Òrìṣà e não para o Ẹlẹ́gùn nesta cultura? Este mesmo Bọrí é feito com a mesma reza dedicada ao Òrìṣà iniciado, eu posso considerar que exista uma ligação com a Orí e o Òrìṣà, porem o Bọrí não deveria ser executado com a reza do Òrìṣà daquele iniciado e sim com a reza da Orí.



Eu acredito que o Bọrí deva ser separado da iniciação para o Òrìṣà, pois são energias diferentes apesar do fundamento equivalente. E a grande dificuldade do Batuque contemporâneo é resgatar as rezas e saudações antigas desta cultura que ficaram para trás. Quem sabe daqui alguns anos após a febre da africanização possam ver o resgate do conceito, rezas, saudações e fundamentos do culto ao Orí na riquíssima Cultura Afro-Gaúcha.
[Ilé-Orí,-Yorùbá,-Nigeri]

Por Erick Wolff8

O despertar de Òòṣàálá.

Conversando com um grande amigo sobre o Yorùbá e seus problemas com a escrita, muito bem colocado pelo Luiz L. Marins que explica o que ocorre com a Língua mais polemica e difundida no Brasil;

  • “Como a língua originalmente era ágrafa, a forma para diferenciar os significados do que falavam era subindo ou descendo o tom da voz, alternando a nasalização entre aberto e fechado, aglutinando palavras para formar nomes. Foi isto, misturado com outros dialetos que veio para o Brasil.”
Eu fiz algumas aulas de introdução ao Yorùbá, e posso atestar que até mesmo os Nigerianos possuem dificuldade na grafia. Chego a suspeitar que nem mesmo eles entendem como funciona a mania de colocar acentos em cima das letrinhas, virando a famosa sopinha de letrinhas e suas confusões para quem não entende muito bem o Yorùbá ou o Português.

Eu gostaria de sugerir para que todos fizessem um pequeno exercício, ou uma lição de casa, pegue um ou dois CDs de cantigas para os toques religiosos e ou cerimônias e ouça, será muito interessante perceber que cada Alagbe ou Ogã canta diferente  a  mesma  cantiga, alguns cantando num dialeto perdido ao qual somente eles entendem...

Se existe tanta diferença entre um Alagbé cantado e outro, então imagina como foram adulteradas as cantigas que ouvimos durante estas decadas durante os toques de òrìṣà. Tudo isso para explicar que as tentativas de traduzir cantigas será sempre um engano para quem faz e para quem as recebe. Claro que podemos ter a essência do que cantamos numa pequena ressonância do arcaico e limitado Yorùbá que temos acesso. Sem esquecer-se do fator das misturinhas das palavras das várias etnias e tribos, por isso nem uma cantiga tirada durante os toques de hoje são puras e podem ser traduzidas ao pé da letra. Mal são escritas, segundo o Luis L. Marins que afirma; - Jamais, jamais, jamais, teremos "traduções corretas de orin, atetes, aduras" de qualquer segmento religioso de matriz africana. Cada um fará sua interpretação de acordo com seus estudos, mas nunca poderá afirmar que é uma tradução -.



Um exemplo muito simples, outro dia eu entrei num blog que por sinal fazia uma crítica construtiva porem infundada sobre o meu trabalho e mais alguns estudiosos e li o seguinte;




Esta foi a primeira vez que ouvi falarem sobre a tradução da palavra ẹbọra = Gay, bicha, homossexual. Tentei achar em algum dicionário e realmente não encontrei nada, nem mesmo com os amigos que possuem grande afinidade com o Yorùbá, por isso que temos que tomar muito cuidado com as palavras. Com certeza o ẹbọra foi uma delas, confundindo do autor do Blog ao qual eu colei este material.
"preservarei o endereço do blog".




E finalmente quero demonstrar aqui um momento muito importante de reconhecimento e evolução, onde eu já escrevi de várias formas o nome do meu òrìṣà, reconheço que segundo as fontes usadas sempre me foi apresentado de várias formas; òṣala, Oṣaalá, Oriṣalá, etc... Certo ou errado são traduzidas nos principais dicionários Yorùbá x Português. Hoje conversando com o escritor Luiz, ele comentou o seguinte; “Eu demorei um bom tempo para entender como se escreve OXALA em iorubá, e confesso, sem nenhuma crítica, que cometi durante um bom tempo o mesmo erro que a maioria comete até hoje. A tendência natural é substituirmos o X pelo S e colocarmos um tom agudo na ultima letra A, seguindo a regra da língua portuguesa, certo? Errado, Òòṣàálá é a maneira correta de escrever, sendo Òòṣà a sua forma abreviada”.

 
Por isso que convido aos amigos que estão acompanhando meus posts e me ajudem a caçar os Òòṣàálá que tiverem errados no meu blog e textos espalhados pela net, conto com a ajuda de todos e agradeço muito.
Por Erick Wolff8

domingo, 9 de maio de 2010

A outra face da Umbanda.

Caros amigos
Segue um pequeno dialogo sobre conceito e a realidade da Umbanda.
Ao receber um aviso via Orkut sobre um cancelamento de uma festa de nego-veio com o titulo "PRETO-VELHO", eu amistosamente alertei que seria de bom tom homenagear a linha dos "Nego-veio" com uma pequena atualização, usando o "Nego" (apelido agradável) ao invés de “Preto”, afinal preto é cor e não pode ser considerado uma raça.
O retorno foi pior que a própria mensagem, irei preservar nome do templo e o autor, pois suas palavras falam por si e pela posição religiosa, cultural e social.

Título:

  • FESTA DE PRETOVELHO

  • Data: 22/05/10 18:00
Sem intenção de ofender com a melhor da boa vontade de ajudar e esclarecer tópicos aos quais eu acredito que possam melhorar, enviei esta mensagem. Até que polida e de bom humor.

  • Será que os Nego-veio não irão qualquer dia procurar um advogado para processar quem chama nego de preto?
    Eu acho que é tão depreciativo chamar a linha dos nego e nega de preto, preto é cor não é raça!
Para a minha surpresa a resposta foi das mais amargas possíveis, uma pena afinal nós religiosos e estudiosos esperamos que todos possam entender a evolução e os caminhos da educação.

  • TEMPLO DE UMBANDA O XXXX XXXXXX
  • Prezados, até iss querem mudar?
    A denominação de preto velho é determinado a cor realmente dos antigos escravos. E que cor eles eram?
    Pare de kavilação....
    A onde querem chegar dessa forma? Pois os que procuram aqui a nossa casa, chegam cheios de impafia, por que, aprende m a nova era da umbanda, o que incrivilmente ridiculo.
    Prezados, isso não pe depreciativo, e sim que o que diz deprecia a religiosidade do ser humano.
Com certeza mais uma vez fica clara a situação que nos deparamos com a hostilidade e a falta de dialogo espiritual. Em resposta enviei;

  • Até isso o que? Se você fosse negro com certeza estaria gritando aos quatro cantos que preto é cor não é raça, qual a diferença para uma entidade ser respeitada?
    Eu acho que como sacerdote deveria procurar se atualizar, dizendo que sua evolução esta á frente, porem não vejo nada que possa atestar cultura e ou ordem iniciatica e sim o ranço de uma cultura arcaica e démodé, por isso como sacerdote deveria ter uma postura adequada, a qual eu tenho-me prestado e com toda educação que foi alertada dos avanços da civilização, em momento algum fui grosseiro como está sendo e acho que poderia dar exemplos, da mesma forma que eu tenho feito.
    Por isso desejo meus sinceros votos de paz profunda e acesse meu blog pois estou postando nossa conversa, quero que todos vejam a face oculta da Umbanda, camuflada em rancor e desavença contradizendo a caridade pregada e o amor.
    Desejo boa sorte.
    Erick wolff8
Esta postagem dá direito de resposta ao autor sendo que em momento algum foi citado, porem existe dialogo e  espaço para que podos possam se esclarecer.

Erick Wolff8

sábado, 8 de maio de 2010

O dever do sacerdote em forma o bom caráter dos seus filhos

Qualquer um sabe que o sacerdote seja ele da Umbanda ou Nação, tem responsabilidades com seus filhos de santo, claro que nem sempre existe o respeito.










A dignidade do ser humano prejulga que todos deveram ser tratados da melhor forma, contudo, quando vemos um filho de santo que não se afina com a ditadura espiritual e ou estão cansados de serem mal tratados, e querem seguir sua vida, logo vem o feitiço ou as baixaria comum de alguns sacerdotes.



Eu penso que todos são uma família desta forma o filho de santo deve ser tratado com respeito com recíproca educação e dedicação. Na falta da consideração, logo vem o caos que infelizmente é comum entre as casas de religião, considero que tenha que dar respeito para ter respeito, sem ele não é possível o convívio comunitário.



Porem o pior vem quando o zelador resolve demandar ou tocar feitiço para os filhos com raiva deles, não havendo o julgamento de um verdadeiro sacerdote. Eu não consigo entender como uma mão que deu àṣe para um Orí, possa usar a mesma para tocar feitiço, um item que muitos sacerdotes preferem serem temidos pela comunidade sacerdotal pelo dom de prejudicar ou queimar as pessoas, ao invés de ser reconhecido pela mão de boas forças e prosperidade.

O que não deve ser desconsiderado é que ao prejudicar um filho você não está apenas prejudicando aquele ser humano que um dia você iniciou, mas todos os seus ancestrais e divindades que um dia ele iniciou criando o vinculo entre o Ọ̀run e Àiyé.

Pesarosamente reconheço acontecimentos e relatos de maldade confeccionada por pessoas que deveriam repensar suas atitudes e conceitos, o mundo seria muito mais feliz e lindo se as pessoas procurassem valores ao invés da soberbia, o bom caráter é o dom que ninguém pode comprar e muitos menos trocar, seria tão bom se todos se dedicassem a lapidar o caráter da sua família espiritual, para que os futuros sacerdotes ao receber seu Oye, soubessem como lidar com as pessoas.



Afinal terreiro não é senzala de Ìyáwó e muito menos os filhos de santo não são empregados dos pais de santos, mas isso não quer dizer que os filhos de santos não tenham que se isentar das tarefas, com um pouco de discernimento toda a comunidade entra em harmonia com a organização e administração do sacerdote.



O bom sacerdote se preocupa em formar pessoas de bom caráter.

 
 


 

Erick Wolff8

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O erro do Orúkọ-Ẹ̀fẹ

A composição do nome Yorùbá é confeccionada para substituir o nome do Ìyáwó que foi iniciado e deve receber um novo nome, porem a nossa cultura ainda não está formalizado para distinguir e assimilar este conceito.



Alguns sacerdotes e iniciados ficaram conhecidos por seu Orúkọ (nome  em Yorùbá), muito comum também entre a comunidade Bantu que batiza o Muzenza dando-lhe uma nova vida e um novo nome que deve ser usado dentro e fora dos templos. Completo ste parágrafo com um pequeno texto do Tata Matâmoride; Tata Matâmoride"
 
  • "Porem no culto Bantu além da dijina (nome do Ìyáwó), existe o nome do santo, este não revelado nunca e conhecido somente pelo sacerdote e pelo muzenza que quando em grave doença se troca para que se afaste a morte dele.


O que tem me intrigado é qual o conceito e utilização do uso de palavras em Yorùbá incorporadas ao nome do iniciado agregando um novo Orúkọ-Ẹ̀fẹ (sobrenome), desta forma formando um nome composto com o legitimo nome de batismo. Alguns estão até batizando seus filhos com sobrenomes dos Òrìṣà, mas com qual finalidade?  

 

Ou pior, alguns estão usando títulos e ou cargos de sacerdotes da cultura Yorùbá ou nomes de iniciados de Ifá sem ao menos pertencer a sua cultura...



Distante do ritual de tirar o nome na praça (sala do templo) após a raspagem do Ìyáwó, este costume não fundamentaliza ritual algum e nem resgata raízes, simplesmente ele joga ao vento qualquer tentativa de resgate cultural e preceitos.



Infelizmente a realidade pende sempre para o negativo, perdendo assim suas raízes e fundamentando novos costumes duvidosos entre algumas culturas tradicionais.
Por Erick Wolff8