domingo, 22 de março de 2009

Logun Ede o principe de Ilesá

"Erinlè teria tido, com Oxum Ipondá, um filho chamado Lógunède (Logunedé), cujo culto se faz ainda, mas raramente, em Ilexá, onde parece estar em vias de extinção."
Do livro "Orixás - Pierre Fatumbi Verger - Editora Corrupio"

No brasil logunedé, conhecidíssima divindade que divide seu estado neste mundo entre a caça no meio da mata e a comer peixes sob as águas dos rios, pois sendo filho do caçador e de òsún.
Ele n suporta a cor vermelha e nem mesmo marrom.

Hoje, na Nigéria, a mais rica cidade chama-se Ilesa, e é a cidade de Logun Ede, que para muitos é metade homem e metade mulher, o que não é verdade. Logun Ede é um santo único, um Orixá rico que herdou tanto a beleza e agilidade do pai quanto a beleza e riqueza da mãe. Em Ilesa, uma das cidades mais prósperas da África, encontra-se o palácio de Logun Ede.

Itan
...oxum ipondá e erinlé

Um dia Oxum Ipondá conheceu o caçador Erinlé e por ele se apaixonou perdidamente. Mas Erinlé não quis saber de Oxum. Oxum não desistiu e procurou um babalaô. Ele disse que Erinlé só se sintia atraído pelas mulheres da floresta, nunca pelas do rio. Oxum pagou o babalaô e arquitetou um plano: Embebeu seu corpo em mel e rolou pelo chão da mata.
Agora sim, disfarçada de mulher da mata, procurou de novo seu amor.

Erinlé se apaixonou por ela no momento em que a viu. Esquecendo-se das palavras do adivinho, Ipondá convidou Erinlé para um banho no rio. Mas as águas lavaram o mel de seu corpo e as folhas do disfarce se desprenderam. Erinlé percebeu imediatamente como tinha sido enganado e abandonou Oxum para sempre.

Foi-se embora sem olhar para trás. Oxum estava grávida; deu à luz a Logun Edé.

Logun Edé é a metade Oxum, a metade rio, E é metade Erinlé, a metade mato. Suas metades nunca podem se encontrar.
Ele habita num tempo o rio e noutro o mato. Com o Ofá, arco e flecha que herdou do pai, ele caça. No abebé, espelho que recebeu da mãe, ele se admira.

terça-feira, 17 de março de 2009

AGANJÚ, TERRA FIRME


Faz parte de uma tradição oral contada pelos Lukumi o itan de Agandjú. Odùwá deu a luz a uma menina chamada Yemonjá (a mãe cujos filhos são peixes) e um menino chamado Agandjú (parte não habitada do país).
Como o próprio nome diz a parte não habitada do país, a regiao selvagem, terra firme, a planície, ou a floresta.

A prole da união do paraíso e da terra, isto é, de Obatalá e Odùwá, pode assim ser dita ao representar a união da terra e água.

Yemonjá é a Deusa dos rios e córregos, e gere as dificuldades causadas pela água. É representada por uma figura feminina, sua cor é o azul, contas azuis e vestimenta branca.
A adoração de Agandjú parece ter caído em desuso, ou ter-se fundido com a de sua mãe; mas diz-se existir um espaço aberto na frente da residência do rei em Oyó onde Agandjú foi adorado no passado e que ainda se chama Ojú-Agandjú - "Olhos de Agandjú".

Yemonjá casou-se com seu irmão Agandjú, e teve um filho chamado Òrugán. Este nome é combinação de orun, do céu, e de gan, do ga, para ser elevado; e parece significar "na altura do céu."

Parece responder ao khekheme, ou "à região livre de ar" dos povos Ewe, para significar o espaço aparente entre o céu e a terra. A prole da terra e da água seria assim o que nós chamamos de ar.

Òrugán apaixonou-se por sua mãe, que recusou-se a ouvir de sua paixão culpada. Um dia Òrugán aproveitou-se da ausência de seu pai e a possuiu. Imediatamente depois do ato, Yemonjá levantou-se e fugiu, esfregando as mãos e lamentando. Ela foi perseguida por Òrugán, que a tentou consolar dizendo que ninguém precisaria saber do ocorrido. E declarou que não poderia viver sem ela. Pediu-lhe considerar que vivesse com dois maridos, um reconhecido, e o outro em segredo; mas ela rejeitou com horror todas suas propostas e continuou a fugir. Òrugán, entretanto, alcançou-a rapidamente e quando estava ao alcance de sua mão, ela caiu para trás na terra então seu corpo começou imediatamente a inchar em uma maneira temível, dois córregos da água saíram de seus seios, e seu abdômen explodiu, abrindo-se. Os córregos dos seios de Yemonjá uniram-se formando uma lagoa. E da abertura de seu corpo vieram:

Dadá Deus dos Vegetais
Sàngó Deus do Relâmpago
Ògún Deus do Ferro e da Guerra
Òlokun Deusa do Mar
Òlosa Deusa da Lagoa
Oyá Deusa do Rio Níger
Òsun Deusa do Rio Òsun
Oba Deusa do Rio Oba
ÒrÌsà Oko Deus da Agricultura
Òsòósi Deus dos Caçadores
Oke Deus das Montanhas
Ajé Deus da Riqueza
Sàponà Deus da Varíola
Òrun O Sol
Òsú A Lua

Para comemorar este evento construiu-se uma cidade chamada Ifé (que significa distensão, aumento de tamanho, ou inchamento), no local onde rebentou o corpo de Yemojá, essa cidade transformou-se em cidade sagrada para os povos de fala Yorubá. O local onde seu corpo caiu costumava ser mostrado e provavelmente ainda o é; mas a cidade foi destruída em 1882, na guerra entre o Ifés contra os Ibadans e os Modakekes. O mito de Yemonjá explica assim a origem de diversos dos Deuses, fazendo-os netos de Obatàlá e de Odùwá.