quinta-feira, 31 de julho de 2008

Quem escolhe a religião dos nossos filhos?

O abismo do Paraíso. Assim a Bíblia explica como Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso, logo após terem comido do fruto proibido. Será que isso faz parte da evolução da humanidade?

Se perceberem, essa passagem cita que a obra-prima de Deus foi enxotada do Paraíso logo após desobedecer a seu Criador. Ela deixa claro que Deus não foi misericordioso e também não perdou... Será este o legado cristão que nossos filhos deverão receber?

Quem escolhe a religião dos nossos filhos? O governo ou eles próprios?
O sistema brasileiro se preocupa em dividir cotas para brasileiros afros descendentes e não em igualar esta diferença, nunca chegaremos à igualdade favorecendo classes se todos são iguais e têm seus direitos. Não faremos uma democracia favorecendo grupos, devemos dar direitos e deveres iguais a todos.

O problema cresceu e atingiu a escola. O estado do Rio de Janeiro está se organizando para uma cruzada religiosa, que fere a constituição federal. Aproveitando a brecha aberta pela lei estadual 3.459/2000, que regulamentou o Ensino Religioso como confessional no Rio de Janeiro, no final do ano passado foram lançados os livros “As Obras de Deus Criador”, “O fato Cristão”, “A Igreja de Cristo” e “Os sinais do Espírito”, organizados pela Arquidiocese e coordenados por Dom Filippo Santoro, Bispo da Educação e do Ensino Religioso.

São livros católicos que favorecem a fé cristã, justo no inicio da formação da personalidade do aluno, destinados ao 1º, 2º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental. Com base nas escrituras, eles preparam o estudante para uma vida religiosa, desrespeitando a Constituição, burlam a própria lei do Ensino Religioso, discriminam religiões afro-descendentes e representam um retrocesso em importantes conquistas de educadores e educadoras preocupados (as) com a diversidade do país.

Presbiterianos e eleitos com grande apoio das igrejas evangélicas, o “casal Garotinho” aproveitou a chance. Em setembro de 2000, o marido sancionou a Lei 3.459, do ex-deputado católico Carlos Dias (PP-RJ) que estabelece o ensino religioso confessional na rede estadual. Em 2004, a esposa Rosinha, já governadora, realizou concurso público e contratou 500 professores de Ensino Religioso. A relação é: Católicos (68,2%); evangélicos (26,31%) e “outras religiões” (5,26%). Não existem professores de candomblé, por exemplo. Para explicar porque o candomblé ficou de fora, a Coordenação de Ensino Religioso (órgão ligado à Secretaria de Educação) informa que não há registro na pesquisa realizada em 2001 de alunos que praticam essa religião, mas garante que não há proselitismo na disciplina.


A redação do Portal Sosni procurou alguns representantes da religião afro-brasileiras para conversar sobre o assunto.

Mãe Fernanda de Oxum Docô
Sosni - Como se sente perante um movimento organizado que sufoca a liberdade religiosa?
Mãe Fernanda de Oxum Docô - Em alguns momentos acabo me sentindo um tanto impotente por não enxergar representantes com força e liderança nas bancadas parlamentares em todas as esferas de governo, para que possam proteger a nossa liberdade de culto. Ao mesmo tempo não temos grande espaço na mídia, onde poucos Babalorixás/Yalorixás conseguem uma comunicação direta com o público em geral e onde podemos ver uma grande propagação das religiões atualmente mais fortes no Brasil, a Católica e a Evangélica. Por enquanto esse movimento não teve maiores resultados práticos em minha vida religiosa, mas o futuro torna-se uma incógnita a partir da força que o mesmo vem tomando.

Sosni - Os sacerdotes das religiões afro-brasileiras estariam dispostos a fazer palestras e material didático gratuito para as escolas publicas?
Mãe Fernanda de Oxum Docô - Acredito que muitos estariam dispostos a isso, mas para tanto tem de haver um interesse do governo em criar esse espaço e um grupo de religiosos envolvidos nesse propósito. Quanto ao material didático gratuito, aí já não saberia responder, pois tudo que gera despesa tem de ter uma fonte de fundos. Acredito que deveria ser promovida pelas entidades africanistas tal movimentação, para a qual todos nós colaboramos, inclusive para não ficar rotulada como uma atitude isolada de determinados sacerdotes.

Sosni - Os senhores já pensaram em fazer doações de livros afro-brasileiros para as escolas e faculdades?
Mãe Fernanda de Oxum Docô - Seria um bom procedimento, mas não acredito que apenas a doação de material informativo fosse o suficiente para que essa informação chegasse à sociedade como um todo. Acredito que um movimento forte e consistente, de informação e conscientização seria o melhor caminho.

Mãe Fernanda de Oxum Docô,
filha de Pai Pedro de Oxum Docô
Nação Ijexa-Jeje, de Porto Alegre-RS
E-mail: fernandapc@ceee.com.br


Mãe Edna de Yemanjá
Sosni – Conte o trabalho que opera com crianças da comunidade da região do Guarapiranga?
Mãe Edna de Yemanjá - Convivemos com 25 crianças aqui na associação. Sem ajuda do governo, eu dependo da doação dos voluntários e uma aposentadoria que mal recebo já foi toda. Como as crianças são filhas dos membros que freqüentam a minha casa, eu posso educá-las e ensiná-las os conceitos básicos da religião afro-brasileira.

Sosni – Como a religião afro-brasileira ajuda no seu projeto com crianças?
Mãe Edna de Yemanjá - A Umbanda a qual eu fui iniciada e que hoje comando uma pequena casa aqui no Guarapiranga me ajuda a ensinar aos menores o básico da vida. Já vi resultado, pois eles mudaram seu comportamento e estão a cada dia recebendo elogios. Até uma professora da escola que freqüentam veio conhecer o nosso trabalho.

Sosni – Estaria disposta a fornecer conteúdo para as escolas? Como?
Mãe Edna de Yemanjá - Estamos sempre à disposição para ajudar a comunidade. Mesmo sendo poucos os voluntários, já fizemos algumas apresentações de danças folclóricas afro-brasileiras como representação dos orixás, maculelê e samba de roda. Quem quiser, nos procure, pois só necessitamos de transporte para 25 crianças.

Mãe Edna Negreiros
Dirigente espiritual do templo Mãe Janaina – Umbanda.
SP – bairro Guarapiranga
Site da associação que ela dirige – WWW.meninosdoguarapiranga.com


FTU
"Enviamos três perguntas para a faculdade de Teologia Umbandista e não foi respondido até o presente momento, deixamos aqui o espaço para sua resposta"
1 – Vocês são a favor ou contra do ensino religioso nas escolas?
2 – É possível apresentar algum projeto que possa ser aplicado nas escolas públicas?
3 – Como quebrar o preconceito religioso sem criar atrito com os militantes?

FACULDADE DE TEOLOGIA UMBANDISTA (F.T.U.) formaliza o saber religioso, por meio de seu credenciamento como instituição de ensino superior, obtido junto ao MEC
http://www.ftu.edu.br/


Pai Guimarães
Sosni – Como proteger os direitos dos alunos?
Pai Guimarães - Temos a necessidade urgente de promover ações que possam identificar, qualificar e indicar representantes das religiões de Matriz Africana e Afro brasileira para, assim, promover o ensino religioso e atuar em outras áreas da sociedade, assim como já acontece com as demais vertentes religiosas.
O ideal seria que não houvesse esta atividade educacional nas escolas, pois o Estado deveria ser laico e não desenvolver nenhuma facilidade que pudesse dar oportunidade para que as religiões estabelecidas e com estrutura política definida e, bem representadas, se aproveitassem destas situações para impor suas ideologias religiosas. Mas diante de tal situação, não nos resta outra alternativa. E o MOVIMENTO CHEGA!!! GUERREIROSDOAXE, que é um movimento de conscientização e mobilização que visa promover ações em defesa dos direitos das comunidades Afro-brasileiras, está se preparando para mobilizar e forma quadros, assim como já vêem fazendo com os Operadores do direito e da segurança pública. Estamos atrasados e desorganizados, por isto vivemos à margem das ações sociais e projetos que são ocupados pro outras vertentes, não somos excluídos, estamos excluídos por nossa própria falta de iniciativa e interesse em buscar soluções. Estamos limitados e reféns de nossa própria incapacidade e falta de união e participação nas iniciativas que querem abrir caminho para uma nova realidade.

Sosni – Qual o caminho para preservar o espaço das religiões afro-brasileiras nas escolas?
Pai Guimarães - Como dito, temos que mudar nossa forma de pensar e agir.
Não podemos mais ficar limitados às reclamações e a indignações que assistimos dentro das nossas casas e encontros. É gritante e está se tornando algo desesperador, a nossa falta de organização e envolvimento nas questões políticas, sejam elas, política social, cultural, educacional, saúde e até eleitoral.
As atividades de cunho social e todas as políticas públicas estão atreladas à política eleitoral. Sem uma voz em nossa defesa, sem alguém que de fato seja o nosso representante político, que não esconda seu vínculo e seu compromisso com as comunidades de Matriz Africana e Afro-brasileira, muito pouco será feito, conquistado ou preservado. Eu acredito que sem uma representatividade política, podemos continuar a gritar, berrar e espernear que ninguém vai se incomodar ou vir em nosso socorro. Somente uma pessoa comprometida e que vivencia a nossa realidade terá coragem de promover as ações afirmativas e tomar decisões que, de fato, venham amenizar as injustiças pelas quais sofremos.
Hoje, podemos dizer que, existe uma esperança e uma motivação muito grande nascendo em nossa comunidade. Acreditamos que num futuro bem próximo, muito coisas irão mudar.
As mobilizações e as reuniões seguidas de adesões importantes junto ao “Movimento Chega!!! Guerreiros do Axé”, nos mostra que estamos no caminho certo e que em breve teremos em nossa comunidade não só grupos organizados e conscientes da sua missão de representar e defender os direitos sociais a que temos direito, mas também o representante político, eleito pelo povo do axé, que irá utilizar os grupos que estão sendo preparados para atuar junto às administrações públicas e da própria sociedade.
O melhor caminho a ser seguido é o da união a favor dos esforços que possam gerar benefícios e facilidades para o coletivo. Temos que romper com um passado que só nos traz lembranças de divisão, intrigas, fofocas e disputas que têm nos levado a comemorar somente derrotas sociais e privação de direitos. Chegou a hora de UNIÃO, na qual os que ainda não aderiram ou tomaram conhecimento de como podem somar estas iniciativas sintam-se motivados e passem a se interessar em participar. Este é o caminho.

Pai Guimarães,
sacerdote da religião Umbanda e diretor do grupo Guerreiros do Axé.
Para contato:
F: 5599-4673 / 8323-9056
E-mail: falecom@paiguimaraes.com.br


*A redação do Portal Sosni não favorece nem um dos partidos entrevistados e afirma que toda e qualquer matéria aqui publicada é imparcial.
Buscamos o parecer de cada um deles pelo fato de serem representantes dos segmentos religiosos afro-brasileiros.

Fonte da matéria - Stela Guedes Caputo

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Òòṣàálá

 Òrìṣàálá ou Obàtálá na África, "O Grande Òrìsà" ou "O Rei do Pano Branco" para os Yorubás, criador do mundo, dos homens, animais e plantas. Foi o primeiro Òrìṣà criado por Olodumare e é considerado o maior de todos os Òrìṣà. É o mais velho dos Òrìsás, o rei de vestes brancas, raiz de todos os outros Òòṣàálá. Ele não é feito, faz-se Ayrà ou Òsun Oparà. É o pai de Oṣàlúfón, que por sua vez é o pai de Oṣoguian, tão grande e poderoso é Obàtálá que não se manifesta, sua palavra transforma-se, imediatamente, em realidade.
Representa a massa de ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte.
Ele deu a palavra ao homem e durante suas festas não se fala durante três semanas tudo é silêncio, pois a palavra é dele. África Obàtálá é o filho direto de Ọlọ́run o criador do universo. Depois de criado o universo e a terra em específico; depois de quatro dias, resolveu dar vida a terra e enviou seu filho direto "Obàtálá" para esse fim á terra que até então era composta de água. Vindo com o saco da criação Obàtálá trouxe consigo uma galinha d'angola que foi responsável por espalhar a terra sobre as águas, dando desta maneira forma á terra até então composta de água, depois de criado os montes etc...
Obàtálá criou os vegetais, animais e por ultimo da própria criação "terra" moldou o ser humano com o barro e com o sopro de Olórun o ser humano recebeu a vida. Por isso se você tem um grande problema de saúde é a este Òrìṣà que se pode recorrer; claro que dependendo do tipo de saúde que seja, podemos recorrer também a outros Òrìṣà...
Obàtálá é quem rege tudo o que é branco sobre a terra em todos os sentidos da palavra; pureza... Obàtálá - Oba (rei) alá (branco) Òòṣàálá - Palavra de origem árabe, mais precisamente de inshalla, com o significado de "se Deus quiser, se Deus o permitir".
Òrìṣà-Nla, Òrìàálá ou (Orixalá e Oxalá em português) é o primeiro Òrìṣà Funfun nascido diretamente de Olórun (DEUS) (tudo desses Òrìṣà é de cor branca).
O Reverendo Samuel Johnson, no livro The History of the Yorubas, Lagos, 1937, escreve: "Òòṣàálá é encarregado do poder criador e é considerado um co-trabalhador de Ọlọ́run. Supõe-se que o homem tenha sido feito por Deus e modelado por Òòṣàálá.
Seus adeptos se distinguem pelo uso de colares de contas brancas e pelas roupas brancas. Não podem beber vinho de palmeira.
Os sacrifícios por eles oferecidos não podem conter sal.
Os albinos, os anões, os estropiados e os corcundas são considerados sagrados por esse Òrìṣà.
Òòṣàálá é o nome comum, conhecido e adorado em diversas cidades e sob diversos nomes: Òrìṣà Oluofin em Iwofin, Òrìṣàko em Oko, Òrìṣàkire em Ikire, Òrìṣàgiyan em Ejigbo, Òrìṣàeguin em Owu, Òrìṣàjaye em Ijaye, Obàtálá em Oba." Òòṣàálá é o Òrìṣà associado à criação do mundo e da espécie humana.
Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Òrìàjiyán, e velho – chamado Oṣalufan. Os símbolos do primeiro é uma idá (espada), "mão de pilão" e escudo. O do segundo Òrìṣàjiyán é o branco levemente mesclado com azul, a de Oṣalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos na africa é a sexta-feira.
No Nàgó é domingo.
Sua saudação é ÈPA BÀBÁ !
Òòṣàálá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Òrìṣà do panteão africano. Simboliza a paz é o pai maior nas nações das religiões de tradição africana.
É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Òrìṣà e todas as nações.
A Òòṣàálá pertence os olhos que vêem tudo.

Alguns Oriṣás
Òòṣàálá cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:

Òrìṣà Óbokún = O rei de Ijesá, conhecido entre os Nago como Òṣàlá porem foi um guerreiro, filho de mais novo de Odùdúwá (branco rajado de cinza claro ou cinza muito clarinho).
Òrìṣà Olokun - senhor do oceano para os Yorubás, pai de Yemonjá. (branco com cristal 1x1)
Òrìṣà Dakùn ou Olofon – o fiador de algodão (branco).
Òrìṣà Jobokún – que traz as águas. (branco)
Òrìṣàálá /Obàtálá - é casado com Yemowo, suas imagens são colocadas uma do lado da outra e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no ilésin, local de adoração, dizem que Yemowo foi a única mulher de Òrìṣàlá - Obàtálá um caso excepcional de monogamia entre Òrìṣà e eboras (branco com cristal 1 x 1)
Òrìṣà de Orumiláia = importantíssimo para o culto Yorubá, pois com ele recebemos nosso àṣe de búzios (branco com preto 1 x 1)
Òrìṣà Oduduwá = O Òrìṣà funfun mais antigo, irmao de Obàtálá. (branco)

Saudação: Epaô Baba!
Dia da Semana: Domingo
Número: 08 e seus múltiplos
Cor: Branco para todos com exceção de Branco com preto para Òòṣàálá de Orumiláia ou cinza bem claro para Óbokún
Guia: toda branca fora 01 branca, 01 preta, 01 branca para Òòṣàálá de Orumiláia
Oferenda: canjica branca, Igbin, merengue e coco ralado
Ferramentas: jóias em prata, caramujo, sol, cajado, pomba de prata, moedas e búzios, para Òòṣàálá de Orumiláia acrescentamos olhos de prata.
Ave: Galinha branca com exceção de galinha branca mais galinha preta para Òòṣàálá de Orumiláia
Quatro pé: cabrita branca e cabrita branca com pequenas manchas pretas para Òòṣàálá de Orumiláia.

Oduduwa, foneticamente escrito como Odùduwà, e às vezes contraído como Odùdúwá, Oòdua, geralmente é mantido entre os Yorubas por ser o ancestral dos reis Yorubas coroados. Brasil É um Òrìṣà, Odùduà - Oduduwa - Odùduwà , foi um rei que teria vindo do leste, no momento das correntes migratórias causadas por uma invasão berbere no Egito. Segundo Pierre Verger, esse fato provocou deslocamentos de populações inteiras, expulsando-se progressivamente umas às outras, em direção ao oeste, para terminar em Borgu, também chamada região dos Baribas. O rei Oduduwa ou Oduwa, era o pai de Oranian o fundador de Òyó.

Lendas
Òòṣàálá é preso injustamente
Òòṣàálá Jobocum era um rei muito idoso que andava com dificuldade, apoiado em seu cajado (opaṣorô). Um dia, sentindo saudades do filho Ṣàngó, resolveu visitá-lo. Mas, um babalaô recomendou que não viajasse, no entanto Oṣalá estava determinado e foi aconselhado a levar três roupas brancas e limo da costa e fazer tudo o que lhe pedissem.
Sua viagem teve início e no meio do caminho, encontrou Èṣù Elepô, dono do azeite-de-dendê, sentado à beira do caminho, com um pote ao lado, este solicitou a ajuda do ancião para colocar o pote no ombro. E Òòṣàálá assim o fez, lembrando-se das palavras do babalawô, mas, Eṣú derramou o dendê sobre Òòṣàálá. O Òrìṣà manteve a calma, limpou-se no rio e vestiu outra roupa para prosseguir a viagem. Mais adiante encontrou Èṣù Onidu, dono do carvão, e Èṣù Aladi, dono do óleo do caroço do dendê. Por duas vezes mais foi vítima dos brincalhões, mas limpou-se e trocou de roupa e prossegui viagem até o reino de Ṣàngó. Ao chegar aos domínios do filho, avistou um cavalo perdido que outrora foi dado como presente a Ṣàngó e o amarrou para levar de volta ao seu dono. Os soldados do palácio o julgaram um ladrão. E o espaçaram até quebrar os ossos e o colocaram no calabouço. Usando seus poderes, Òòṣàálá fez com que não chovesse mais desse dia em diante, as colheitas foram prejudicadas e as mulheres ficaram estéreis.
Preocupado com isso, Ṣàngó consultou seu babalaô e este afirmou que os problemas se relacionavam a uma injustiça cometida sete anos antes, pois um dos presos foi acusado de roubo indevidamente. O Òrìṣà dirigiu-se á prisão e reconheceu o pai. Envergonhado, ordenou que trouxessem água para limpa-lo e, a partir desse dia, exigiu que todos no reino se vestissem de branco em sinal de respeito ao pai. Pai de todos os Òrìṣà e mortais, Òòṣàálá é o maior e mais respeitado Òrìṣà nas Nações africanas, a paz e a harmonia espiritual são as características deste que é o Criador e Administrador do Universo. Quando moço, se manifesta em seu Cavalo-de-Santo dançando como os outros Òrìṣà, quando se apresenta em suas passagens velhas, chega se arrastando caminhando com dificuldade, muitas vezes fica parado no lugar esperando o auxílio de algum Òrìṣà moço. Pertence a OÒòṣàálá de Orumiláia a visão espiritual, como consequência o jogo de Búzios
Òrìṣàjiyán manda libertar o amigo preso injustamente
O filho de Òòṣàálá tornou-se um guerreiro forte e decidiu um dia conquistar um reino para si. Partiu em companhia de seu amigo Auoledjê, conquistou Ejigbô, tornando-se seu rei, o Elejigbô. O rei tinha uma grande paixão, comer inhame pilado, e comia com gula, tanto que o chamavam Òrìṣàjiyán, que quer dizer" Òòṣàálá Comedor de Inhame Pilado". Um dia Auoledjê, que era grande babalaô, precisou partir de Ejigbô, antes disso, aconselhou Òrìṣàjiyán que fizesse oferendas, que tornariam o reino próspero. Assim, como previa Auoledjê, Ejigbô tornou-se uma grande cidade, rica e bem guardada pelos bravos soldados de Òrìṣàjiyán. O rei Elejigbô vivia em fausto entre seus súditos, por quem era chamado de "Kabiyesi", que é o mesmo que Sua Majestade. Na intimidade os amigos o chamavam de "Comedor de Inhame Pilado", mas em público isso era uma heresia. Anos mais tarde, Auoledjê retornou a Ejigbô. Ao adentrar a cidade, procurou logo por Òrìṣàjiyán, "Onde está o Comedor de Inhame Pilado?", perguntaram, os soldados, que não o conheciam, ficaram furiosos com tamanha insolência. Isso era jeito de se referir ao rei? Prenderam e maltrataram o desconhecido amigo de Kabiyesi, Auoledjê ressentiu-se da humilhação, com seus poderes mágicos, vingou-se. Durante sete anos todas as catástrofes conhecidas, e não faltando a seca, assolaram o reino de Òrìṣàjiyán. Òrìṣàjiyán, desesperado, procurou os Òrìṣàjiyán libertou-o, mas ainda ressentido, escondeu-se na mata. Elejigbô buscou o velho amigo, suplicando seu perdão, Auoledjê cedeu com uma condição: que nuca aquele povo se esquecesse dessa injustiça, Todos os anos o povo deveria flagelar-se, em memória do funesto acontecido. Assim, todos os anos, o rei deveria mandar pessoas à floresta cortar varetas. Os súditos, divididos em dois grupos, tomariam as varas, simulariam golpes uns nos outros, sem parar, até que as varetas se quebrassem, para que nunca se esquecessem daquela injustiça praticada contra o amigo de Òrìṣàjiyán. Assim foi feito e o reino de Òrìṣàjiyán voltou à tranqüilidade e Òrìṣàjiyán foi o maior dos reis de Ejigbô. Quando ele foi para o Òrum, transformado em oriá, seu culto não se esqueceu do velho amigo babalaô, coma as varetas de Òrìṣàjiyán, com atoris, seus adeptos renovam sempre a memória da injustiça, para que ela não volte a acontecer.


 Òrìṣàjiyán inventa o pilão
Òòṣàálá, rei de Ejigbô, vivia em guerra, ele tinha muitos nomes, uns o chamavam de Elemoxó, outros de Ajagunã, ou ainda Aquinjolê, filho de Oguiriniã. Gostava de guerrear e de comer, gostava muito de uma mesa farta, comia caracóis, canjica, pombos brancos, mas gostava mais de inhame amassado, jamais se sentava para comer se faltasse inhame. Seus jantares se estavam sempre atrasados, pois era muito demorado preparar o inhame, Elejigbô, o rei de Ejibô, estava assim sempre faminto, sempre castigando as cozinheiras, sempre chegando tarde para fazer a guerra. Òòṣàálá então consultou os babalaôs, fez oferendas a Exu e trouxe para humanidade uma nova invenção. O rei de Ejigbô inventou o pilão e com o pilão ficou mais fácil preparar o inhame e Elejigbô pôde se fartar e fazer todas as suas guerras. Tão famoso ficou o rei por seu apetite pelo inhame que todos agora o chamam de "Oriṣá Comedor de Inhame Pilado", o mesmo que Òrìṣàjiyán na língua do lugar.

Òòṣàálá
cria a galinha d'angola e espanta a Morte
Há muito tempo, a Morte instalou-se numa cidade e dali não quis mais ir embora. A mortandade que ela provocava era sem tamanho e todas as pessoas do lugar estavam apavoradas, a cada instante tombava mais um morto. Para a Morte não fazia diferença alguma se o defunto fosse homem ou mulher, se o falecido fosse velho, adulto ou criança. A população, desesperada e impotente, recorreu a Òòṣàálá, rogando-lhe que ajudasse o povo daquela infeliz cidade. Òòṣàálá, então, mandou que fizessem oferendas, que ofertassem uma galinha preta e o pó de giz efum, fizeram tudo como ordenava Òòṣàálá. Com o efum pintaram as pontas das penas da galinha preta e em seguida a soltaram no mercado. Quando a Morte viu aquele estranho bicho, assustou-se e imediatamente foi-se embora, deixando em paz o povo daquela cidade. Foi assim que Òòṣàálá fez surgir a galinha d'angola. Desde então, as iaôs, sacerdotisas dos òrìṣà, são pintadas como ela para que todos se lembrem da sabedoria de Òòṣàálá e da sua compaixão.

Orialá ganha o mel de Odé
Òrìṣàálá vivia com Odé debaixo do pé de algodão, Odé ia para a caça e levava sempre Òòṣàálá, eles eram grandes companheiros, mas Odé reclamava sempre de Òrìṣàálá, que era muito lento e andava devagar, estava muito velho o òrìṣà do pano branco, e Orialá reclamava de Odé (Òṣòssi), que era muito rápido e sempre andava bem depressa, era muito jovem o caçador, então os dois resolveram se separar, mas Odé estava muito triste, porque fora criado por Òrìṣàálá, e Òrìṣàálá estava muito triste, porque fora ele quem criara Odé. Odé disse então a Òrìṣàálá que todo o mel que ele colhesse seria sempre dado a Òrìṣàálá e que ele mesmo nunca mais provaria uma gota, reservando tudo o que coletasse ao velho òrìṣà, e que Òrìṣàálá sempre dele se lembrasse, quando comesse seu arroz com mel do caçador. Nunca mais Odé comeu do mel, nunca mais Òrìṣàálá de Odé se esqueceu.
Conceitos -  Ilé-ọba Óbokún Àṣẹ Nàgó

Yemonjá



Iemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja ou Yemonjá, é um Òrìṣà africano, cujo nome deriva da expressão Iorubá "Yèyé omo ejá" ("Mãe cujos filhos são peixes").

Na Mitologia Yoruba, o dono do mar é Olokun que é o pai de Yemonjá, ambas de origem Egbá.

Yemonjá, que é saudada como Odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá, por sua ligação com Olokun, Òrìṣà do mar (masculino (em Benin) ou feminino (em Ifé), muitas vezes é referida como sendo a rainha do mar em outros países. Cultuada no rio Ògùn em Abeokuta

História
Pierre Verger no livro Dieux D'Afrique registrou: "Iemanjá, é o Òrìṣà dos Egbá, uma nação Yorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemonjá. Com as guerras entre nações Yorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do àse da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemonjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o Òrìṣà do ferro e dos ferreiros."

Saudação: Omim odò!

Dia da Semana:
Sexta - feira

Número:
08 e seus múltiplos

Cor:
azul claro, azul forte ou incolor, dependendo da característica da Mãe
Guia: toda da mesma cor, o tom do azul claro ou se for incolor varia com a característica da Mãe

Oferenda:
canjica branca, canjica branca temperada com cheiro verde e cocada branca

Algumas Oriṣás Yemonja cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:

Yemoja Bomí ou Soba = fiandeira de algodão, foi esposa de Orunmilá (azul claro)

Yemoja Bocí ou Sesu/Susure
= voluntariosa e respeitável, mensageira de Olokun (azul claro, podendo acrescentar o cristal 1 x 1)

Iya Masemale/Iamasse = mãe de ṣangò (azul claro leitoso)

Olobomi ou Awoyó/Iemowo
= a mais velha de todas, esposa de Òṣàlá (azul claro, podendo usar azul claro com cristal transparente, 4 azul clara e 1 transparente)

Nanã Burukun - esta divindade é considerada muito velha, e na cultura Nàgó’Kọbi é cultuada entre as Yemonjas, mesmo não sendo uma yemonjá, ela foi agregada em determinado momento da estruturação da cultura, veja algumas Nanã cultuadas:



Obáíyá
= é um Òrisà ligado a água, a lama e aos pântanos.

Ajàosi
= é uma Nàná guerreira e agressiva que veio de Ifé, e confunde-se às vezes com Obá. É uma divindade das águas doces, e que se veste de azul com vermelho.


Yewá é outra divindade aglutinada  entre as Yemonjá.


Yemoja Tuman/Aynu/Iewa = sobre o mar a névoa das águas (azul claro e branco 1 x 1)

Ferramentas: todos os adornos femininos em prata, peixe, leque, caramujos, barco, âncora, leme, conchas, lua, moedas e búzios

Ave:
Galinha branca

Quatro pé:
ovelha


Lendas

Yemonjá joga búzios na ausência de Òrùnmílá
Yemonjá e Òrùnmílá eram casados. Òrùnmílá era um grande adivinho, com seus dotes sabia interpretar os segredos dos búzios. Certa vez Òrùnmílá viajou e demorou para voltar e Yemonjá viu-se sem dinheiro em casa, Então, usando o oráculo do marido ausente, passou a atender uma grande clientela e fez muito dinheiro.
No caminho de volta para casa, Òrùnmílá ficou sabendo que havia em sua aldeia uma mulher de grande sabedoria e poder de cura, que com a perfeição de um babaláwo jogava búzios. Ficou desconfiado, quando voltou, não se apresentou a Yemonjá, preferindo vigiar, escondido, o movimento em sua casa.
Não demorou a constatar que era mesmo a sua mulher a autora daqueles feitos, Òrùnmílá repreendeu duramente Yemonjá, ela disse que fez aquilo para não morrer de fome, mas o marido contrariado a levou perante Olofim-Olodumarè.
Olofim reiterou que Òrùnmílá era e continuaria sendo o único dono do jogo oracular que permite a leitura do destino, Ele era o legítimo conhecedor pleno das histórias que forma a ciência dos dezesseis Odu. Só o sábio Òrùnmílá pode ler a complexidade e as minúcias do destino, mas reconheceu que Yemonjá tinha um pendor para aquela arte, pois em pouco tempo angariara grande freguesia.
Deu a ela então autoridade para interpretar as situações mais simples, que não envolvessem o saber completo dos dezesseis Odu, assim as mulheres ganharam uma atribuição antes totalmente masculina.


Olokun isola-se no fundo do oceano

Olokun vivia na água e vivia na terra, a natureza de Olokun era anfíbia, Olokun tinha vergonha de sua natureza, pois ela não era nem uma coisa nem outra.
Ela se sentia muito atraída por Òrìsà Ocô, mas não queria ter relações com ele, pois temia ser objeto de ridículo. Olokun, então, pediu conselho a Olofim, que lhe assegurou que Òrìsà Ocô era um homem sério e reservado.
Olokun criou coragem e foi viver com o Òrìsà lavrador, mas este descobriu a particularidade que existia na natureza de Olokun e contou a todos. Todos ficaram sabendo da ambígua natureza de Olokun, a vergonha fez com que Olokun se escondesse no fundo do oceano, onde tudo é desconhecido e aonde ninguém nunca pode chegar.
Olokun nunca mais deixou o mar e agora só esse é o seu domínio, outros dizem que Olokun se transformou numa sereia, ou uma serpente marinha que habita os oceanos, mas isso ninguém jamais pôde provar.

Osùn

Ọ̀ṣún, Oshun ou Oschun, na Mitologia Yoruba é um Òrìṣà feminino. O seu nome deriva do rio Ọ̀ṣún, que corre na Yorubalândia, região nigeriana de Ijexá e Ijebu. É tida como um único Òrìṣà que tomaria o nome de acordo com a cidade por onde corre o rio, ou que seriam dezesseis e o nome se relacionaria a uma profundidade desse rio. As mais velhas ou mais antigas são encontradas nos locais mais profundos (Ibu), enquanto as mais jovens e guerreiras respondem pelos locais mais rasos. Ex. Ọ̀ṣún Osogbo, Ọ̀ṣún Opara ou Apara, Yeye Iponda, Yeye Kare, Yeye Ipetu... Em seu livro Notas Sobre o Culto aos Òrìṣàs e Voduns, Pierre Fatumbi Verger escreve que os tesouros de são guardados no palácio do rei Ataojá. O templo situa-se em frente e contém uma série de estátuas esculpidas em madeira, representando diversos Òrìṣàs: "Ọ̀ṣún Osogbo, que tem as orelhas grandes para melhor ouvir os pedidos, e grandes olhos, para tudo ver. Ela carrega uma espada para defender seu povo." Ọ̀ṣún é um Òrìṣà feminino da nação Ijexá adotada e cultuada em todas as religiões afro-brasileiras. É o Òrìṣà das águas doces dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza, em Ọ̀ṣún, os fiéis também buscam auxílio para a solução de problemas no amor, uma vez que ela é a responsável pelas uniões e na vida financeira, tanto que muitas vezes é chamada de Senhora do Ouro que outrora era do Cobre por ser o metal mais valioso da época. Na natureza, o culto à Ọ̀ṣún costuma ser realizado nos rios e nas cachoeiras e, mais raramente, próximo às fontes de águas minerais. Ọ̀ṣún é símbolo da sensibilidade e muitas vezes derrama lágrimas ao incorporar, característica que se transfere a seus filhos identificados por chorões. Candomblé Bantu - a Nkisi Ndandalunda, Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi, tem semelhanças com Ọ̀ṣún. Candomblé Ketu - Divindade das águas doces, Ọ̀ṣún é a padroeira da gestação e da fecundidade, recebendo as preces das mulheres que desejam ter filhos e protegendo-as durante a gravidez. Protege, também, as crianças pequenas até que comecem a falar, sendo carinhosamente chamada de Mamãe por seus devotos.


Saudação: Iê iêu!

Dia da Semana:
Sábado

Número:
08 e seus múltiplos

Cor:
Todos os tons de amarelo, a escolha do tom depende da característica da Mãe

Guia:
toda amarela de um mesmo tom, o tom varia com a característica da Mãe

Oferenda:
canjica amarela cozida e quindim, e o famoso omolucum

Algumas Oriṣás
Ọ̀ṣún cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:
Ọ̀ṣún EPandá Ibedji = muito jovem e vaidosa (cor amarelo ouro claro, podendo usar 4 amarelas e 1 vermelha)

Ọ̀ṣún EPandá
=
outra guerreira é a verdadeira Ọ̀ṣún Ijesa que veio de Ijesa ou de Ipondá (cor amarelo ouro claro, podendo usar 8 amarelas e 1 vermelha)

Ọ̀ṣún Opará
=
mais jovem e guerreira (amarelo ouro claro)

Yeye Odo
=
muito semelhante a docò = é a Ọ̀ṣún das fontes; talvez seja a mesma que íyá mi Odo ou Iya Nodo, confundida com Yemánjá idosa, porem não existe ligação alguma. (cor amarelo ouro escuro, podendo usar 4 amarela e 1 branca)

Yeye Kaiò
=
é um tipo de Ọ̀ṣún mais velha, autoritária é guerreira e agressiva. (cor amarelo ouro, podendo usar 1 amarela e 1 preta)

Ọ̀ṣún Demun ou Jimu
=
intermediaria ligada a magia das folhas e das águas (cor amarelo ouro escuro, podendo usar 4 amarela e 1 verde)

Ọ̀ṣún Olobá
=
jovem idosa (cor amarelo ouro)

Ọ̀ṣún Abalu ou Docô
=
muito velha. (cor amarelo ouro escuro, podendo usar 4 amarela e 1 branca)

Iyá Omi
=
idosa . (cor amarelo ouro escuro)


Ferramentas: todos adornos femininos em ouro, peixe, leque, caramujos, coração, moedas e búzios

Ave:
Galinha amarela

Quatro pé:
cabrita branca ou amarela

Sete folhas mais usadas para Ọ̀ṣún: Efirin, Eré tuntún, Macassá, Teté, Ejá Omodé, Wuê mimolé, Ewê boyí funfun

Lenda

Quando Òòṣàálá estava criando o mundo, escolheu Ọ̀ṣún para ser protetora das crianças. Ela deveria zelar pelos pequeninos desde o momento da concepção, ainda no ventre materno, até que pudessem usar o raciocínio e se expressar em algum idioma. Por isso, Ọ̀ṣún é considerada a deusa da fertilidade e da maternidade.
Por sua beleza, Ọ̀ṣún também é tida como a deusa da vaidade, sendo vista como uma Òrìṣà jovem e bonita, mirando-se em seus espelhos (abebê) e abanando-se com seu leque (abelê). Quando todos os Òrìṣàs chegaram à terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Ọ̀ṣún ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para vingar-se, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados, os Òrìṣàs dirigiram-se a Olórum e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam em suas assembleias.
Olórum perguntou se Ọ̀ṣún participava das reuniões e os Òrìṣàs responderam que não. Olórum, explicou-lhes então que, sem a presença de Ọ̀ṣún e do seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo. De volta a terra, os Òrìṣàs convidaram Ọ̀ṣún para participar de seus trabalhos, o que ela acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados. Senhora soberana das águas doces. Todos os rios, lagos, lagoas e cachoeiras pertencem a este Òrìṣà. O casamento, o ventre e a fecundidade e as crianças são de Ọ̀ṣún, assim como, talvez por consequência, a felicidade.

O ouro e o dinheiro em todas as suas espécies também são de Ọ̀ṣún. Pela hierarquia é o primeiro Òrìṣà doce seguida de Iemanjá e Oalá, formando assim o grupo de Òrìṣàs chamado de Cabeças Grande. Em uma lenda conta-se que quando os Òrìṣàs chegaram ao mundo eram feitas reuniões onde as mulheres não poderiam participar, Ọ̀ṣún insatisfeita com a decisão retirou toda a fecundidade do mundo, nada mais crescia e nada mais nascia. Os homens da terra começaram a desacreditar nos Òrìṣàs, pois a eles recorriam e não obtinham a solução desejada, pois a fecundidade pertence ao Òrìṣà em tal insatisfação. O Grande Pai explicou aos Òrìṣàs que sem Ọ̀ṣún nas decisões sobre a terra nada adiantaria, pois ela tinha o segredo da procriação. Sendo assim Todos foram até a Mãe, que aceitou as desculpas, começou a participar das reuniões e o mundo retomou seu rumo normal.

Ọ̀ṣún é concebida por Yemonjá e Òrùnmílá


Um dia Òrùnmílá saiu de seu palácio para dar um passeio acompanhado de todo seu séqüito. Em certo ponto deparou com outro cortejo, do qual a figura principal era uma mulher muito bonita. Òrùnmílá ficou impressionado cm tanta beleza e mandou Èṣù, seu mensageiro, averiguar quer era ela. Èṣù apresentou-se ante a mulher com todas as reverências e falou que seu senhor, Òrùnmílá, gostaria de saber seu nome. Ela disse que era Yemonjá, rainha das águas e esposa de Oṣalá.
Èṣù voltou à presença de Òrùnmílá e relatou tudo o que soubera da identidade da mulher. Òrùnmílá, então, mandou convidá-la ao seu palácio, dizendo que desejava conhecê-la. Yemonjá não atendeu o seu convite de imediato, mas um dia foi visitar Òrùnmílá.
Ninguém sabe ao certo o que se passou no palácio, mas o fato é que Yemonjá ficou grávida depois da visita a Òrùnmílá. Yemonjá deu a luz a uma linda menina. Como Yemonjá já tivera muitos filhos com seu marido, Òrùnmílá enviou Èṣù para comprovar se a criança era mesmo filha dele. Ele devia procurar sinais no corpo. Se a menina apresentasse alguma marca, mancha ou caroço na cabeça seria filha de Òrùnmílá e deveria ser levada para viver com ele.
Assim foi atestado, pelas macas de nascença, que a criança mais nova de Yemonjá era de Òrùnmílá. Foi criada pelo pai, que satisfazia todos os seus caprichos.
Por isso cresceu cheia de vontades e vaidades, o nome dessa filha é Ọ̀ṣún.

Ọ̀ṣún exige a filha do rei em sacrifício

Certa vez, o rei de Oloú, precisava atravessar o rio onde vivia Ọ̀ṣún, o rio naquele dia se encontrava enfurecido e os exércitos do rei não podiam passar pelas traiçoeiras correntezas.
Oloú fez um pacto com Ọ̀ṣún para que baixasse o nível das águas, em troca lhe oferecia uma bela prenda, Ọ̀ṣún entendeu que Oloú estava prometendo Prenda Bela.
Prenda Bela era o nome da mulher de Oloú, filha dileta do rei de Ibadã. Ọ̀ṣún baixou o nível das águas e Oloú passou com seu exército. Oloú jogou no rio a bela prenda: uma grande oferenda com as melhores comidas e bebidas, os mais finos tecidos, jóias luxuosas e raros perfumes, correntes de ouro puro, banhos preciosos.
Tudo foi devolvido para as areias das margens de Ọ̀ṣún, Ọ̀ṣún só queria Prenda Bela, a princesa. Tempos depois, Oloú retornou vitorioso de sua expedição e, ao chegar ao rio, este novamente estava turbulento, o rei ofereceu de novo o mesmo que ofertara antes: uma bela prenda com as melhores comidas e bebidas os mais finos tecidos, jóias luxuosas e raros perfumes, correntes de ouro puro, banhos preciosos.
Ọ̀ṣún recusou o oferecido, tudo foi devolvido à praia, intocado, ela queria Prenda Bela, a esposa de Oloú, que estava grávida, contrariado, mas sem ter outra saída, Oloú lançou ao rio sua indefesa e grávida consorte, ao ser lançada às águas revoltas, Prenda Bela deu à luz uma criança, Ọ̀ṣún devolveu a criança; era somente Prenda Bela que ela queria.
Oloú seguiu seu caminho, retornando muito triste a seu reino, o rei Ibadã logo foi informado do fim trágico da filha, declarou guerra a Oloú, venceu-o e o expulsou para sempre do país.

Ọ̀ṣún Apará tem inveja de Oyá

Vivia Ọ̀ṣún no palácio em Ijimu, passava os dias no seu quarto olhando seus espelhos, eram conchas polidas onde apreciava sua imagem bela.
Um dia saiu Ọ̀ṣún do quarto e deixou à porta aberta, sua irmã Oyá entrou no aposento, extasiou-se com aquele mundo de espelhos, viu-se neles.
As conchas fizeram espantosa revelação a Oyá, ela era linda! A mais bela! A mais bonita de todas as mulheres! Oyá descobriu sua beleza nos espelhos de Ọ̀ṣún, Oyá se encantou, mas também se assustou: era ela mais bonita que Ọ̀ṣún, a Bela.
Tão feliz ficou que contou do seu achado a todo mundo, e Ọ̀ṣún Apará remoeu amarga inveja, já não era a mais bonita das mulheres, vingou-se.
Um dia foi à casa de Egungum e lhe roubou o espelho, o espelho que só mostra a morte, a imagem horrível de tudo o que é feio, pôs o espelho do Espectro no quarto de Oyá e esperou, Oyá entrou no quarto, deu-se conta do objeto, Ọ̀ṣún trancou Oyá pelo lado de fora, Oyá olhou no espelho e se desesperou.
Tentou fugir, impossível, estava presa com sua terrível imagem, correu pelo quarto em desespero, atirou-se no chão, bateu a cabeça nas paredes, não logrou escapar nem do quarto nem da visão tenebrosa da feiúra. Oyá enlouqueceu, Oyá deixou este mundo.
Obàtálá, que a tudo assistia, repreendeu Apará e transformou Oyá em Òrìsà. Decidiu que a imagem de Oyá nunca seria esquecida por Ọ̀ṣún. Obàtálá condenou Apará a se vestir para sempre com as cores usadas por Oyá, levando nas jóias e nas armas de guerreira o mesmo metal empregado pela irmã.

Xapanã

A definição de Xapanã é dada por Pierre Verger no livro Òrìṣàs da Editora Corrupio: Xapanã nasceu em Empe, no território Tapa, também chamado, Nupe. Era um guerreiro terrível que, seguido de suas tropas, percorria o céu e os quatro cantos do mundo. Ele massacrava sem piedade aqueles que se opunham à sua passagem. Seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste."
Xapanã - É segundo alguns pesquisadores semelhante ou igual a Obaluaiyê ou Sakpatá; é o Òrìṣà da varíola, e de todas as doenças de pele, tanto pode provocá-las quanto curar as enfermidades, é cultuado na maioria dos terreiros do Brasil sendo muito respeitado e temido por todos seguidores das Religiões Afro-brasileiras.
Costuma-se dizer que o nome Xapanã é tabu, preferindo-se referir-se a ele como Obaluaiyê ou Omolu, ainda que no Batuque do Rio Grande do Sul este nome seja pronunciado de maneira genérica.
Na Bahia Xapanã seria simplesmente uma das "qualidades" ou manifestações de Obaluaiyê, estreitamente ligado ao fogo e à sexualidade.

Saudação: Abao!

Dia da Semana:
Quarta-feira

Número:
07, 09 e seus múltiplos

Cor:
Vermelho e preto, roxo com preto ou lilas com branco

Guia:
1x1, 7x7 ou 9x9 dependendo da qualidade do Òrìṣà varia a cor.

Oferenda:
Pipoca, feijão cozido ou torrado, amendoim e milho torrado, farinha feita de amendoim com carne seca.

Alguns Oriṣás Xapanã cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:

Xapanã jubeteí ou Jagun Agbagba =
ligação com Oyá (cor preto e vermelho 1 x 1)

Barun Soponna/Sapata/Sakpatá
=
o feiticeiro entre os xapanas é o mais novo (preto e vermelho 9 x 9)

Savalu/Sapekó (ligação com Nana)
=
muito raro, esta divindade praticamente não se vê nos templos (roxo)

Gama ou Arinwarun (wariwaru
) =
título de xapanan (lilás e branco 1 x1)

xapanã Jubeteió ou Arawe/Arapaná
=
ligação com Oyá mais velho(lilás com branco 1 x 1)

Azoani
=
ligação com Yemanjá e Oyá (preto com vermelho 1 x 1)

Ferramentas: Xaxará, vassoura, cachimbo, revolver (todas armas de fogo), favas, moedas e búzios.

Ave:
Galo Carijó preto e branco

Quatro pé:
Cabrito Branco


Sakpata - é a denominação fon do Vodum do panteão da terra. É o grande Ayi-vodun dos Ewe-fon, por isso intitulado Ayinon (o dono da terra). Considerado filho mais velho de Mawu ele é enfim, o Rei do Mundo, originariamente vodun senhor da varíola e, por extensão, de inúmeras enfermidades contagiosas que deformam o corpo. Todo o povo fon o teme enormemente e o cultua fervorosamente e possui uma grande quantidade de representações, cada uma sendo um aspecto de doenças e infecções.

A tradição aponta a origem do culto de Sakpatá na localidade de Kpeyin Vedji, um enclave Yorubá dentro do território mahi a noroeste de Abomei. Desta dupla procedência permanece a curiosidade de que Sakpatá é considerado uma divindade Yorubá ("nagô") pelos fon e gun ("jêje") pelos Yorubás.

Kohossú, cujo nome significa "Rei da Lama" é o pai de todos os Sakpatás;

Nyohwe
Ananú, dona da água parada que mata de repente é a mãe, e são ambos os filhos de Nà Buùku.

Da Zodji,
envia a disenteria e os vômitos, considerado o mais velho de todos. Ele não tem braços ou pernas e é carregado numa padiola, mas tem o poder da invisibilidade e, apesar do defeito físico, comanda todos os Sakpatás.

Da Langan
come a carne das pessoas ainda vivas.

Da Sinji
traz as inchações e tromboses.

Aglossuntó
é responsável pelas feridas e chagas que nunca cicatrizam.

Adohwan
castiga perfurando os intestinos.

Avimadjé
é o que leva as almas dos que morreram punidos por Sakpatá.

Bossu-Zohon
é o grande feiticeiro.

Alogbê
possui cinco braços e é ligado aos tohossú

Adan Tanyi
é filho de Da Zodji, e traz a lepra.

Suvinengué
um abutre com cabeça humana e é filho de Da Langan.

Existem várias outras denominações: Agbologbodji, Tonekpó, Gbazu, Ahossú Ganhwa, Kpadadadaligbo (que é fêmea) etc., cujos nomes, atribuições e lugar dentro da "família" variam de região para região.

Outra tradição conta que Sakpatá é uma divindade dupla, tanto macho como fêmea. O macho sendo Da Zodji e a fêmea sua irmã Nyohwe Ananu, gêmeos nascidos do primeiro parto da entidade andrógina Mawu-Lissá.

Sakpatá é cultuado em seus templos sob um aspecto duplo. Possui o aspecto Jeholú ("Rei das Jóias", que seriam as pústulas trazidas pela varíola) que é tratado internamente e não recebe sacrifícios de sangue diretamente, mas é lustrado com uma mistura de sangue e azeite de dendê e envolto por panos. O aspecto Zun-holú ("Rei da Floresta") fica do lado de fora, recebe os sacrifícios de sangue diretamente sobre ele e é coberto por rodilhas de ramos secos da palmeira de ráfia (Raffia vinifera) palha-da-costa, e é um montículo que pode ser mais alto do que um homem. Os sacerdotes e fiéis o tratam como um ente vivo, o reverenciam, abraça, etc. Zun-holú de tamanhos mais modestos podem ser vistos diante dos hunkpame de outros voduns, sobretudo nos de Heviossô.

A iniciação de Sakpatá entre os fon consiste em duas partes. Na primeira e mais longa, os neófitos permanecem no hunkpame vários meses submetendo-se a disciplina rígida de silêncios, jejuns, aprendizagem de cânticos e danças rituais e nesta eles são chamados de agamassi. No final desta fase, as famílias juntam dinheiro para realizar um grande ritual, no qual os neófitos morrem simbolicamente e ficam escondidos por três dias dos olhos de todos, e depois são trazidos para fora enrolados em mortalhas e são publicamente "ressuscitados" pelo Aklunon (ministro do culto). A partir daí eles recebem seus nomes de iniciação e passam a ser chamados de anagonu, por causa da acreditada origem nagô do vodun; ou "Azonsi", que em francês se escreve azonsu.

No antigo Reino do Daomé, o culto de Sakpatá era olhado com suspeita, às vezes banido (e o foi, definitivamente, de Abomei). Uma vodunsi de Sakpatá não pode ser dada como esposa para o rei, e havia sempre a suspeita maior de que seus sacerdotes espalhavam deliberadamente a doença para aumentar seu poder. Mas outra questão importante neste caso é o fato de que Sakpatá abertamente desafia o poder real portando os títulos de Ayinon e Jeholú, que são títulos que o rei também possui.

Itan de Xapanã
Assim chegou Xapanã em território Mahi, no Daomé. A terra dos Mahis abrangia as cidades de Savalu e Dassa Zumê no Benim.

Quando souberam da chegada iminente de Xapanã, os habitantes desta região, apavorados, consultaram um adivinho. E assim ele falou:- "Ah! O Grande Guerreiro chegou de Empê! Aquele que se tornará o senhor do país! Aquele que tornará esta terra rica e próspera chegou! Se o povo não o aceitar, ele o destruirá!

É necessário que supliquem a Xapanã que os poupe. Façam-lhe muitas oferendas; todas as que ele goste: inhame pilado, feijão, farinha de milho, azeite de dendê, picadinho de carne de bode e muita, muita pipoca!
Será necessário também que todos se prosternem diante dele, que o respeitem e o sirvam. Logo que o povo o reconheça como pai, Xapanã não o combaterá, mas protegerá a todos!"

Quando Xapanã chegou, conduziu seus ferozes guerreiros, os habitantes de Savalu e Dassa Zumê no Benim reverenciaram-no, encostando suas testas no chão, e saudaram-no:

"Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!"

Respeito e Submissão!

Xapanã aceitou os presentes e as homenagens, dizendo: "Está bem! Eu os pouparei! Durante minhas viagens, desde Empê, minha terra natal, sempre encontrei desconfiança e hostilidade. Construam para mim um palácio. É aqui que viverei a partir de agora!"

Xapanã instalou-se assim entre os Mahis. O país prosperou e enriqueceu e o Grande Guerreiro não voltou mais a Empê, no território Tapá, também chamado Nupê.

Xapanã é considerado o deus da varíola e das doenças contagiosas. Ele tem também o poder de curar. As doenças contagiosas são, na realidade, punições aplicadas àqueles que o ofenderam ou conduziram-se mal. Seu verdadeiro nome é perigoso demais pronunciar. Por prudência, é preferível chamá-lo Obaluaiyê, o "Rei, Senhor da Terra" ou Omolu, o "Filho do Senhor".

Quando Xapanã instalou-se entre os Mahis recebeu, em uma nova terra, o nome de Sakpatá. Aí, também, era preferível chamá-lo Ainon, o "Senhor da Terra", ou, então, Jeholú, o "Senhor das pérolas".

O fato de ser chamado Jeholú e Ainon causou mal-entendidos entre Sakpatá e os reis do Daomé, pois eles também usavam estes títulos.

Enciumados, os Jeholú de Abomey expulsaram, várias vezes, Jeholú Ainon do Daomé e obrigaram-no a voltar momentaneamente, à terra dos Mahis.

Lenda
Nanã era considerada a deusa mais guerreira do Daomé. Um dia, ela foi conquistar o reino de Oṣalá e se apaixonou por ele. Mas este não queria se envolver com outro Òrìṣà que não fosse sua amada esposa Iemanjá. Por isso, explicou tudo a Nanã, mas ela não se fez de rogada. Sabendo que Oṣalá adora vinho de palma, embriagou-o. Ele ficou tão bêbado que se deixou seduzir por Nanã, que acabou ficando grávida. Mas, por ter transgredido uma lei da natureza, deu à luz um menino horrível; não suportando vê-lo, lançou-o no rio. A criatura foi mordida por caranguejos, ficando toda deformada; por sua terrível aparência, passou a viver longe dos outros Òrìṣàs. De tempos em tempos os Òrìṣàs se reuniam para uma festa. Todos dançavam menos Xapanã, que ficava espreitando da porta, com vergonha de sua feiúra. Ogum percebeu o que acontecia e, com pena, resolveu ajudá-lo, trançando uma roupa de mariwo – uma espécie de fibra de palmeira – que lhe cobriu todo o corpo. Com esse traje ele voltou á festa e despertou a curiosidade de todos, que queriam saber quem era o Òrìṣà misterioso. Oyá, a mais curiosa de todos, aproximou-se; nesse momento, formou-se um turbilhão e o vento levantou a palha, revelando um rapaz muito bonito. Desde então os dois Òrìṣàs vivem juntos e reinam sobre os mortos. Abao! Papai.

Este Òrìṣà conhecido por sua fúria e vingança contra malfeitores e pessoas que tratam as coisas sem o devido respeito e honestidade, é muito respeitado em todas as Nações da África ao Brasil. Pertence a Xapanã todas as doenças materiais e espirituais, principalmente as doenças de pele, como varíola e a lepra, com estas normalmente castiga quem merece. Uma de suas missões no mundo material e espiritual é varrer as coisas que não tem mais utilidade, por este e outros motivos, é um dos Òrìṣàs que responde junto com Ṣàngó e Oyá pelos processos de desencarnação, pelos cemitérios, pela destruição e em defesa dos espíritos maléficos.

Xapanã
ganha o segredo da peste na partilha dos poderes
Olodumarè, um dia decidiu distribuir seus bens.
Disse aos seus filhos que se reunissem e que eles mesmos repartissem entre si as riquezas do mundo. Ògún, Èṣù, Òrìsà Ocô, Ṣàngó, Xapanã e os outros Òrìsà deveriam dividir os poderes e mistérios sobre as coisas na Terra.
Num dia em que Xapanã estava ausente, os demais se reuniram e fizeram a partilha, dividindo todos os poderes entre eles, não deixando nada de valor pra Xapanâ. Um ficou com o trovão, o outro recebeu as matas, outro quis os metais, outro ganhou o mar. Escolheram o ouro, o raio, o arco-íris; levaram a chuva, os campos cultivados, os rios.
Tudo foi distribuído entre eles, cada coisa com seus segredos, cada riqueza com o seu mistério. A única coisa que sobrou sem dono, desprezada, foi à peste. Ao voltar, nada encontrou Xapanã para si, a não ser a peste, que ninguém quisera.
Xapanã guardou a peste para si, mas não se conformou com o golpe dos irmãos. Foi procurar Òrùnmílá, que lhe ensinou a fazer sacrifícios, para que seu enjeitado poder fosse maior que o do outros. Xapanã fez sacrifícios e aguardou.
Um dia, uma doença muito contagiosa começou a espalhar-se pelo mundo. Era a varíola. O povo, desesperado, fazia sacrifícios para todos os Òrìsà, mas nenhum deles podia ajudar. A varíola não poupava ninguém, era uma mortandade. Cidades, vilas e povoados ficavam vazios, já não havia espaço nos cemitérios para tantos mortos. O povo foi consultar Òrùnmílá para saber o que fazer. Ele explicou que a epidemia acontecia porque Xapanã estava revoltado, por ter sido passado para trás pelos irmãos. Òrùnmílá mandou fazer oferendas para Xapanã. Só Xapanã poderia ajudá-los a conter a varíola, pois só ele tinha o poder sobre as pestes, só ele sabia os segredos das doenças.
Tinha sido essa sua única herança. Todos pediram proteção a Xapanã e sacrifícios foram realizados em sua homenagem. A epidemia foi vencida.
Xapanã então era respeitado por todos. Seu poder era infinito, o maior de todos os poderes.

Obaluayê conquista Daomé
Um dia Obaluayê saiu com seus guerreiros, ia em direção à terra dos mahis, no Daomé. Obaluayê era conhecido como um guerreiro sanguinário, atingindo a todos com as pestes, quando estes se opunham a seus desejos.
Os habitantes do lugar, quando souberam de sua chegada, foi em busca de ajuda de um adivinho, ele recomendou que fizessem oferendas, com muita pipoca, inhame pilado, dendê e todas as comidas de que o guerreiro gostasse, pipocas acalmam Obaluayê, disse que seria aconselhável que todos se prostrassem diante dele, assim o fizeram.
"Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!"
"Respeito! Silêncio!"

Obaluayê, satisfeito com a sujeição daquele povo, os poupou declamou que a partir daquele dia viveria naquele reino, assim o fez e em pouco tempo o país tornou-se próspero e rico.
Obaluayê recebeu nas terras mahis o nome de Sapaktá, mesmo assim era preferível chamá-lo de Ainon, senhor das Terras, ou Jeholu, senhor das pérolas.
Esses diferentes nomes foram adotados por famílias importantes, mas infelizmente provocaram desentendimentos entre elas e os reis do Daomé. Muitas vezes as famílias de Sapatá foram expulsas do reino e, em represália, muitos reis daomeanos morreram de varíola.
Tanta discórdia provocou seu nome, que hoje ninguém sabe mais qual o melhor nome para se chamar Obaluayê

Omulu ganha pérolas de Yemonjá

Omulu foi salvo por Yemonjá quando sua mãe, Nanã Burucu, ao vê-lo doente, coberto de chagas, purulento, abandonou-o numa gruta perto da praia.
Yemonjá recolheu Omulu e o lavou com a água do mar, o sal da água secou sua feridas, Omulu tornou-se um homem vigoroso, mas ainda carregava as cicatrizes, as marcas feias da varíola.
Yemonjá confeccionou para ele uma roupa toda de ráfia, e com ela ele escondia as marcas de suas doenças, ele era um homem poderoso, andava pelas aldeias e por onde passava deixava um rastro ora de cura, ora de saúde, ora de doença, Mas continuava sendo um homem pobre.
Yemonjá não se conformava com a pobreza do filho adotivo, Ela pensou:
"Se eu dei a ele a cura, a saúde, não posso deixar que seja sempre um homem pobre". Ficou imaginando quais riquezas, poderia da a ele.
Yemonjá era a dona da pesca, tinha os peixes, os polvos, os caramujos, as conchas, os corais, tudo aquilo que dava vida ao oceano pertencia a sua mãe, Olokun, e ela dera tudo a Yemonjá.
Yemonjá resolveu então ver suas jóias tinham algumas, mas enfeitava-se mesmo era com algas, ela enfeitava-se com água do mar, vestia-se de espuma, ela adorava-se com o reflexo de Oṣu, a Lua.
Mas Yemonjá tinha uma grande riqueza e essa riqueza eram as pérolas, que as ostras fabricavam para ela. Yemonjá, muito contente com sua lembrança, chamou Omulu e lhe disse:
"De hoje em diante, és tu quem cuida das pérolas do mar. Será assim chamado de Jeholu, o Senhor das Pérolas".
Por isso as pérolas pertencem a Omulu, por baixo de sua roupa de ráfia, enfeitando seu corpo marcado de chagas, Omulu ostenta colares e mais colares de pérola, belíssimo colares.

Osanyin



Òsanyìn é a divindade das folhas sagradas, ervas medicinais e litúrgicas. Sua importância é primordial. Nenhuma cerimônia pode ser realizada sem sua interferência. O seu sacerdote é o Babá Olosayìn.
É o detentor do àṣe (força, poder, vitalidade), de que nem mesmo os Orixás podem privar-se. Esse àṣe encontra-se em folhas e ervas específicas. O nome dessas folhas e o seu emprego é a parte mais secreta do ritual do culto dos Òrìṣà, Vodun e Inkice.

O símbolo de Òsanyìn é uma haste de ferro de cuja extremidade superior parte sete pontas dirigidas para o alto. A do centro é encimada pela imagem de um pássaro.

Òsanyìn é o companheiro constante de Ifá. É representado por uma sineta de ferro forjado, terminada por uma haste pontuda enfiada em uma grande semente. A haste é fincada no chão, ao lado do osun (o asen dos fon) do babalawo. Por sua presença, Òsanyìn traz a influência das folhas para as operações da adivinhação.
Ossaniyn, Ossaim, Òsanyìn , Ossãe, Ossain (como se escreve habitualmente) ou Ossanha (na Umbanda) que é o Òrìṣà das ervas, no candomblé Jeje é chamado de Agué é o Vodun da caça e das florestas e conhece os segredos das folhas, no Candomblé Bantu é chamado de Katendê, Senhor das insabas (folhas).
Comanda as folhas medicinais e litúrgicas, muitas vezes é representado com uma única perna. Cada Òrìṣà tem a sua folha, mas só Ossaim detém seus segredos. E sem as folhas e seus segredos não há àse, portanto sem ele nenhuma cerimônia é possível.

Saudação: Eu! Eu!
Dia da Semana: Segunda - feira

Número:
07 e seus múltiplos

Cor:
Verde Claro, ou em alguns casos o branco e amarelo

Guia:
01 conta verde e 01 conta branca ou 01 amarelo e 01verde

Oferenda:
carne de porco, farinha, folhas de deste Òrìṣà, ou pipoca e 02 iapeté (batata inglesa esmagada com azeite-de-dendê, a qual se dá forma de cabaça) um com casca e outro sem.

Alguns Oriṣás Òsanyìn
cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:

Delé = mais novo –  (sua cor branco e verde 1 x 1)

Aroni
= mais velho – Eventual companheiro de Ossaim. Figura anã que como Saci Pererê traz sempre um cachimbo e anda de uma perna só. Compartilha com Ossaim o Axé das folhas. Ele é o responsável por causar o terror em pessoas que entram na floresta sem a devida permissão. Além de anão, possui um olho pequeno e o outro grande (vê com o menor) e tem uma orelha pequena e a outra grande (ouve com a menor). Muitas vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem, também possui uma única perna. (sua cor verde)

Serebuá
= Quem guarda os segredos mágicos das folhas, ele quem recebeu o encanto

Modum
= Velho feiticeiro, quem conhece e fala com as arvores e os antigos moradores encantados das matas mágicas.

Ferramentas: coqueiro, muleta, bisturi, cágado, moedas e búzios, sua ferramenta tem uma haste central com um pássaro na ponta, do meio dessa haste saem sete pontas.

Ave:
Galo arrepiado ou de pescoço pelado ou galo branco

Quatro pé:
Cabrito malhado claro


Lenda
Era filho caçula de Yemanjá e Oṣalá e, desde pequeno, vivia no mato. Tinha uma habilidade especial para tratar qualquer doença, por isso viajava pelo mundo inteiro, sendo sempre recebido com carinho pelo rei de cada tribo.
Ele recebeu de Olórum o segredo das folhas; assim, sabia qual delas curava doenças, trazia vigor ou deixava as pessoas mais calmas. Os outros Orixás invejavam o irmão, pois não tinhas esse poder e dependiam de Ossanha para ter sucesso. Ele cobrava por qualquer trabalho, aceitando mel, fumo e cachaça como pagamento para as curas que realizava. Ṣàngó, que era temperamental, não admitia depender dos serviços de Ossanha, e por isso pediu a sua esposa Oyá, Òrìṣà que domina os ventos, para que as folhas voassem em direção a todos os Orixás, para que cada qual exercesse domínio sobre uma delas.

Em meio à ventania, Ossanha repetia sem parar: “Eu eu assa!”, que significa “Oh, folhas!”. E com esse tipo de reza, embora cada Òrìṣà tenha se apossado de uma filha, Ossanha evitou que seu poder fosse atribuído entre os irmãos, pois só ele conhecia o axé de cada uma delas e o segredo de pronunciar essas palavras de maneira a conservar o poder sobre elas. Com sua sabedoria, até hoje Ossanha permanece como o rei da floresta, sendo considerado o Òrìṣà da medicina. A este Orixá pertence todas as folhas medicinais e ervas utilizadas nos rituais de Nação, por este motivo, temos um Orixá muito respeitado e cultuado em todos as Casas de Religião, podemos dizer que Ossanha possui a solução para todos os problemas relacionados a cura de enfermos, tanto material quanto espiritual. Conta uma lenda muito difundida em Cuba, que certo dia Ṣàngó se queixa a Oyá uma de suas mulheres, que somente Ossanha possuía o segredo medicinal das ervas, e, portanto todos os Orixás estavam dependendo dele na terra. Para agradar o Marido, Oyá lança seus ventos fortes aos quatro cantos do mundo, estes ventos derrubaram a cabaça de Ossanha que estava pendurada em uma árvore, quando o Orixá viu aquilo acontecer saiu gritando: "Ewé O! Ewé O!" ('Oh! As folhas! Oh! As folhas!'), só que já era tarde demais, os Orixás pegaram o que foi possível e as repartiram entre si. Este Òrìṣà não possui uma das pernas, caminha com auxílio de muletas, quando se manifesta em algum filho, este dança normalmente em apenas em uma de suas pernas.

Itan de Òsanyìn

Òsanyìn recebera de Olodumare o segredo das folhas. Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor. Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidentes. Os outros Òrìṣà não tinham poder sobre nenhuma planta. Eles dependiam de Ossain para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.

Ṣàngó, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso, irritado por esta desvantagem, usou de um ardil para tentar usurpar a Òsanyìn a propriedade das folhas. Falou dos planos à sua esposa Oyá, a senhora dos ventos. Explicou-lhe que, em certos dias, Òsanyìn pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas. - Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias, disse-lhe Ṣàngó. Oyá aceitou a missão com muito gosto.

O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram.

Os Òrìṣà se apoderaram de todas. Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Òsanyìn permaneceu "senhor do segredo" de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação. E assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto. Graças ao poder (àse) que possui sobre elas.


Òsanyìn dá uma folha para cara Òrìà
Òsanyìn, filho de Nanã e irmão de Oumarê, Ewá e Obaluayê, era o senhor da folhas, da ciência e das ervas, o Òrìsà que conhece o segredo da cura e o mistério da vida. Todos os Òrìàs recorriam a Òsanyìn para curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo. Todos dependiam de Òsanyìn na luta contra a doença. Todos iam à casa de Òsanyìn oferecer seus sacrifícios. Em troca Òsanyìn lhes dava preparados mágicos: banhos, chás, infusões, pomadas, abo, beberagens. Curava as dores, as feridas, os sangramentos; as desinteiras, os inchaços e fraturas; curava as pestes, febres, órgãos corrompidos; limpava a pele purulenta e o sangue pisado; livrava o corpo de todos os males.
Um dia Ṣàngó, que era o deus da justiça, julgou que todo os Òrìà deveriam compartilhar o poder de Òsanyìn, conhecendo o segredo das ervas e o dom da cura. Ṣàngó sentenciou que Òsanyìn dividisse suas folhas com os outros Òrìà. Mas Òsanyìn negou-se dividir suas folhas com os outros Òrìàs. Ṣàngó então ordenou que Oyá soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio todas as folhas das matas de Òsanyìn par que fossem distribuídas ao Òrìsà. Oyá fez o que Ṣàngó determinara. Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas e as arrastou pelo ar em direção ao palácio de Ṣàngó. Òsanyìn percebeu o que estava acontecendo e gritou: ”Euê uassá!” “As folhas funcionam!”
Òsanyìn ordenou que as folhas voltassem às suas matas e as folhas obedeceram às ordens de Òsanyìn. Quase todas as folhas retornaram para Òsanyìn. As que já estavam em poder de Ṣàngó perderam o Àṣe, perderam o poder de cura.
O Òrìṣa-rei, que era um Òrìsà justo, admitiu a vitória de Òsanyìn. Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Òsanyìn e que assim devia permanecer através dos séculos. Òsanyìn, contudo, deu uma folha a cada Òrìṣà, deu uma ewè pra cada um deles. Cada folha com seus Àṣe e seus ofós, que são as cantigas de encantamento, sem as quais a folhas não funcionam. Òsanyìn distribuiu as folhas aos Òrìṣa para que eles não mais o invejassem. Eles também podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos mais profundos ele guardou para si.
Òsanyìn não conta seus segredos para ninguém, Òsanyìn nem mesmo fala. Fala por ele seu criado Aroni. Os Òrìṣà ficaram gratos a Òsanyìn e sempre o reverenciam quando usam as folhas.

Òsanyìn é mutilado por Òrùnmílá
Òsanyìn vivia numa guerra não declarada contra Òrùnmílá, procurando sempre enganá-lo, preparando armadilhas, para transtorno do velho.

Um dia Òrùnmílá foi consultar Ṣàngó para descobrir quem seria aquele inimigo oculto que o atormentava, Ṣàngó aconselhou-o a fazer oferendas, devia oferecer doze mechas de algodão em chamas e doze pedras de raio, edum ará, se isso fosse feito, seria desvendado o segredo.

Ao iniciar o ritual, Òrùnmílá invocou o poder do fogo, no mesmo momento, Òsanyìn andava pela mata procurando novamente algo para enfeitiçar Òrùnmílá, Òsanyìn foi surpreendido por um raio, que lhe mutilou o braço e a perna e o cegou de um olho.

Òrùnmílá seguiu para o local onde se via o fogo e ouviu gemidos do aleijado, ao tentar ajudar a vítima, encontrou Òsanyìn, descobrindo por fim quem era seu misterioso inimigo.

Òsanyìn recusa-se a cortar as ervas miraculosas.
Òsanyìn era o nome de um escravo que foi vendido a Òrùnmílá. Um dia ele foi à floresta a lá conheceu Aroni, que sabia tudo sobre as plantas. Aroni, o gnomo de uma perna só, ficou amigo de Òsanyìn e ensinou-lhe todo o segredo das ervas. Um dia, Òrùnmílá, desejoso de fazer uma grande plantação, ordenou a Òsanyìn que roçasse o mato de suas terras. Diante de uma planta que curava dores, Òsanyìn exclamava: "Esta não pode ser cortada, é as erva as dores". Diante de uma planta que curava hemorragias, dizia: "Esta estanca o sangue, não deve ser cortada". Em frente de uma planta que curava a febre, dizia: "Esta também não, porque refresca o corpo". E assim por diante.
Òrùnmílá, que era um babaláwo muito procurado por doentes, interessou-se então pelo poder curativo das plantas e ordenou que Òsanyìn ficasse junto dele nos momentos de consulta, que o ajudasse a curar os enfermos com o uso das ervas miraculosas. E assim Òsanyìn ajudava Òrùnmílá a receitar a acabou sendo conhecido como o grande médico que é.

Como Òsanyìn descobre o nome das folhas.

Òrùnmílá dá a Òsanyìn o nome das plantas.
Ifá foi consultado por Òrúnmílá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Òrúnmílá chegou ao céu Olódùmaré disse, eis todas as folhas que queria pegar o que fará com elas ?
Òrùnmílá respondeu que iria usá-las, disse que, iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra. Todas as folhas que Òrunmílá estava pegando, Òrúnmílá carregaria para a Terra.
Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra) Aí Òrúnmílá encontrou Òsanyìn no caminho.
Perguntou: Òsanyìn onde vai?
Òsanyìn disse; "Vou ao céu, disse ele, vou buscar folhas e remédios".
Òrúnmílá disse muito bem, disse, que já havia ido buscar folhas no céu, disse, para benefício dos seres humanos da terra. Disse, olhe todas essas folhas, Òsanyìn pode apenas arrebatar todas as folhas. Ele poderia fazer remédios (feitiços) com elas, porém não conhecia seus nomes.
Foi Òrúnmílá quem deu nome a todas as folhas. Assim Òrúnmílá nomeou todas as folhas naquele dia.
Ele disse, você Òsanyìn carrega todas as folhas para a terra, disse, volte, iremos para terra juntos.
Foi assim que Òrúnmílá entregou todas as folhas para Òsanyìn naquele dia. Foi ele quem ensinou a Òsanyìn o nome das folhas apanhadas.

Obá

Obá era uma mulher corajosa e guerreira, não tinha medo de nada.

Não era bonita nem fazia questão de ser formosa; seu único prazer era lutar e guerrear. Vencia todos os inimigos; nem mesmo o mais arteiro dos deuses, Èṣù, conseguia dobrá-la.

Todas as máquinas, carros e navios estão relacionados com Obá, pois a Ela pertencem a roda e o leme.

Saudação: Eṣó

Dia da Semana: Quarta-feira

Número:
07 e seus múltiplos

Cor:
Rosa

Guia:
toda rosa

Oferenda:
Feijão miúdo com canjica amarela e feijão miudo refogado com tempero verde

Alguns Oriṣás Obá cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:

Obá Gideo

Obá Rewá



Ferramentas:
navalha, timão, roda, moedas e búzios
Ave: Galinha cinza
Quatro pé: Cabrita mocha

Obá é possuída por Ògún

Obá escolheu a guerra como prazer nesta vida, enfrentava qualquer situação e assim procedeu com quase todos os Òrìsà. Um dia, Obá desfiou para a luta Ògún, o valente guerreiro, o ardiloso Ògún, sabendo dos feitos de Obá, consultou os babaláwo, eles aconselharam Ògún a fazer oferendas de espigas de milho e quiabos, tudo pilado, formando uma massa viscosa e escorregadia.
Ògún preparou tudo como foi recomendado e depositou o Ẹbọ num canto do lugar onde lutariam. Chegada a hora, Obá, em tom desafiador, começou a dominar a luta, Ògún levou-a ao local onde estava a oferenda, Obá pisou no Ẹbọ, escorregou e caiu, Ògún aproveitou-se da queda de Obá, num lance rápido tirou-lhe os panos e a possuiu ali mesmo, tornando-se, assim, seu primeiro homem.
Mais tarde Ṣàngó roubou Obá de Ògún.

Ọ̀ṣún engana Obá
Obá era uma das mulheres de Ṣàngó, mas ela não era nem aventureira como Oyá, nem dengosa como Ọ̀ṣún; por isso, se sentia desprezada pelo marido. Percebendo que Ṣàngó gostava da comida feita por Ọ̀ṣún, pediu-lhe que a ensinasse a cozinhar. Para enganá-la, Ọ̀ṣún cobriu a cabeça com um pano, fez uma sopa de cogumelos e disse que era o prato preferido de Ṣàngó, uma sopa com suas orelhas. Obá fez uma sopa em que colocou uma de suas orelhas. Quando Ṣàngó chegou, ela o serviu toda contente, mas quando ele viu a orelha, ficou enojado e brigou com ela. Nisso, Ọ̀ṣún tirou o pano da cabeça, mostrando as orelhas perfeitas, e começou a rir. Furiosa, Obá se atirou sobre ela e as duas brigaram até que Ṣàngó explodiu de raiva, fazendo as duas fugirem e se transformarem em rios. É por isso que, ao dançar, Obá cobre uma orelha com o escudo.