segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Traduções e interpretações de iorubá:

A visão de um Ogã do Ilê Axé Opô Afonja.
Luiz L. Marins28/12/2009


Em 09 de Dezembro de 1999 foi lançado pela editora Pallas o livro Faraimará, o caçador traz alegria, em homenagem aos 60 anos de santo de Mãe Stella, ialorixá do Ile Axé Opô Afonjá. Este belo livro comemorativo traz em seu sumário uma introdução de Agenor Miranda Rocha, uma nota dos organizadores Cléo Martins e Raul Lody, e um artigo de Gilberto de Exu sobre o oríkì Exu Ota Orixá.

O corpo do livro é dividido em duas partes: I. Patrimônio e Cultura com treze artigos, e II. Memória e Tradição com 21 artigos. É nesta segunda parte que um artigo cujo título é Oríkì Oyê Orúko, de Ildásio Tavares, Ogã do Ilê Axé Opô Afonjá, à página 209, chamou-me a atenção.
A advertência incisiva de Ildásio sobre a questão das traduções de textos ou fonemas iorubás tão comuns hoje não apenas em livros como também na internet, impeliu-me a escrever este resumo de seu artigo, que segue abaixo, na intenção de compartilhar esta advertência de Ildásio sobre o tema.


ORIKI OYÊ ORUKÓI


ldásio TavaresBacharel em Direito, Mestre, Doutor Pós-Doutor em Letras, Ogã de Oxum, Ogã Omil’arê, Obá de Xango do Ile Axé Opô Afonjá.

Introdução
Os procedimentos litúrgicos e a estruturação dos cargos no candomblé orientam-se por uma estratégia de sobrevivência do culto na diáspora. As variantes litúrgicas (que forem possíveis sem afetar os fundamentos da religiosidade) fazem parte de um processo de adaptação da religião africana a uma realidade brasileira que, conforme o tempo e o local será mais ou menos receptiva e, em alguns casos e períodos, extremamente adversa. [...]
Certos puristas vivem tentando um processo de reafricanização do candomblé, inclusive tomando a África atual como parâmetro. Este procedimento é arriscado porque os aspectos exteriores do culto no Brasil visavam a proteger os fundamentos secretos da religião, e não desfigurá-los. Cabe ponderar que, com o tempo, a força do significante poderia distorcer o significado. Mas este risco teve que ser corrido para que o candomblé sobrevivesse no Brasil, na diáspora. [...]
Na realidade, há uma série de processos sincréticos no vestuário e nos adereços, as chamadas ferramentas dos orixás, sem, contudo, haver uma desfiguração do orixá em sua essência íntima. No fundo são adaptações, reduções sociológicas e antropológicas em que se busca o mesmo significado com significantes diferentes. [...].
Debaixo de toda e qualquer aparência que modifique a exterioridade do culto, a essência litúrgica do candomblé continua a mesma. [...]
Qualquer tentativa de repurificação, ortodoxia, reafricanização vai pecar por base, principalmente porque uma norma básica antropológica diz que “a área mais afastada é mais conservadora e a área central é mais inovadora”.

2. Tradução/interpretação no contexto de uma língua polissintética
Postas estas questões introdutórias, [e lembrando que] a língua iorubá do nosso candomblé é arcaica, podemos passar a uma tentativa de conceituar oríkì no universo semântico afro-brasileiro em que as diversas distorções poderão ser mais bem entendidas ao se pôr de lado qualquer purismo de ordem regressiva. [O oríkì é uma saudação-em-nome. É um nome que encerra uma louvação, um elogio, que se refere a uma qualidade sempre excelente da pessoa. (Lima, op.cit., p.70)]. Assim, o conceito de oríkì pode-se estender desde um cântico de louvor ao orixá, até um simples nome, um orúko em que, por um processo de aglutinação comum às línguas polissintéticas, o caráter básico de saudação do oríkì pode estar tão fundido a ponto de ficar irreconhecível eliminando a distinção um do outro. Cabe mesmo indagar se, reduzido o oríkì ao seu mínimo que seria o epíteto, na essência da filosofia onomástica iorubá, não estaria embutida a intenção laudatória de um nome como um minicurrículo, um epíteto, uma louvação.
[...] Aproximar-se dos oríkì mais longos é um risco, uma temeridade, uma cilada, que, não obstante, não inibem os vorazes e incautos tradutores que, sem mesmo uma comezinha iniciação linguística invadem uma língua polissintética para transportá-la a mais exígua polissemia das línguas analíticas, sem sequer imaginar que entre estas existe o desfiladeiro das línguas sintéticas. Ninguém pode ser tradutor para o português sem saber latim. Contudo, vivemos o tempo das mistificações arquitetadas no computador com ignorância e falta de pudor. Pessoas que não sabem iorubá e pouco dominam a língua portuguesa vivem traduzindo de uma para outra língua afoitamente, e publicando desavergonhadamente seus monstrengos pseudo-literários em que nem se aproximam do sentido literal. [...]. Aconselho qualquer pessoa que pretenda se aprofundar no universo da semiótica verbal a encetar um estudo vertical de linguística. [...]
É preciso, pois, conhecimento linguístico e intimidade com os processos metafóricos e metonímicos das línguas polissintéticas para que possamos fazer uma aproximação cautelosa dos oríkì e orúko, a fim de interpretá-los à luz de componentes antropológicos relativos a um universo simbólico que não é o nosso, diga-se de passagem, o que nos pode conduzir a resultados redutivos ou equivocados. Como traduzir em substantivos, verbos, adjetivos e advérbios, preposições e conjunções a partir de uma língua que não tem essas categorias gramaticais? Que não tem categorias gramaticais fixas? E que possui palavras-frases? [...]
É no trato com estes mecanismos linguísticos que podemos entender melhor os conceitos iorubás, mas faz-se necessário um maior aprofundamento cultural e religioso para se chegar perto de uma compreensão mais legítima, sendo necessária, antes de tudo, estabelecer a meta de uma interpretação aberta, muito mais do que uma tradução fechada. As línguas polissintéticas são extremamente pertinentes nos cultos iniciáticos pela sua complexidade sonora que pode, se mal realizada, frustrar a presentificação litúrgica, o poder ontofânico da palavra. E, nesse respeito, o tom [iorubá] desempenha um papel fundamental, fonêmico, que não tem contrapartida em português.

3. Algumas relações oríkì/orúko
Esclarecidos estes pontos, gostaria de elaborar um pouco sobre a realidade concreta de alguns orúko [nome iniciático] e sua feição sintética de oríkì, de epítetos ou de saudações aglutinadas que, em alguns casos, carecem de uma perífrase para que sejam compreendidas em sua inteireza semântica. [...]
Cada orúko identifica o orixá do filho. Quem é de Xango será Obá..., quem é de Omolu será Iji..., quem é de Oxalufan será Iwin... ou Olufan..., quem é de Oxaguian será Ajagun..., quem é de Oxum será Oxum... ou Omi..., quem é de Iemanjá será Yá..., quem é de Ewa será Ewa..., quem é de Obá será ...obá (posposto), quem é de Nanã será Nã..., quem é de Yansan será Oya..., quem é de Ogum será Ogum..., quem é de Logunede será Logun..., quem é de Iroko será Loko..., quem é de Oxumare será Dan... [...]. Não obstante, o uso do orúko varia de casa para casa. No Ilê Axé Opô Afonjá as pessoas se tratam pelo orúko e sabe-se o de todos, mesmo das ialorixás. [...]
Como estamos homenageando Mãe Stella, cujo orúko Odé Kayode (O caçador traz alegria) é a frase que dá título a este livro, que tal se eu propusesse uma tradução mais sintética? “O Provedor”. A alegria que o caçador traz poderia ser interpretada como a caça que alimenta, pois ninguém se alegra sem estar alimentado. O caçador traz alegria porque é o provedor que traz o sustento, a saciedade. Esta é a função básica do caçador na sociedade primitiva – prover o alimento. [...]
Odé Kayode é um orúko que, por conseguinte, reafirma esta capacidade do caçador de guiar, de orientar, de desembaraçar os cipós, lianas e gravetos para transformar uma floresta de enganos, nossa existência, num caminho que leve à iluminação até Olórum.

Axé. http://www.orixa.rg3.net http://www.orixa2.rg3.net

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Triste realidade da Umbanda.

Iniciantes fadados ao erro, comunidades inteiras que mais desaceleram a evolução da Umbanda prestam serviço para a ignorância, mais claramente falando apostam na apologia à burrice.
Devo acreditar que os donos destas comunidades mais incentivam o crime de desaprender do que se dão ao trabalho de buscar conhecimento e pregam uma falta de cultura e ignorância.

O resultado logo se vê quando somado a moderadores que sem preparo algum insuflam a ditadura virtual, mas observem a decadência nem ao menos sabem escrever Faike que na verdade seria fake, quer dizer que um perfil não existe, antes de poder tentar se expressar deveriam procurar no Google, o pai dos burros, mais fácil de se achar na net, o grande pesquisador que ajuda a qualquer um quando esta perdido.

Seguindo esta tendência logo a Umbanda estará fadada como disse acima ao esquecimento e não apenas aos erros que se amontoam como cálices numa pilha de alfafa ruminada e expelida...

Infelizmente esta realidade somada aos incidentes que assolam o país depõe a favor ao que vemos na TV, e fico imaginando o quanto estas comunidades contribuíram para que chegassem as noticias que nos revoltam hoje nos diários populares... Quando estaremos livres de tais apologias a burrices... Espero mesmo que um dia não precisaremos mais ver tantos avestruz religiosos intitulados de pais de santos e mães de santo depondo contra sua própria religião.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Asé do Ẹ̀kọmi para o Lode ou o Pàdé do Bará feito pelo povo Nagô!

O Ẹ̀kọmi[i] (Ẹ̀kọ) do Lóde é o principal ritual que antecede uma obrigação grande, o assunto desta matéria é demonstrar a sua importância para o culto, infelizmente para alguns templos este ritual não tem mais ocorrido. O Ẹ̀kọmi consiste em Omi[ii], Epo Pupa[iii] e Gbaguda[iv] preparado e produzido no inicio da obrigação com a intenção de proteger a feitura de todos os malefícios e feitiços que por ventura soprem em cima do templo. O ritual para despachar o Ẹ̀kọmi é feito de regra às portas fechadas, com poucos convidados e algumas divindades da Ilé presentes, caso cheguem durante as rezas. Normalmente o ritual para despachar o do Ẹ̀kọmi decorre um dia antes do toque da festa grande, através do som do Ilú[v] os Alagbes, mais alguns filhos da casa e os Ẹlẹ́gún de cavalos de santos[vi] participam.

O Bará é o Òrìṣà conhecido como o senhor dos caminhos, ele é responsável pelo intercâmbio entre o homem e o divino, circulando livremente entre os reinos de cada Òrìṣà concedendo favores entre eles e interagindo entre as divindades, no ritual Nagô temos o Bará Lode
[vii] que encontra-se na entrada do templo, o Legba[viii] e sua esposa a Zina que geralmente ficam na frente dos domínios do terreiro separados das demais divindades, porem já vi estas duas divindades até mesmo com o Lóde ou nos fundos da casa, vai do costume de cada família. Além do Bará Lóde poderemos encontrar o Bará do Irúnmole, sento para acompanhar a obrigação de cada Ẹlẹ́gún. É tradição dar as primeiras oferendas para os Bará, além de ser um dos primeiros a comer, até mesmo antes do Òrìṣà dono(a) da Ilé, muitas seguranças e trabalhos são feitos para esta divindade proteger o templo dos males espirituais.

Para executar o ritual do Ẹ̀kọmi os presentes que não estão tomados pelas divindades ficam virados para as paredes, pois não devem olhar o descarrego do Ẹ̀kọmi, apenas os mais velhos e mais antigos do templo possuem permissão para ajudar mantendo o rosto voltado para o centro da obrigação, mesmo assim é a minoria, pois estes rituais poucos podem ajudar. Raro momento em que se acredita que o Legba possui permissão para entrar no salão e puxar todo o carrego, feitiço, danos e destruição para levar embora. Por isso é proibido vira-se evitando assim olhar de frente para o Legba, impedindo que ele possa trazer males e ou prejudique os presentes.

Separam-se as divindades de Epo pupa que irão para a rua acompanhando o Ẹ̀kọmi azedo (dendê) e as divindades do Oyin (mel) que ficarão na Ilé oferecendo segurança ao ritual com sua presença. Dá-se inicio ao ritual do Ẹ̀kọmi com cânticos de louvação ao Òrìṣà Bará.
  • Alagbe - Èṣù Olóde!
    Coro - Èṣù, Èsù Obara làna
    Alagbe - Mojúbà Èṣù!
    Coro - Bàrà !
    Alagbe - Lóde Èṣù!
    Coro - Bàrà!
    Alagbe - Làna Èṣù!
    Coro - Bàrà!

    Resenha
    Èṣù é o senhor das ruas e o rei do cruzeiro que abre os caminhos.Reverenciamos Èṣù, abrindo nossos caminhos e nos protegendo. Èṣù nos protege e nos guarda.
    A princípio o templo saúda o Òrìṣà Bará, exalta a sua posição e importância para o culto definindo a sua função. Digamos que para qualquer caminho que tenhamos que buscar, para vencer, qualquer um terá que passar pelos caminhos do Bará.

Neste momento o Baba-kékeré[ix] da Ilé ou a Ìyá-kékeré[x] deposita no centro do barracão o Ẹ̀kọmi do Bará do irúnmole contendo Omi e Epo pupa, mais o Ẹ̀kọmi do sangue dos bichos derrubados para o Bará, a quartinha do Bará e a Ajeum T’Bará[xi], ali os Òrìṣà presentes fecham a roda começam a dançar circulando o Ẹ̀kọmi acompanhando as cantigas.

Cada elemento usado neste ritual possui grande poder e energia vital, coligado à divindade Bará, observe o porquê o uso de cada elemento;

Ẹ̀kọmi do Lóde - Omi, Epo pupa e Gbaguda – preparado com finalidade de puxar os carregos, feitiços ou malefícios que possam prejudicar a obrigação ou a Ilé, sendo que o Epo pupa é um óleo do reino vegetal com poder de movimentar o fogo e com propriedades quentes; A Gbaguda veio da terra e transformou-se num elemento que a maioria das divindades de frente recebem em seu Ajeum, podemos moldar formas e integrar na maioria dos pratos dos orixás de guerra, por isso a Gbaguda é um elemento que representa fartura e comunga com as demais divindades, caso seja necessário travar uma guerra com as divindades para defender a Ilé e a obrigação.

Ẹ̀kọmi de sangue – segura o carrego e elementos negativos como Egun que possam danificar a obrigação que estará finalizando no toque grande. Provavelmente também usado para despachar algum elemento negativo que tenha ficado dos quatro pés ou aves que foram sacrificadas, levando em consideração que o reino animal também possui elementos negativos, desta forma descarregamos os Egun e danos que poderiam ter caídos no templo e o Ẹ̀kọmi segurou.

Quartinha do Bará - vasilha em forma de jarro moldada do barro, representa o Ara-aiye do Bará, como não podemos movimentar o Otá do Bará para a rua, levamos a quartinha representando a própria divindade. No seu interior temos a água, líquido neutro que transporta o elemento vida, comum e usado em qualquer quartinha, o ato de despachar a água da quartinha possui várias finalidades, uma delas é carregar o Bará para a rua e outra é molhar a terra com a sua água preparando a terra para receber o Ẹ̀kọmi.

Ajeum T’Barásete Solanum tuberosum (batatinhas miudas) assadas – simboliza a esperteza do Bará relatada num itan de Ifá que ele engana o rei e vence uma aposta . Milho de galinha torrado – o milho possui as propriedades favoraveis para o corpo, especialmente para a saúde, e ao mesmo tempo é um elemento que cresce e prospera na terra, por isso muito bom para representar prosperidade e dinheiro -; E finalmente a pipoca, qualquer orixá pode receber pipoca, quem sabe por que é um produto que cresce ao fogo, não exige muito para que ela possa ser consumida e é muito usada para limpeza ou clareza.



  • Alagbe - A má a ṣère onífa Èsù abánà dá, a máa sère onífa Èsù abánà dá
    Coro - A máa ṣère onífa Èsù abánà dá, a máa sère onífa Èsù abánà dá


    Resenha Nós confiamos a Èsù todos os males e carregos, estamos entregando a ele nossos caminhos e agradecemos

Aqui os Òrìṣà tomam a quartinha do Bará e cada um borrifa uma vez a água dela em cima dos Ẹ̀kọmi e Ajeum t’Bará depositados no meio do barracão. Neste ato as divindades descarregam os elementos negativos lhe pertencem em cima daquele Àṣẹ, eliminando o carrego, o ewó e Egun que ali poderiam estar presentes ou foram carregados. Assim passando de mão em mão até finalizar o circulo formado pelas divindades.

Não é comum os Ẹlẹ́gún participarem deste procedimento, porem pode auxiliar os Òrìṣà durante o ritual.

  • Alagbe - Èṣù adé mi ṣé ṣé mi re
    Coro - Bàrà adé mi ṣé ṣé mi re
    Alagbe - Èṣù adé mi ṣé ṣé mi Bàrà
    Coro - Bàrà adé mi se se mi re
    Alagbe - Èṣù já lànà fun wa
    Coro - Èṣù já lànà fun Ma lè
    Alagbe - Èṣù já lànà fun wa
    Coro - Èṣù já lànà fun Ma lè
    Alagbe - Lànà Èsù mérin
    Coro - Èṣù bęri, Èsù mérin lànà

    Resenha
    Èṣù me protege e me dá sua força, abre nossos caminhos, bondoso pai dos caminhos, eu o saúdo para abrir nossos caminhos pelos quatro caminhos.

Ao final do processo o Baba-kékeré e a Ìyá-kékeré pegam as vasilhas e entregam para algum Òrìṣà do Epo pupa, deixando alguns livres para pegarem o Ẹ̀kọmi do Lóde, partindo todos para a encruzilhada mais próxima da ilê para despachar o descarrego, nesta encruzilhada aberta coloca-se primeiro a Ajeum T’Bará, logo após o Ẹ̀kọmi em cima da Ajeum T’Bará e despacha a água da quartinha fechando a encruzilhada. Separando o Lode do Bará que fica no centro da encruzilhada do Bará do Irúnmole que despacha num dos cantos da encruzilhada, mas esta sequencia permanecerá entre nossa família, nem tudo tem como ser revelado. Por mais estranho que pareça ver uma divindade sair á rua carregando um Ẹ̀kọmi é natural para nós afinal, estas divindades estão no seu meio ambiente e campo de atuação, mais serenos do que presos em quatro paredes. Como descarrego do Ẹ̀kọmi chega ser perigoso até mesmo para os iniciados que possui um grau elevado, esta função é destinada a algumas divindades que o fazem sem problema algum.

  • Alagbe - Ä là lùpa o!
    coro - Á là lùpa sé máa!
    Alagbe - o ṣọ́ ṣọ́ ni pa dó
    coro - Gàn gàn gàn ṣọ́ ni pa dó
    Alagbe - Àkọ́ rò ṣọ́ ni pa dó
    coro - Gàn gàn gàn ṣọ́ ni pa dó
    Alagbe - Bara ni Ẹ̀kọmi ṣọ́ ni pa dó
    coro - Gàn gàn gàn ṣọ́ ni pa dó
    Alagbe - Ògún méje méje
    coro - Ara Ògún méje n' Ire o
    Alagbe - Ara Ògún méje
    coro - Ara Ògún á níre
    Alagbe - Ògún bé wò a yìn pàra Ògún ajo, Ògún bé wò a yìn pàra Ògún ajo, Ògún bá ga
    coro - Àdé wa rà wàrawàra àdé wá ra

    Resenha
    Corta o mal, mata o feitiço, nos proteja contra o mal e nos limpe, Ògún dono da cidade Ire, nos protege. Ogun nos protege e nos limpa.

Neste momento os Òrìṣà começam a voltar para dentro da ilê, e se unem aos santos de mel que ficaram no salão. E vão desvirando os presentes, sendo que as Òrìṣà Ìyá vão passando a barra das saias nos Ẹlẹ́gún como se tivesse limpando dos males que ainda por ventura ficaram na ilê. O ritual em si necessita destes elementos para que possa ser executado, apesar do teor sério e muito carregado, ao final todos estão leves e o templo com uma energia muito boa.

O Ẹ̀kọmi é um ritual de grande responsabilidade e energia, algumas casas nem usam mais este procedimento, não sei ao certo porque foram deixando de acontecer, porem no nosso templo ainda mantemos este procedimento que é muito funcional e importante. Acredito que o ritual do Ẹ̀kọmi veio com os negros e foi mantido para segurança das casas que no inicio da sua estruturação tinham mais facilidade para encontrar encruzilhadas e cultuar os Òrìṣà em contato com a natureza.

Outra forma mais simplificada porem eficiente com o mesmo propósito é acontecer o ritual do Ẹ̀kọmi no dia da festa grande, depois dos cortes da feitura, propriamente executado durante o toque da festa grande. Logo depois da reza do Xapanã antes da roda de Igbeji que geralmente é substituída pela mesa de Igbeji tradicional que ocorre antes do toque...

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[i] Ẹ̀kọmi – preparado que leva água e alguns elementos ritualísticos que possuem diversas finalidades, usadas na proteção dos templos, seguranças durante os rituais dos orixás ou Egungun.

[ii] Omi- água

[iii] Epo pupa – azeite de dendê

[iv] Gbaguda - farinha de mandioca

[v] Ilú - tambor de duas faces usado pelos Nagô

[vii] Bará Lóde – O assentamento do Bará Lóde fica na porta do templo, seu nome já diz o que mora fora do templo, àquele que fica do lado de fora distante dos Òrìṣà do Yara-bo.

[viii] Legba - O Legba guardião dos templos, das aldeias e casas particulares, e sua esposa, segundo os fon seja Awovi (cujo nome significa "filha do engano" e representa os acidentes), e Ayizan também são consideradas ora esposas, ora mães de Legba.

[ix] Baba-kékeré – Pai pequeno da casa.

[x] Ìyá-kékeré – mãe pequena da casa.

[xi] Ajeum T’Bará – Uma oferenda comum oferecida para ele durante o ritual de feitura.


Por Erick Wolff8
Agradecimento - Luiz Marins