domingo, 29 de junho de 2008

Odé e Otin


Odé

Pierre Verger, em seu livro Òrìṣà, diz que o culto de Ọ̀ṣọ́si foi praticamente extinto na região de Ketu, na Iorubalândia, uma vez que a maioria de seus sacerdotes foram escravizados, tendo sido enviados à força para o Novo Mundo ou mortos.

Aqueles que permaneceram em Ketu deixaram de cultuá-lo por não se lembrarem mais como realizar os ritos apropriados ou por passarem a cultuar outras divindades.

Durante a diáspora negra, muitos escravos que cultuavam Ọ̀ṣọ́si não sobreviveram aos rigores do tráfico negreiro e do cativeiro, mas, ainda assim, o culto foi preservado no Brasil e em Cuba pelos sacerdotes sobreviventes e Ọ̀ṣọ́si se transformou, no Brasil, num dos Òrìṣà mais populares, tanto no candomblé, onde se tornou o rei da nação Ketu, quanto na umbanda, onde é patrono da linha dos caboclos, uma das mais ativas da religião.

Seu habitat é a floresta, sendo simbolizado pela cor verde, na umbanda e recebendo a cor azul clara no candomblé de ketu, verde escuro para alguns angolanos e azul escuro com branco para o povo nagô. Sendo assim, roupas, guias e contas costumam ser confeccionadas nessas cores, incluindo, entre as guias e contas, no caso de Ọ̀ṣọ́si e, também, seus caboclos, elementos que recordem a floresta, tais como penas e sementes (Umbanda).

Seus instrumentos de culto são o ofá (arco e flecha), lanças, facas e demais objetos de caça. É um caçador tão habilidoso que costuma ser homenageado com o epíteto "o caçador de uma flecha só", pois atinge o seu alvo no primeiro e único disparo tamanha a precisão. Conta à lenda que um pássaro maligno ameaçava a aldeia e Ọ̀ṣọ́si era caçador, como outros. Ele só tinha uma flecha para matar o pássaro e não podia errar. Todos os outros já haviam errado o alvo. Ele não errou, e salvou a aldeia. Daí o epíteto "o caçador de uma flecha só".

Odé e Otim
No Nagô, estes dois Orixás são cultuados juntos. São os protetores das matas e dos animais silvestres e selvagens. Os filhos de Otim são quase inexistentes, pois na Mitologia, Otim não teve filhos na terra, dando assim as cabeças dos filhos para Odé. Com o passar dos tempos já se nota a existência de filhos de Otim, caso raro e absurdo para muitos Pais-de-Santo. Não se sacrifica para um sem dar para o outro, os animais são os mesmos, mudando apenas o sexo.
Otim, usa capanga e lança. Sempre representada com o jarro de água na cabeça, pois alem de ser guerreira também cuida das plantações.

Saudação: Okebambo

Dia da Semana: Sexta-feira, pois é o dia da Iemanjá, que é mãe de Odé

Número:
07 e seus múltiplos

Cor:
Azul marinho e branco para Odé e Azul marinho e rosa para Otim

Guia:
01 conta azul, 01 conta branca, 01 conta azul para Odé
01 conta rosa, 01 conta azul, 01 conta rosa para Otim

Oferenda:
Odé - Costela de Porco e feijão miúdo, Otim - Chuleta de Porco e feijão miúdo

Sete folhas mais usadas para
Òṣòssi: Ewê odé, Akoko, Odé akoxu, Etítáré, Iteté, Igbá ajá, Bujê

Alguns Oriṣás Odé cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi
:
Odé wawa = Vem da origem dos Òriṣás caçadores. (azulão com branco)

Odé Walè
= É velho e usa contas azuis escuro. É considerado como rei na África, pois, seu culto é ligado, diretamente, a pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois, as acha chatas, falam demais, são vaidosas e fracas. (azulão com branco)

Odé Oseewe ou Ygbo
= É o senhor da floresta, ligado as folhas e a òṣónyín, com quem vive nas matas. (azulão com branco)

Odé Inlé
= o filho querido de oṣala e yemanjá, o caçador de elefantes. (azulão com branco)

Ode tókúeran
= O caçador é quem mata a caça, diz-se da atuação do caçador. (azulão com branco)

Alguns Oriṣás Otim cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:

Otim Malé = esposa de Odé (lilás com azul claro)

Otim Bolá
= outra esposa de Odé (lilás com azul claro)


Ferramentas: Arco e flecha, funda, bodoque, moedas e búzios

Ave:
aves malhadas varias cores

Quatro pé
: Casal de porco

Ode o m'óta! (Odé voce rende os inimigos)
Otìn bò rò Ode (Otin vem ajduar odé)

Lenda de Odé;
A cada ano, após a colheita, o rei de Ijexá saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo à população inhame, milho e coco.
O rei comemorava com sua família e seus súditos; só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada. O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se, mas mandou-o embora. Um segundo caçador se apresentou este com quarenta flechas; o fato repetiu-se novamente e o rei mandou prende-lo. Bem próximo dali vivia Òṣòssi, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer; ele usava apenas uma flecha vermelha.
O rei mandou chamá-lo para dar fim ao pássaro. Sabendo da punição imposta aos outros caçadores, a mão de Ọ̀ṣọ́si, temendo pela vida do filho, consultou um babalaô e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras, ele teria sucesso. A oferenda consistia em sacrificar uma galinha. Nesse exato momento, Ọ̀ṣọ́si deveria atirar sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito. O rei, agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de Keto, “terra dos panos vermelhos”, onde Ọ̀ṣọ́si governou até a sua morte, tornando-se depois um Òrìṣà.

Ọ̀ṣọ́si
mata o pássaro das feiticeiras

Todos os anos, para comemorar a colheita dos inhames, o rei de Ifé oferecia aos súditos uma grande festa. Naquele ano, a cerimônia transcorria normalmente, quando um pássaro de grandes asas pousou no telhado do palácio. O pássaro era monstruoso e aterrador. O povo, assustado, perguntava sobre sua origem.
A ave fora enviada pelas feiticeiras, a Ìyàmì-Òṣòróngà, nossas mães feiticeiras ofendidas por não terem sido convidadas. O pássaro ameaçava o desenrolar das comemorações, o povo corria atemorizado. E o rei chamou os melhores caçadores do reino para abater a ave grande.
De Ido, veio Òṣòtógum com suas vinte flechas.
De More, veio Oṣotogi com suas quarenta flechas.
De Ilarê, veio O Òṣòtógum otadotá com suas cinqüenta flechas.
Prometeram ao rei acabar com o perverso bicho, ou perderiam suas próprias vidas. Nada conseguiram, entretanto, as três odes. Gastaram suas flechas e fracassaram. Foram presos por ordem do rei.
Finalmente, de Irem, veio Oṣotocanṣoṣò, o caçador de uma só flecha. Se fracassasse, seria executado junto com os que o antecederam. Temendo a vida do filho, a mãe do caçador foi ao babaláwo e ele recomendou à mãe desesperada fazer um Ẹbọ que agradasse as feiticeiras. A mãe de Oṣotocanṣoṣò sacrificou então uma galinha. Nesse momento, Oṣotocanṣoṣò tomou o seu ofá, seu arco, apontou atentamente e disparou sua única flecha. E matou a terrível ave perniciosa. O sacrifício havia sido aceito. As Ìyàmì-Òṣòróngà estavam apaziguadas. O caçador recebeu honrarias e metade das riquezas do reino. Os caçadores presos foram libertados e todos festejaram.
Todos cantaram em louvor a Oṣotocanṣoṣò. O caçador ficou muito popular. Cantavam em sua honra, chamando-o de Òṣòssi, que na língua do lugar que dizer “O guardião é Popular”. Desde então Ọ̀ṣọ́si é o seu nome.

Odé desrespeita proibição ritual e morre
Naquele dia a caça era proibida, ninguém podia trabalhar, era dia de ir à casa de Ifá levar as oferendas, mas Odé queria caçar, como fazia todo dia.
Odé não se importou com o interdito, Odé não foi consultar o adivinho, Odé tranqüilamente foi caçar, seguiu o caminho da floresta.
Ọ̀ṣún, sua esposa, cansada de ver o marido quebrar os sagrados tabus, abandonou a casa e o esposo. Caminhando pela mata, Odé escutou um canto que dizia: "Eu não sou passarinho para ser morta por ti..." Era o canto de uma serpente, era Ọ̀ṣumare.
Odé não se importou com o canto e atravessou a cobra com a lança, partindo-a em vários pedaços, tomou o caminho de sua casa e, no percurso, continuou escutando o mesmo canto: "Eu não sou passarinho para ser morta por ti..."
Ao chegar a casa, Odé foi para a cozinha, preparou uma iguaria com o fruto de sua caça e comeu a saborosa comida imediatamente. Pela manhã Ọ̀ṣún retornou a casa para ver como estava o caçador, para seu espanto, encontrou morto o seu Odé.
Odé estava morto, o corpo caído no chão, ao lado de Odé, Ọ̀ṣún viu um rastro de serpente, desesperada, Ọ̀ṣún foi procurar Orumiláia, e ofereceu muitos sacrifícios.
Orumiláia ouviu o pleito da dolorosa Ọ̀ṣún, deixou Odé viver de novo, deu a Odé o cargo de protetor dos caçadores, e Odé foi transformado em Òrìṣà.

Ọ̀ṣọ́si ganha de Orumiláia a cidade de Keto

Um certo dia, Orumiláia precisava de um pássaro raro para fazer um feitiço de Ọ̀ṣún. Ògún e Òṣòssi saíram em busca da ave pela mata adentro nada encontrando por dias seguidos.
Uma manhã, porém, restando-lhes apenas um dia para o feitiço,Ọ̀ṣọ́si deparou com a ave e percebeu que só lhe restava uma única flecha. Mirou com precisão e a atingiu.
Quando voltou para a aldeia, Orumiláia estava encantado e agradecido com o feito do filho, sua determinação e coragem. Ofereceu-lhe a cidade de Keto para governar até sua morte, fazendo dele o Òrìṣà da caça e das flechas.

Erinlé é acusado de roubar cabras e ovelhas

Em Ijebu viveu um caçador chamado Erinlé, ele era generoso e imbatível na caça, por isso era admirado pela maioria da população, mas havia alguns moradores que invejavam Erinlé e que conspirava para arruinar o caçador, famoso pela caça de elefantes e de outros animais.
Decidiram roubar cabras e ovelhas do rei e culpar Erinlé, o rei intimou quem soubesse algo sobre o roubo a dizê-lo, os conspiradores foram até o rei fazer a acusação, disseram que Erinlé roubava cabras e ovelhas, escondia as peles em casa e dizia que as carnes eram de animais selvagens.
O rei quis ouvir a defesa de Erinlé, houve testemunhos a favor dele, diante do impasse, o rei ponderou que Erinlé parecia ser de fato um grande caçador, mas teria que provar sua inocência. Erinlé disse: "Minha caça falará por mim". "Minha caça será minha testemunha".
Erinlé foi até sua casa e trouxe coisas para o rei, Erinlé trouxe as peles dos animais selvagens que havia caçado presas de elefantes e de javalis, peles de gamos, veados e antílopes.
Então o rei reconheceu a inocência de Erinlé e ordenou que ninguém mais tocasse no assunto, Erinlé foi para casa, inocentado, porém triste. Erinlé nunca se conformou com a acusação que sofrera, Erinlé pensava e não entendia a razão de tentarem desgraçá-lo, não quis mais caçar nem comer com os seus.
Em momentos de desespero fustigava o próprio corpo com a sua chibata de cavaleiro, seu Bilala. Imaginava que seria acusado novamente caso acontecesse outro roubo de animais.
Erinlé perdera completamente a vontade de caçar, então entrou na água de um rio próximo e partiu de Ijebu, onde nunca mais foi visto, E se tornou o Òrìṣà do rio.
Erinlé agora é o rio, o rio Erinlé é Erinlé, o Òrìṣà caçador que já não caça.

Erinlé
é chamado Ibualama

Havia um caçador chamado Erinlé, o grande caçador de elefantes. Um dia uma mulher passava perto de um rio e ali perto, junto ao bosque, avistou o caçador. Ele pediu a ela que lhe desse água para beber, a mulher entrou no rio até a altura dos joelhos e, quando se inclinou para apanhar água, ouviu de Erinlé a ordem de que entrasse mais fundo. Mais fundo no rio entrou a mulher, mas percebendo que o rio ia afogá-la, saiu imediatamente da água, com medo de ser morta.
Ela ouviu então a voz do caçador, que era o próprio rio, reclamando que ela não trazia oferenda alguma, ela queria recolher sua água, mas nada lhe dava em troca.
Ninguém pode entrar no rio profundo sem trazer presentes, tempos depois, quando Erinlé foi cultuado como Òrìṣà, seus seguidores o chamaram de Ibualama, que quer dizer "Água Profunda".

Ọ̀ṣọ́si aprende com Ògún a arte da caça.
Ọ̀ṣọ́si é irmão de Ògún. Ògún tem pelo irmão um afeto especial. Num dia em que voltava da batalha, Ògún encontrou o irmão temeroso e sem reação, cercado de inimigos que já tinham destruído quase toda a aldeia e que estavam prestes a atingir sua família e tomar suas terras. Ògún vinha cansado de outra guerra, mas ficou irado e sedento de vingança. Procurou dentro de si mais forças para continuar lutando e partiu na direção dos inimigos. Com sua espada de ferro pelejou até o amanhecer.
Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o tranqüilizou com sua proteção. Sempre que houvesse necessidade ele iria até seu encontro para auxiliá-lo. Ògún então ensinou Ọ̀ṣọ́si a caçar, a abrir caminhos pela floresta e matas cerradas. Ọ̀ṣọ́si aprendeu com o irmão a nobre arte da caça, sem a qual a vida é muito mais difícil. Igun ensinou Ọ̀ṣọ́si a defender-se por si próprio e ensinou Ọ̀ṣọ́si a cuidar da sua gente. Agora Ògún podia voltar tranquilo para a guerra. Ògún fez de Ọ̀ṣọ́si o provedor.

Ọ̀ṣọ́si é o irmão de Ògún.
Ògún é o grande guerreiro.
Ọ̀ṣọ́si é o grande caçador.

Ọ̀ṣọ́si mata a mãe com uma flechada.
Olodumarè chamou Orumiláia e o incumbiu de trazer-lhe uma codorna. Orumiláia explicou-lhe as dificuldades de se caçar codorna e rogou-lhe que lhe desse outra missão. Contrariado, Olodumarè foi reticente na resposta e Orumiláia partiu mundo afora a fim de saciar a vontade do seu Senhor. Orumiláia embrenhou-se em todos os cantos da Terra. Passou por muitas dificuldades, andou por povos distantes. Muitas vezes foi motivo de deboche e negativas acerca do que pretendia conseguir. Já desistindo do intento e resignado a receber de Olodumarè o castigo que por certo merecia, Orumiláia se pôs no caminho de volta. Estava cansado e decepcionado consigo mesmo.
Entrou por um atalho e ouviu o som de cânticos. A cada passo, Orumiláia sentia suas forças se renovando. Sentia que algo de novo ocorreria. Chegou a um povoado onde os tambores tocavam louvores a Ṣàngó, Yemonjá, Ọ̀ṣún e Obàtálá. No meio da roda, bailava uma linda rainha. Era Ọ̀ṣún, que acompanhava com sua dança toda aquela celebração. Bailando a seu lado estava um jovem corpulento e viril. Era Ọ̀ṣọ́si, o grande caçador.
Orumiláia apresentou-se e disse da sua vontade de falar com aquele caçador. Todos se curvaram perante sua autoridade e trataram de trazer Ọ̀ṣọ́si à sua presença. O velho adivinho dirigiu-se a Ọ̀ṣọ́si e disse que Olodumarè o havia encarregado de conseguir uma codorna. Seria esta, agora, a missão de Ọ̀ṣọ́si. Ọ̀ṣọ́si ficou lisonjeado com a honrosa tarefa e prometeu trazer a caça na manhã seguinte. Assim ficou combinado.
Na manhã seguinte, Orumiláia se dirigiu à casa de Ọ̀ṣọ́si. Para sua surpresa, o caçador apareceu na porta irado e assustado, dizendo que lhe haviam roubado a caça. Ọ̀ṣọ́si, desorientado, perguntou à sua mãe sobre a codorna, e ela respondeu com ares de desprezo, dizendo que não estava interessada naquilo. Orumiláia exigiu que Ọ̀ṣọ́si lhe trouxesse outra codorna, senão não receberia o Àṣe de Olodumarè. Ọ̀ṣọ́si caçou outra codorna, guardando-a no embornal. Procurou Orumiláia e ambos dirigiram-se ao palácio de Olodumarè no Ọ̀run. Entregaram a codorna ao Senhor do Mundo. De soslaio Olodumarè olhou para Ọ̀ṣọ́si e, estendendo seu braço direito, fez dele o rei dos caçadores. Agradecido a Olodumare a agarrado a seu arco, Ọ̀ṣọ́si disparou uma flecha ao azar e disse que aquela deveria ser cravada no oração de quem havia roubado a primeira codorna. Ọ̀ṣọ́si desceu à Terra. Ao chegar a casa encontrou a mãe morta com uma flecha cravada no peito. Desesperado, pôs-se a gritar e por um bom tempo ficou de joelhos inconformado com seu ato. Negou dali em diante, o título que recebera de Olodumarè.


Ọ̀ṣọ́si desobedece a Obàtálá e não consegue mais caçar.
Havia uma grande fome e faltava comida na Terra. Então Obàtálá enviou Ọ̀ṣọ́si para que ele aí caçasse e provesse o sustento de todos os que estavam sem comida. Ọ̀ṣọ́si caçou tanto, mas tanto, que ficou obsessivo: ele queria matar e destruir tudo o que encontrasse. Obàtálá pediu-lhe que parasse de caçar, mas Ọ̀ṣọ́si desobedeceu. Ọ̀ṣọ́si continuou caçando. Um dia encontrou uma ave branca, um pombo. Sem se importar que os animais brancos sejam de Obàtálá, Ọ̀ṣọ́si matou o pombo. Obàtálá voltou a pedir que ele não caçasse mais, porém Ọ̀ṣọ́si continuou caçando. Uma noite Ọ̀ṣọ́si encontrou um veado e atirou nele muitas flechas. Mas as flechas não lhe causavam nenhum dano. Ọ̀ṣọ́si aproximou-se mais e flechou a cabeça do animal. Nesse momento, o veado se iluminou. Era Obàtálá disfarçado, ali, todo flechado por Ọ̀ṣọ́si. Ọ̀ṣọ́si não conseguiu caçar nunca mais. Profundo foi seu desgosto.

Lenda de Otim
"Otim esconde que nasceu com 4 seios"

Oquê
, rei da cidade de Otã, tinha uma filha. Ela nascera com 4 seios e era chamada de Otim. O rei Oquê adorava sua filha e não permitia que ninguém soubesse de sua deformação. Este era o segredo de Oquê, este era o segredo de Otim. Quando Otim cresceu, o rei aconselha-a a nunca se casar, pois um marido, por mais que há amasse um dia se aborreceria com ela e revelaria ao mundo seu vergonhoso segredo. Otim ficou muito triste, mas acatou o conselho do pai. Por muitos anos, Otim viveu em Igbajô, uma cidade vizinha, onde trabalhava no mercado. Um dia, um caçador chegou ao mercado, e ficou tão impressionado com a beleza de Otim, que insistiu em casar-se com ela. Otim recusou seu pedido por diversas vezes, mas, diante da insistência do caçador, concordou, impondo uma condição: o caçador nunca deveria mencionar seus quatro seios a ninguém. O caçador concordou, e impôs também sua condição: Otim jamais deveria por mel de abelhas na comida dele, porque isso era seu tabu, seu ewó.
Por muitos anos, Otim viveu feliz com o marido. Mas como era a esposa favorita, as outras esposas sentiram-se muito enciumadas. Um dia, reuniram-se e tramaram contra Otim. Era o dia de Otim cozinhar para o marido; ela preparava um prato de milho amarelo cozido, enfeitado com fatias de coco, o predileto do caçador. Quando Otim deixou a cozinha por alguns instantes, as outras sorrateiramente puseram mel na comida. Quando o caçador chegou a casa e sentou-se para comer, percebeu imediatamente o sabor do ingrediente proibido. Furioso, bateu em Otim e lhe disse as coisas mais cruéis, revelando seu segredo: "Tu, com teus quatro seios, sua filha de uma vaca, como ousaste a quebrar meu tabu?"A novidade espalhou-se pela cidade como fogo. Otim, a mulher de quatro seios, era ridicularizada por todos. Otim, fugiu de casa e deixou a cidade do marido

Voltou para sua cidade, Otã, e refugiou-se no palácio do pai. O velho rei a confortou, mas ele sabia que a noticia chegaria também a sua cidade. Em desespero, Otim fugiu para a floresta. Ao correr, tropeçou e caiu. Nesse momento, Otim transformou-se num rio, e o rio correu para o mar. Seu pai, que a seguia, viu que havia perdido a filha. Lá ia o rio fugindo para o mar. Querendo impedir o Rio de continuar sua fuga, desesperado, atirou-se ao chão, e, ali onde caiu, transformou-se em uma montanha, impedindo o caminho do rio Otim para o mar. Mas Otim contornou a montanha e seguiu seu curso. Oquê, a montanha, e Otim, o rio, são cultuados até hoje em Otã. Odé, o caçador, nunca se esqueceu de sua mulher.

Fonte: "mitologia dos Orixás" - Reginaldo Prandi

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sàngó

Ṣàngó ou Xango, é Òrìṣà, de origem Yorubá. Seu mito conta que foi Rei da cidade de Òyó.

Pierre Verger dá como resultado de suas pesquisas que: Shango ou Ṣàngó, como todos os outros imolè (Òrìṣà e ebora), pode ser descrito sob dois aspectos: histórico e divino.

Como personagem histórico, Ṣàngó teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó, "Rei de Oyo", filho de Oranian e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Oranian.

Ṣàngó, no seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado porém, tendo Yemanjá como mãe e três divindades como esposas: Oyá, Òsun e Obá.

Sango Òrìṣà dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Ṣàngó.

A característica do Òrìṣà do trovão é dada para a divindade Ayrà na cidade de Savé na região Mahi, região situada no Benin, antigo Dahomé, para Oramfé na cidade de Ifé na região Ijexá e para Xangô na cidade de Òyó na região Yorubá, regiões situadas na Nigéria.

Sangò era o rei de Òyó, terra de seu pai; já sua mãe era da cidade de Empê, no território de Tapa. Por isso, ele não era considerado filho legítimo da cidade. A cada comentário maldoso, Ṣàngó cuspia fogo e soltava faíscas pelo nariz. Andava pelas ruas da cidade com seu osé, um machado com duas lâminas, que o tornava cada vez mais forte e astuto. Onde houvesse roubo, o rei era chamado e, com seu olhar certeiro, encontrava o ladrão onde quer que estivesse. Para continuar reinando, Ṣàngó defendia com bravura sua cidade; chegou até destronar o próprio irmão, Dada, de uma cidade vizinha para ampliar seu reino. Com o prestígio conquistado; Ṣàngó ergueu um palácio com cem colunas de bronze no alto da cidade de Kossô, para viver com suas três esposas: Oyá, amiga e guerreira; Òsun, coquete e faceira; e Obá, amorosa e prestativa. Para prosseguir com suas conquistas, Ṣàngó pediu ao babalaô de Òyó uma fórmula para aumentar seus poderes; este entregou-lhe uma caixinha de bronze, recomendando que só fosse aberta em caso de extrema necessidade de defesa. Ṣàngó contou a Oyá o ocorrido e ambos, não se contendo, abriram a caixa antes do tempo. Imediatamente começou a relampejar e trovejar; raios destruíram o palácio e a cidade, matando toda a população. Não suportando tanta tristeza, Ṣàngó afundou terra adentro, tornando-se um Òrìṣà.

Ṣàngó foi o quarto rei lendário de Òyó (Nigéria, África), tornado Òrìṣà de caráter violento e vingativo, cuja manifestação são os raios e os trovões. Filho de Oranian, teve várias esposas sendo as mais conhecidas: Oyá, Òsun e Obá. Ṣàngó é viril e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores.

Enquanto Òṣòssi é considerado o Rei da nação de ketu, Ṣàngó é considerado o rei de todo o povo yorubá. Òrìṣà do raio e do trovão, dono do fogo, foi um grande rei que unificou todo um povo. Foi ele quem criou o culto de Egungun, sendo ele um dos Òrìṣàs que exerce poder sobre os mortos. Ṣàngó é a roupa da morte, por este motivo não deve faltar nos Egbòs de Iku e Egun, o vermelho que lhe pertence. Ao se manifestar nos Candomblés, não deve faltar em sua vestimenta uma espécie de saieta, com cores variadas e fortes, que representam as vestes dos Eguns.

Ṣàngó era forte, valente, destemido e justo. Era temido, e ao mesmo tempo adorado. Comportou-se em algumas vezes como tirano, devido a sua ânsia de poder, chegando até mesmo a destronar seu próprio irmão, para satisfazer seu desejo. Filho de Yamasse (Torosi) e de Oraniã, foi o regente mais poderoso do povo yorubá. Ele também tem uma ligação muito forte com as árvores e a natureza, vindo daí os objetos que ele mais aprecia o pilão e a gamela, sendo que o pilão de Ṣàngó deve ter duas bocas, que representa a livre passagem entre os mundos, sendo Ṣàngó um ancestral (Egungun). Da natureza, ele conseguiu profundos conhecimentos e poderes de feitiçaria, que somente eram usados quando necessários. Tem também uma forte ligação com Oṣumaré, considerando ele como seu fiel escudeiro.

Ṣàngó é cultuado no Brasil, sob 12 (doze) qualidades. Vale salientar, que muitos seguem cegamente as ditas qualidades de Ṣàngó da Bahia, e não é bem assim por exemplo Airá é um outro Òrìṣà que não se dá com Ṣàngó. Reza a lenda que Ayra era muito próximo de Sango, e quando Oṣalufà, em visita ao reino de Sango foi erroneamente confundido com um ladrão e teve suas pernas quebradas e preso, uma vez Sango percebendo o engano, mandou que o tirassem da prisão e limpassem Oṣalufã, e dessem vestimentas condizentes a grandiosidade de Oṣalufã, porém Oṣalufã estava viajando e teria ainda outros lugares para ir, porem por ser muito velho e agora com as pernas tendo sido quebradas, a locomoção havia sido afetada, fazendo que Oṣalufã andasse curvado e muito vagarosamente. Ṣàngó então mandou que Ayrá levasse Oṣalufã nas costas até a próxima cidade. Ayrá percebendo ali a sua grande chance, durante o caminho se voltou contra Sango, falando a Oṣalufã que Sango sabia que ele estava preso e acabou por ganhar a confiança de Oṣalufã, que o tomou para si, razão pela qual Ayrá usa branco, mas não é um fum-fum. Sango que não suporta traições se irritou com a atitude de Ayrá cortando relações e por essa razão eles não são cultuados da mesma forma, apesar de no Brasil Ayrá ser feito junto com Sango, porque realmente não há problemas desde que suas coisas estejam certas, porem na áfrica Ayrá é feito separadamente como um Òrìṣà, com suas qualidades e pompas.

Ṣàngó

O Òrìṣà do fogo e do trovão, Senhor da Justiça, considerado um Òrìṣà vaidoso, que gosta de festas e comemorações. Sua sensualidade atrai as mulheres de modo geral, na Mitologia dos Òrìṣàs, Ṣàngó é casado com três mulheres: Oyá, Obá e Òsun.


Saudação: Kawó kabiyèsílé (Venham ver o Rei descer sobre a terra!)

Dia da Semana:
Terça-feira

Número:
06 e seus múltiplos

Cor:
Vermelho x Branco

Ilẹkẹ̀: 01 conta vermelha, 01 conta branca, 01 conta vermelha, 3x3 ou 6x6

Oferenda:
Amalá (Carne de carneiro com mostarda refogada, sobre pirão de farinha e água, colocados em gamela de madeira, decorado com uma maça e seis bananas)

Alguns Oriṣás
Ṣàngó cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:

Dadá = Ajacá foi coroado terceiro Alafim de Oyó, recebendo o apelido de Dadá (branco com vermelho 1 vermelha x 3 branca)

Àfonjá = Àfonjá, o Bale (governante) da cidade de Ìlorin. Àfonjá era também Are-Ona-Kaka-n-fo, quer dizer líder do exército provincial do império. Àfonjá descendia, por parte de mãe, de uma das famílias reais de Òyó. ṣangò Afonjá é aquele que está sempre em disputa com Ògún. (branco com vermelho 6 vermelha x 6 branca)

Agodo
= dos mais antigos e mais velho (branco com vermelho 3 x 3)

Sogbò
= um Vodoun cultuado entre os povos nagô (branco com vermelho 6 vermelha x 6 branca)

Aganju
- ele representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos vulcões. (branco com vermelho 1 x 1)

Baru
= ṣangò chega ao apogeu do império, cria o culto de Egungun, grande expansão, é o senhor absoluto dos raios e do fogo em todas as suas formas. Ele acaba por destruir a capital do Reino com os raios numa crise de cólera, e depois arrependido, se suicida, adentrando na terra da mesma forma que Ògún, daí o nome Obà Irù "Rei sepultado". (branco com vermelho 1 vermelha x 6 branca)

Jacutá
- É o senhor do edun-ará, a pedra de raio. (branco e vermelho 3 x 3)

Airá
– Para a maioria dos terreiros, esta divindade é um ṣangò cultuado diferente dos demais, pois sempre usando muito branco, alem de ser dividido em mais qualidades que também são relacionadas ao branco e a comida muito parecida com a de Oṣalá. (guia 6 branco e 3 vermelho)

Aganju
igbeje = muito jovem (branco, vermelho, amarelo e marrom)


Ferramentas: Balança, machado de duas lâminas, livro, pilão, gamela, búzios e moedas, brinquedos para Xangô Agandjú Ibedji

Ave:
Galo Branco

Quatro pé:
Carneiro branco

Sua ferramenta é o Oṣè
: machado de dois gumes. É tido como um Òrìṣà poderoso das religiões afro-brasileiras.

O - Agodó màá iyo, agodó màá iyo àtéwó ya Àgànjú màá yo àtéwó ya òdodo màá iyo
R - Agodó màá iyo, agodó màá iyo àtéwó ya Àgànjú màá yo àtéwó ya òdodo màá iyo

Lendas

Ṣàngó incendeia sua aldeia acidentalmente

Ṣàngó governava com rigor a cidade de Òyó e redondezas.
Era chamado de Jacutá, o Atirador de Pedra.
Ṣàngó era muito prestigiado em seu reino e em reinos vizinhos, mas desejava algo mais para instilar medo nos corações dos homens.
Para isso convocou os maiores feiticeiros de Oyó e lhes pediu que inventassem novas fórmulas para aumentar seu poder.
Ṣàngó não ficou satisfeito com o trabalho dos feiticeiros e pediu ajuda a Èṣù.
Èṣù aceitou a tarefa, pediu uma oferenda como sacrifício e ordenou que dentro de sete dias Oyá fosse buscar o preparado.

Quando chegou o dia combinado, lá foi Oyá à casa de Èṣù.
Lá chegando, ela saudou Èṣù e disse que a oferenda estava a caminho.
O preparado estava embrulhado numa folha. Oyá pegou o pacote e partiu.
No caminho, Oyá parou para descansar. Não contendo a crescente curiosidade, desembrulhou o pacote para ver o que tinha dentro. Não havia nada além de um pó vermelho e ela pôs um pouquinho na boca para experimentar. Não era bom nem ruim; tinha um gosto diferente. Oyá fechou novamente o pacote e prosseguiu. Chegou a Oyó e deu o remédio a Ṣàngó, que perguntou: “Que instruções Èṣù te deu? Como o remédio deve ser usado?” Quando ela começou a falar, saiu fogo de sua boca.
Ṣàngó entendeu que Oyá tinha provado o remédio.
Ficou irado e tentou bater em Oyá, mas ela fugiu de casa, com Ṣàngó a persegui-la.
Oyá foi para um lugar onde carneiros pastavam.
Escondeu-se entre os carneiros, pensando que Ṣàngó não a encontraria.

Mas a ira de Ṣàngó era grande. Ele arremessava suas pedras de raio em todas as direções. Arremessou-as entre os carneiros, matando-os. Oyá ficou escondida embaixo dos corpos dos carneiros mortos e assim Ṣàngó não pôde encontrá-la.
Ṣàngó voltou pra casa. Muitas pessoas de Oyó estavam reunidas lá e clamavam pedindo que Ṣàngó perdoasse Oyá. A raiva dele abrandou-se. Mandou seus empregados procurar Oyá e trazê-la para casa. Mas ele ainda não sabia como usar o preparado.
Quando anoiteceu, ele pegou o pacote de Èṣù e foi a um lugar bem alto, de onde podia ver toda a cidade. Colocou um pouco de pó vermelho na língua e, quando expirou o ar dos pulmões, uma enorme labareda jorrou de sua boca, depois outra e mais outra, sem parar.

As chamas se estenderam por sobre toda a cidade, lambendo a casa dos súditos e também as dependências do palácio real.
Um grande incêndio tomou conta de Oyó. Tudo foi consumido pelo fogo até as cinzas.
Oyó foi destruída e teve que ser reconstruída.
Depois que a cidade ressurgiu das cinzas, Ṣàngó continuou a governá-la.
Em tempos de guerra, ou quando as coisas o desagradam, Ṣàngó arremessa as pedras de raio.
E o fogo da boca de Ṣàngó queima seus desafetos.
Os carneiros que morreram protegendo Oyá das pedras de raio de Ṣàngó não foram esquecidos.
Os devotos de Oyá não comem mais carne de carneiro.

Ṣàngó
ganha o colar vermelho e branco
Ṣàngó foi um filho rebelde, saía pelo mundo fazendo o que queria.
Seu pai Obàtálá era informado de seus atos, recebendo muitas queixas pelas artes do filho.
Obàtálá justificava os atos de Ṣàngó, alegando que ele não havia sido criado perto dele.
Mas esperava o dia em que Ṣàngó a ele se submeteria.
Uma ocasião, Ṣàngó estava na casa de uma de suas mulheres.
Havia deixado o cavalo amarrado à porta da casa.
Obàtálá e Oduduwá passaram por lá e levaram o cavalo.
Ṣàngó percebeu o roubo e saiu em busca do animal.
Foi informado de que dois velhos que por ali passavam haviam levado o cavalo.
Ṣàngó saiu em seu encalço e na perseguição encontrou Obàtálá.
Quis enfrentar Obàtálá, que não se intimidou diante do rapaz, exigindo respeito e submissão.
Obàtálá ordenou: ”Kunlé! Foribalé!”.
“Ajoelhe-se! Prostra no chão aos meus pés!”
E Ṣàngó, desarmado, atirou-se ao solo.
Ṣàngó estava dominado por Obàtálá.
Ṣàngó já tinha consigo seu colar de contas vermelhas e então Obàtálá desfez o colar de Ṣàngó e alternou as contas encarnadas de Ṣàngó com as contas brancas de seu próprio colar.
Obàtálá entregou a Ṣàngó o novo colar vermelho e branco.;
Agora todos saberiam que aquele era seu filho.
Ṣàngó cai no fogo e brinca com as brasas
Dadá foi quem criou Ṣàngó.Dadá tinha pena de Ṣàngó porque seu pai, Obàtálá, tinha ordenado que o matassem.
Dadá fazia tudo o que Ṣàngó queria. Ela cuidava o tempo todo de Ṣàngó, dava-lhe todas as atenções e o advertia para que não brincasse com fogo, não brigasse com os outros, nem montasse cavalo, porque poderia acabar se machucando.
Mas Ṣàngó, muito teimoso, fazia o que queria.
Lutava e ganhava sempre, andava a cavalo e jamais caia.

Certa vez, Ṣàngó estava brincando na cozinha e caiu dentro do fogão.
Dada ficou muito assustado, mas Ṣàngó queria continuar brincando com as brasas, porque ele gostava de ver como elas brilhavam.
E elas não lhe causavam, nenhum dano.
Ṣàngó era um menino muito malcriado e, adulto, só fazia o que queria.
Ṣàngó não escutava conselho de ninguém.
Culpa de Dadá, que mimou demais.

Ṣàngó dá a obaluaye os cães de Ògún
Ṣàngó era um homem muito popular.
Um dia, na praça, um leproso de nome Obaluaiyê o procurou.
“Por que não falas comigo?”, perguntou o pestilento.
Ṣàngó respondeu-lhe que seu pai Obàtálá lhe havia dito que naquela terra ele tinha um irmão de sangue e um irmão adotivo.
E era só com eles que deveria conversar.
Disse-lhe Obaluaiyê ser ele o seu irmão por doação e que o outro homem ali presente era seu irmão inteiro.
Esse outro era Ògún, que andava sempre acompanhado de muitos cães.
Ṣàngó disse a Obaluaiyê que aquela terra não lhe pertencia, que seguisse para terras distantes, onde encontraria melhor sorte.
Obaluaiyê retrucou da dificuldade em seguir caminho naquelas condições de doença em que se encontrava.
Ṣàngó tomou então dois cães de Ògún e os deu a Obaluaiyê, para que lhe servissem de guias e guardiões.
Mas Ògún não gostou de perder os cães e atacou Ṣàngó.
Iniciou-se um conflito de grande proporções entre os dois.
Desde então, Ṣàngó e Ògún, apesar de irmãos, tornaram-se eternos e irreconciliáveis antagonistas.
Desde então chamam Ògúnde, Ògúnjá, que na língua da terra quer dizer Ògún dos cães.

Ṣàngó
incendeia sua aldeia acidentalmente
Ṣàngó governava com rigor a cidade de Òyó e redondezas.
Era chamado de Jacutá, o Atirador de Pedra.
Ṣàngó era muito prestigiado em seu reino e em reinos vizinhos, mas desejava algo mais para instilar medo nos corações dos homens.
Para isso convocou os maiores feiticeiros de Òyó e lhes pediu que inventassem novas fórmulas para aumentar seu poder.
Ṣàngó não ficou satisfeito com o trabalho dos feiticeiros e pediu ajuda a Èṣù.
Èṣù aceitou a tarefa, pediu uma oferenda como sacrifício e ordenou que dentro de sete dias Oyá fosse buscar o preparado.
Quando chegou o dia combinado, lá foi Oyá à casa de Èṣù.
Lá chegando, ela saudou Èṣù e disse que a oferenda estava a caminho.
O preparado estava embrulhado numa folha. Oyá pegou o pacote e partiu.

No caminho, Oyá parou para descansar. Não contendo a crescente curiosidade, desembrulhou o pacote para ver o que tinha dentro. Não havia nada além de um pó vermelho e ela pôs um pouquinho na boca para experimentar. Não era bom nem ruim; tinha um gosto diferente. Oyá fechou novamente o pacote e prosseguiu. Chegou a Òyó e deu o remédio a Ṣàngó, que perguntou: “Que instruções Èṣù te deu? Como o remédio deve ser usado?” Quando ela começou a falar, saiu fogo de sua boca.
Ṣàngó entendeu que Oyá tinha provado o remédio.
Ficou irado e tentou bater em Oyá, mas ela fugiu de casa, com Ṣàngó a persegui-la.
Oyá foi para um lugar onde carneiros pastavam.
Escondeu-se entre os carneiros, pensando que Ṣàngó não a encontraria.
Mas a ira de Ṣàngó era grande. Ele arremessava suas pedras de raio em todas as direções. Arremessou-as entre os carneiros, matando-os. Oyá ficou escondida embaixo dos corpos dos carneiros mortos e assim Ṣàngó não pôde encontrá-la.
Ṣàngó voltou pra casa. Muitas pessoas de Òyó estavam reunidas lá e clamavam pedindo que Ṣàngó perdoasse Oyá. A raiva dele abrandou-se. Mandou seus empregados procurar Oyá e trazê-la para casa. Mas ele ainda não sabia como usar o preparado.

Quando anoiteceu, ele pegou o pacote de Èṣù e foi a um lugar bem alto, de onde podia ver toda a cidade. Colocou um pouco de pó vermelho na língua e, quando expirou o ar dos pulmões, uma enorme labareda jorrou de sua boca, depois outra e mais outra, sem parar.
As chamas se estenderam por sobre toda a cidade, lambendo a casa dos súditos e também as dependências do palácio real.
Um grande incêndio tomou conta de Òyó. Tudo foi consumido pelo fogo até as cinzas.
Òyó foi destruída e teve que ser reconstruída.
Depois que a cidade ressurgiu das cinzas, Ṣàngó continuou a governá-la.
Em tempos de guerra, ou quando as coisas o desagradam,
Ṣàngó arremessa as pedras de raio.
E o fogo da boca de Ṣàngó queima seus desafetos.
Os carneiros que morreram protegendo Oyá das pedras de raio de Ṣàngó não foram esquecidos.
Os devotos de Oyá não comem mais carne de carneiro.

Ṣàngó
é condenado por Oṣalá comer como os escravos
Airá, aquele que se veste de branco, foi um dia às terras do velho Oṣalá para levá-lo à festa que faziam em sua cidade. Oṣalá era velho e lento, Por isso Airá o levava nas costas. Quando se aproximavam do destino, vira a grande pedreira de Ṣàngó, bem perto de seu grande palácio. Ṣàngó levou Oalufã ao cume, para dali mostrar ao velho amigo todo o seu império e poderio. E foi lá de cima que Ṣàngó avistou uma belíssima mulher mexendo sua panela. Era Oyá! Era o amalá do rei que ela preparava!
Ṣàngó não resistiu à tamanha tentação. Oyá e amalá! Era demais para a sua gulodice, depois de tanto tempo pela estrada. Ṣàngó perdeu a cabeça e disparou caminho abaixo, largando Oṣalufã em meio às pedras, rolando na poeira, caindo pelas valas. Oṣalufã se enfureceu com tamanho desrespeito e mandou muitos castigos, que atingiram diretamente o povo de Ṣàngó.
Ṣàngó, muito arrependido, mandou todo o povo trazer água fresca e panos limpos. Ordenou que banhassem e vestissem Oṣalá. Oṣalufã aceitou todas as desculpas e apreciou o banquete de caracóis e inhames, que por dias o povo lhe ofereceu. Mas Oṣalá impôs um castigo eterno a Ṣàngó. Ele que tanto gosta de fartar-se de boa comida.
Nunca mais pode Ṣàngó comer em prato de louça ou porcelana. Nunca mais pode Ṣàngó comer em alguidar de cerâmica. Ṣàngó só pode comer em gamela de pau, como comem os bichos da casa e o gado e como comem os escravos.

Uma História de ṢÀNGÓ e o QUIABO
Existe uma qualidade de Ṣàngó, chamada Baru, que não pode comer quiabo. Ele era muito brigão. Só vivia em atrito com os outros. Ele é que era o valente. Quem resolvia tudo era ele. Ṣàngó Baru era muito destemido, mas, quando ele comia quiabo, que ele gostava muito, lhe dava muita sonolência. Dormia o tempo todo! E pôr isso perdeu muitas contendas, pois quando ele acordava, já tudo tinha acabado.
Então, resolveu consultar um oluô, que lhe disse:
- Se é assim, deixa de comer quiabo.
- Eu deixar de comer o que eu mais gosto? – respondeu Ṣàngó Baru.
- Então, fique por sua conta. Não me incomode mais! Será que a gula vai vencê-lo? - perguntou o oluô. Ṣàngó baru foi para casa e pensou:
- Eu não vou me deixar vencer pela boca. Vou voltar lá e perguntar a ele o que faço, pois o quiabo é meu prato predileto.

E saiu no caminho da casa do oluô, que já sabia que ele voltaria. Lá chegando, disse:
- Aqui estou. Diz-me o que eu vou comer no lugar do quiabo.
- Aqui neste mocó tem o que você tem que comer. São estas folhas. Você temperando como quiabo, mata sua fome – lhe mostrou o oluô.
- Folha?! – perguntou Ṣàngó Baru.
- Sim – respondeu o oluô – Tem duas qualidades, uma se chama Òyó e a outra, sanã. São tão boas e gostosas quanto o quiabo.
Ṣàngó Baru foi para casa e preparou o refogado, e fez um angu de farinha e comeu. Gostou tanto, e se sentiu tão bem e tão fortalecido, e não teve mais aquele sono profundo. Aliás, ele se sentiu bem mais jovem e com mais força. E não ficou com a sonolência que o quiabo lhe dava. Aí ele disse:
- A partir de hoje, eu não como mais quiabo.
Daí a sua quizila com o mesmo. "Todo caso é um caso. "Esse caso me foi contado pelas minhas mais velhas; assim, agora quem quiser dar quiabo a Baru, que dê!



Ṣàngó é ressuscitado do mundo dos mortos por Oyá


Ṣàngó, quando viveu aqui na Terra, era um grande Oba (rei), muito temido e respeitado. Gostava de exibir sua bela figura, pois era um homem muito vaidoso. Conquistou, ao longo de sua vida, muitas esposas, que disputavam um lugar em seu coração.

Além disso, adorava mostrar seus poderes de feiticeiro, sempre experimentando sua força.

Em certa ocasião, Ṣàngó estava no alto de uma montanha, testando seus poderes. Em altos brados, evocava os raios, desafiando essas forças poderosas. Sua voz era o próprio trovão, provocando um barulho ensurdecedor. Ninguém conseguia entender o que Ṣàngó pretendia com essa atitude, ficando ali por muito tempo, impaciente por não obter resposta. De repente, o céu se iluminou e os raios começaram a aparecer. As pessoas ficaram impressionadas com a beleza daquele fenômeno, mas, ao mesmo tempo, estavam apavoradas, pois nunca tinham visto nada parecido.

Ṣàngó, orgulhoso de seu extremo poder, ficou extasiado com o acontecimento. Não parava de proferir palavras de ordem, querendo que o espetáculo continuasse. Era realmente algo impressionante!

Foi, então, que, do alto de sua vaidade, viu a situação fugir ao seu controle. Tentou voltar atrás, implorando aos céus que os raios, que cortavam a Terra como poderosas lanças, desaparecessem. Mas era impossível - a natureza havia sido desafiada, desencadeando forças incontroláveis!

Ṣàngó correu para sua aldeia, assustado com a destruição que provocara.

Quando chegou perto do palácio, viu o erro que cometera. A destruição era total e, para piorar a situação, todos os seus descendentes haviam morrido. Ao ver que o rei estava muito perturbado, seu próprio povo tentou consolá-lo com a promessa de reconstruir a cidade, fazendo tudo voltar ao que era antes. Ṣàngó, sem dar ouvidos a ninguém, foi embora da cidade.

Ele não suportou tanta dor e injustiça, retirando-se para um lugar afastado, para acabar com sua vida. O rei enforcou-se numa gameleira.

Oyá, quando soube da morte de seu marido, chorou copiosamente, formando o rio Niger. Ela, que tinha conhecimento do reino dos Eguns, foi até lá para trazer seu companheiro da morte, que veio envolto em panos brancos e com o rosto coberto por uma máscara de madeira, pois não podia ser reconhecido por Ikú, o Senhor da Morte. Ṣàngó ressurge dos mortos, tornando-se um ser encantado. E foi assim que surgiu uma nova forma, ou qualidade, desse orixá, a qual chamamos Airá. Essa variação da essência de Ṣàngó adoptou, além do vermelho, a cor branca.
Ṣàngó promete carregar Oṣalá nas costas para sempre
Quando Ṣàngó pediu Ọ̀ṣún em casamento, ela disse que aceitaria com a condição de que ele levasse o pai dela, Oṣalá, nas costas para que ele, já muito velho, pudesse assistir ao casamento. Ṣàngó, muito esperto, prometeu que depois do casamento carregaria o pai dela no pescoço pelo resto da vida; e os dois se casaram.

Então, Ṣàngó arranjou uma porção de contas vermelhas e outra de contas brancas, e fez um colar com as duas misturadas. Colocando-o no pescoço, foi dizer a Ọ̀ṣún: "- Veja, eu já cumpri minha promessa. As contas vermelhas são minhas e as brancas, de seu pai; agora eu o carrego no pescoço para sempre."


Ṣàngó acaba com o seu reino e se transforma em Òrìsà junto com as suas mulheres
Ṣàngó vivia em seu reino com suas 3 mulheres ( Oyá, Ọ̀ṣún e Obá ), muitos servos, exércitos, gado e riquezas. Certo dia, ele subiu num morro próximo, junto com Oyá; ele queria testar um feitiço que inventara para lançar raios muito fortes.
Quando recitou a fórmula, ouviu-se uma série de estrondos e muitos raios riscaram o céu.
Quando tudo se acalmou, Ṣàngó olhou em direção à cidade e viu que seu palácio fora atingido.
Ele e Oyá correram para lá e viram que não havia sobrado nada nem ninguém. Desesperado, Ṣàngó bateu com os pés no chão e afundou pela terra; Oyá o imitou. Ọ̀ṣún e Obá viraram rios e os 4 se tornaram Òrìsà.


Rei Kosso

Entre os clientes de Ògún, o guerreiro estava Ṣàngó, que gostava de ser elegante a ponto de entrançar os seus cabelos como os de uma mulher.
Havia feito buracos nos lóbulos de suas orelhas, onde usava sempre argolas, usava colares de contas, usava braceletes, que elegância!!!
Este homem era igualmente poderoso pelos seus talismãs. Era guerreiro de profissão. Não fazia prisioneiros em suas batalhas, matava a todos os seus inimigos.
Por essa razão Ṣàngó é saudado:
Rei de Kosso, com um grito de independência.
Outras saudações que seus fiéis lhe dirigem têm certa graça que mostram sua forte personalidade.
Ele ri quando vai a casa de Ọ̀ṣún ele está bastante tempo em casa de Oyá ele usa um grande pano vermelho
oh¬ o elefante caminha com dignidade meu senhor que cozinha com a respiração como nada escapa de seu nariz meu senhor que mata seis pessoas com uma pedra de raio se és mentiroso tens medo do fogo de Ṣàngó.
É o irmão mais jovem, não somente de Dada-Ajaka, como também de Obaluaiyê. Entretanto ao que parece, não são vínculos de parentesco que permitem explicar a ligação entre o deus do raio e o das doenças contagiosas, mas sim prováveis origens comuns em Tapa. Obaluaiyê seria mais antigo que Ṣàngó e por deferência ao mais velho em certas cidades como Sakete e Ifanhim são feitas sempre oferendas a Obaluaiyê na véspera da comemoração das cerimônias de Ṣàngó.

Ṣàngó é o rei do trovão

Ṣàngó
, queria ser muito poderoso e respeitado e para isto consultou Ifá. Na consulta surgiu Okanran Meji, que determinou um sacrifício, que iria garantir ao Òrìsà, tudo que desejava.
Feito o Ẹbọ, Todas as vezes que Shangô abria a boca para falar, sua voz saia possante como um trovão e inúmeras labaredas acompanhavam suas palavras.
Diante do poder de seu marido Oyá resolveu consultar o Oráculo com a finalidade de se tornar tão poderoso quanto ele. Na consulta surgiu Okanran Meji, que lhe determinou o mesmo Ẹbọ.
Quando Ṣàngó descobriu que sua mulher havia adquirido um poder igual ao seu, ficou furioso e começou a maldizer Ifá por haver proporcionado tamanho poder a uma simples mulher.
Humilhada, Oyá recorreu a Olórun para que desse um paradeiro ao impasse. Olórun determinou então que a partir daquele dia, a vós de Ṣàngó soaria como o trovão e que provocaria incêndios onde ele bem estendesse, mas para que isto pudesse acontecer, seria necessário que Oyá, falasse primeiro, para que o fogo de suas palavras (os raios) provocasse o surgimento do som das palavras de Ṣàngó (o trovão), assim como o fogo que elas produzem sobre a terra (os incêndios provocados pelos raios que se projetam sobre a terra).
E por este motivo até hoje, não se pode ouvir o ribombar do trovão sem que antes, um raio ilumine o céu.



Cronologia:
Okambi – 1º alafim de oyó – 1700 a 1600 A.C.
Oranian – 2º alafim de oyó – 1600 a 1500 A.C.
Ajaká – 3º alafim de oyó – 1500 a 1450 A.C.
angò – 4º alafim de oyó – 1450 a 1403 A.C.
Ajaká – 5º alafim de oyó – 1403 a 1370 A.C.

ṣangò
Para o culto afro distingue entre qualidades a existência da variedade das divindades existentes, para que angò seja cultuado é denominado que primeiro quem ele é, para definir sua forma de culto. Ficando claramente distinto entre este Òrìsá, para cada divindade é preparada uma comida e depende da sua qualidade o seu ritual de feitura.

Veja exemplos das qualidades desta divindade.
Agodò - É aquele que ao lançar raios e fogo sobre seu próprio reino o destrói sem querer. O rei começou a jogar do alto do seu palácio cabacinhas mágicas contendo fórmulas que ao tocar o chão ou arvores explodia e lançava fogo para todo lado. Assustados, seus súditos ficaram desnorteados e sem ação enquanto o fogo se alastrava e incendiava o palácio e o reino de Agodò.

Jacutá - É o senhor do edun-ará, a pedra de raio.

Agandju - Ele representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos Vulcões.

Afonjá – Este angò é muito conhecido pela eterna briga com ogum. Os dois disputam o amor de uma de suas esposas, lutam pelo amor da mãe e passam a eternidade lutando.

Airá – Para a maioria dos terreiros, esta divindade é um angò cultuado diferente dos demais, pois sempre usando muito branco, alem de ser dividido em mais qualidades que também são relacionadas ao branco e a comida muito parecida com a de Oṣalá.

Baru = Xangô chega ao apogeu do império, cria o culto de Egungun, grande expansão, é o senhor absoluto dos raios e do fogo em todas as suas formas. Ele acaba por destruir a capital do Reino com os raios numa crise de cólera, e depois arrependido, se suicida, adentrando na terra da mesma forma que Ogun, daí o nome Obà Irù "Rei sepultado".
Para o povo Nago e para o Batuque do rS ele é conheicido por Kamuká
Kamuká ou angò de Baruolofina que provavelmente é uma corruptela do Baru alafim.




Lenda do Baru

BARU
era muito destemido, mas quando comia quiabo, que ele gostava muito, dormia o tempo todo e ,por isto, perdeu muitas contendas, pois quando acordava seus adversários já tinham voltado da guerra. Ele ficava indignado.

Então resolveu consultar um OLUÓ que lhe disse: Se é assim, deixe de comer quiabo
BARU perguntou: me diz o que comerei no lugar do quiabo... Só folhas... Só folhas? perguntou BARU
Sim, respondeu o OLUÓ, tem duas qualidades, uma se chama orò e a outra xaná, são boas e gostosas como o quiabo.
E BARU falou: - A partir de hoje, eu não comerei mais quiabo.

domingo, 22 de junho de 2008

Oyá - Iansã

Na Mitologia Yoùbá, o nome Oyá provém do rio de mesmo nome na Nigéria, país que faz parte da Iorubalândia, atualmente chamado de rio Níger. No entanto, não se trata de uma divindade das águas, mas da Senhora dos ventos, raios e tempestades, elemento fogo, seu metal é o cobre. Também chamada de Oyá-Yánsàn.

O seu culto está associado à morte e aos ancestrais, por saber lidar com os Eguns, é ela que os encaminha, manifesta-se nos rituais de Àsèsè ou Axexê em português.

Foi esposa de Ògún e posteriormente uma das três mulheres de Ṣàngó.

Oyá é aquela que divide com Ṣàngó o àṣe de soltar fogo pela boca e o acompanha nas batalhas, tendo alcançado ao seu lado grandes vitórias.


Iansã ou Oyá
Rainha dos raios, ventos e tempestades, Iansã é um Orixá feminino, enérgico, sensual e autoritário. Na mitologia dos Òrìṣà Oyá primeiramente foi casa com Ògún, traindo-o mais tarde com Ṣàngó, não abandonando as relações com seu primeiro casamento. Em outra passagem mitológica, Oyá é presenteada por Xapanã, que a concede o poder sobre os Eguns - espíritos maléficos, tornando-se conhecida também por a Rainha dos Eguns.

Saudação: Epaiêio
Dia da Semana:
Terça-feira

Número:
07 e seus múltiplos

Cor:
Marron escuro ou em alguns casos Vermelho e Branco

Guia:
Marrom (todas) ou 07 marrom com 01 vermelho (Timboá), 01 conta vermelha, 07 contas brancas (para Dirà), em alguns casas poderá ver a Oyá branca e vermelha 1 x 1.

Oferenda:
Pipoca, 07 rodelas de batata doce frita no azeite doce, Iapeté de batata doce (batata doce amassada com as mãos misturado o azeite de dendê), Acarajé.

Algumas Oyá cultuadas nos templo do segmento Nàgó’Kọb:

Oyá Timboá = Ligada aos desapegado, sem rumo, ligada aos que moram na rua, fundamento com o Bará Lodè, onde tiver beco, casas abandonadas, lixeiras e andarilhos, ela reina entre os espíritos que ali moram. (7 marrons e 1 vermelha)

Oyá Dirã
= ligada aos Eguns, muito semelhante a Oyà Gbale ou Igbale, dona da rua e caminho, ligada à terra. (7 marrons e 1 vermelha).

Iyá-Mesan ou Yansã
= mais velha das Oyá, conhecida mesmo como Yansã.

Oyà Onìrá
= guerreira e agressiva, companheira de ọ̀sún, dona das estradas, principalmente com nas encruzilhadas, tem quizila com Ògún. (marrom)

Oyà Gbale ou Igbale
= (aquela que retorna a terra) divide o igbá com  9 Egun - idem a Dirà (7 marrons e 1 vermelha)

Oyà Fúnka
= senhora das tempestades, que espalha ao redor (marrom)

Oyà Lariwo
= como trovão (7 marrom e 1 branca)


Oferendas: àkàrà ou acarajé, ekuru e abará.

Ekuru é uma comida ritual. A massa é preparada da mesma forma que a massa do acarajé, feijão fradinho sem casca triturado, envolto em folhas de bananeira como o acaçá e cozido no vapor.

Abará é um dos pratos da culinária baiana e como o acarajé também faz parte da comida ritual do candomblé.
O abará tem a mesma massa que o acarajé: a única diferença é que o abará é cozido, enquanto o acarajé é frito.
O preparo da massa é feito com feijão fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirada toda a casca, passa-se novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescentam-se cebola ralada, um pouco de sal, duas colheres de dendê.
Quando for comida de ritual, coloca-se um pouco de pó de camarão, e, quando fizer parte da culinária baiana, colocam-se camarões secos previamente escaldados para tirar o sal, que podem ser moído junto com o feijão, além de alguns inteiros.
Essa massa deve ser envolvida em pequenos pedaços de folha de bananeira, semelhante ao processo usado para fazer o acaçá, e deve ser cozido no vapor em banho-maria. É servido na própria folha.

Ferramentas: espada, par de alianças, cálice, moedas, búzios, raio, entre outros

Ave:
Galinha vermelha arrepiada para Oyá Timboá ou carijó, galinha vermelha para as demais ou carijó

Quatro pé:
Cabrita Malhada escura

O - Ado ado a sè máa ado sè dé l'Oya
R - Ado ado a sè máa ado sè dé l'Oya

Lenda
Ògún foi caçar na floresta, como fazia todos os dias. De repente, um búfalo veio em sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, Ògún tratou de segui-lo. O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher. Era Oyá, coberta de belos panos coloridos e braceletes de cobre. Oyá escondeu a pele e os chifres dentro do formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem perceber que Ògún tinha visto tudo. Assim que ela se foi, Ògún se apoderou dos pertences de Oyá. Depois foi à cidade, e passou a seguir a mulher até que criou coragem e começou a cortejá-la. Mas, ela recusou a corte. Ao anoitecer, ela voltou à floresta, e não encontrou a sua pele, nem os seus chifres. Voltou à cidade e encontrou Ògún, que lhe disse estar com ele o que procura. Em troca de seu segredo, Oyá foi obrigada a se casar com ele; apesar disso, conseguiu estabelecer certas regras de conduta, dentre as quais proibirem-no de comentar o assunto com qualquer pessoa. Chegando a casa, Ògún explicou a suas outras esposas que Oyá iria morar com ele e que em hipótese alguma deveriam insultá-la. Desse casamento nasceu nove crianças, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis. Uma delas, para vingar-se conseguiu embriagar Ògún e ele acabou relatando o mistério que envolvia Oyá. Depois que Ògún dormiu, as mulheres foram insultá-la, dizendo que ela era um animal e revelando que suas coisas estavam escondidas no celeiro. Oyá encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e partiu para cima de todos, poupando apenas seus filhos. Decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem, porque era um lugar perigoso. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para, em caso de perigo, bater as duas pontas; com esse sinal ela viria socorrê-los imediatamente. É por esse motivo que os chifres estão presentes nos assentamentos de Oyá.
Oyá é dividida em nove partes
Antes de tornar-se esposa de Ṣàngó, Oyá vivia com Ògún. Ela vivia com o ferreiro e ajudava-o em seu ofício, principalmente manejando o fole para ativar o fogo na forja. Certa vez Ògún presenteou Oyá com uma varinha de ferro, que deveria ser usada num momento de guerra. A varinha tinha o poder de dividir em sete partes os homens e em nove partes as mulheres. Ògún dividiu esse poder com a mulher.
Na mesma aldeia morava Ṣàngó, ele sempre ia à oficina de Ògún apreciar seu trabalho e em várias oportunidades arriscava olhar para sua bela mulher. Ṣàngó impressionava Oyá por sua majestade e elegância. Um dia os dois fugiram para longe de Ògún, que saiu enciumado e furioso em busca dos fugitivos. Quando Ògún os encontrou, houve uma luta de gigantes. Depois de lutar com Ṣàngó, Ògún aproximou-se de Oyá e a tocou com sua varinha, e nesse mesmo tempo Oyá tocou Ògún também, foi quando o encanto aconteceu: Ògún dividiu-se em sete partes, recebendo o nome de Ògún Mejê, e Oyá foi dividida em nove partes, sendo conhecida como Oyá, “Iyámesan”, a mãe transformou-se em nove.
Oyá transforma-se num búfalo
Ògún caçava na floresta quando avistou um búfalo, ficou na espreita, pronto para abater a fera, qual foi sua surpresa ao ver que, de repente, de sob a pele do búfalo saiu uma mulher linda, era Oyá. E não se deu conta de estar sendo observada.
Ela escondeu a pele de búfalo e caminhou para o mercado da cidade. Tendo visto tudo, Ògún aproveitou e roubou a pele, então escondeu a pele de Oyá num quarto de sua casa, depois foi ao mercado ao encontro da bela mulher. Estonteado por sua beleza, Ògún cortejou Oyá.
Pediu-a em casamento, ela não respondeu e seguiu para floresta, mas lá chegando não encontrou a pele, voltou ao mercado e encontrou Ògún, ele esperava por ela, mas fingiu nada saber.
Negou haver roubado o que quer que fosse de Oyá, de novo, apaixonado, pediu Oyá em casamento, Oyá, astuta, concordou em se casar e foi viver com Ògún em sua casa, mas fez as suas exigências: ninguém na casa poderia referir-se a ela fazendo qualquer alusão a seu lado animal. Nem se poderia usar a casca do dendê para fazer o fogo, nem rolar o pilão pelo chão da casa.
Ògún ouviu seus apelos e expôs aos familiares as condições para todos conviverem em paz com sua nova esposa. A vida no lar entrou na rotina. Oyá teve nove filhos e por isso era chamada Oyá, a mãe dos nove.
Mas nunca deixou de procurar a pele de búfalo, as outras mulheres de Ògún cada vez mais se sentiam enciumadas, quando Ògún saía para caçar e cultivar o campo, elas planejavam uma forma de descobrir o segredo da origem de Oyá.
Assim, uma delas embriagou Ògún e este revelou o mistério, e na ausência de Ògún, as mulheres passam a cantarolar coisas, coisas que sugeriam o esconderijo da pele de Oyá e coisas que aludiam ao seu lado animal.
Um dia, estando sozinha em casa, Oyá procurou em cada quarto, até que encontrou sua pele, ela vestiu a pele e esperou que as mulheres retornassem. E então saiu bufando, dando chifradas em todas, abrindo-lhes a barriga.
Somente seus nove filhos foram poupados, e eles, desesperados, clamavam por sua benevolência. O búfalo acalmou-se, os consolou e depois partiu. Antes, porém, deixou com os filhos o seu par de chifres.
Num momento de perigo ou de necessidade, seus filhos deveriam esfregar um dos chifres no outro, e Oyá, estivesse onde estivesse, viria rápida como um raio em seu socorro.
Oyá é traída pelo Carneiro
Um dia Ọ̀ṣún e outro alguém queriam fazer mal a Oyá, Colocaram o feitiço num bracelete de Ọ̀ṣún e o puseram dentro de uma caixa para que fosse entregue a Oyá.
Agbò, então, foi chamado para levá-lo a Oyá, Agbò era o dono dos carneiros, dono dos agbò. Tudo o que ocorria no palácio era espalhado por meio da língua de Agbò, o Carneiro, mas Oyá, com sua arguta intuição, pressentiu o que lhe vinha por meio de Agbò.
Ela, então, foi ao encontro do Carneiro e na forma de um vento abriu a caixa e trocou o bracelete por um pequeno pássaro. Agbò foi um instrumento contra Oyá, mas Oyá sentiu-se traída por ele.
Desde então Oyá odeia carneiros e não aceita nem se quer comê-los.
Oyá dá à luz Egungum
Oyá não podia ter filhos, procurou o conselho de um babaláwo, ele revelou-lhe que somente teria filhos quando fosse possuída por um homem com violência.
Um dia Ṣàngó a possuiu assim e dessa relação Oyá teve nove filhos, desses filhos, oito nasceram mudos. Oyá procurou novamente o babaláwo, ele recomendou que ela fizesse oferendas.
Tempos depois nasceu um filho que não era mudo, mas tinha uma voz estranha, rouca, profunda, cavernosa. Esse filho foi Egungum, o antepassado que fundou cada família. Foi Egungum, o ancestral que fundou a cidade.
Hoje, quando Egungum volta para dançar entre seus descendentes, usando suas ricas máscaras e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se curva. Somente diante de Oyá se curva Egungum.
Oyá inventa o rito funerário do aeè
Vivia em terras de keto um caçador chamado Odulesè, era o líder de todos os caçadores, ele tomou por sua filha uma menina nascida em Irá, que por seus modos espertos e ligeiros era conhecida por Oyá.
Oyá tornou-se logo a predileta do velho caçador, conquistando um lugar de destaque naquele povo. Mas um dia a morte levou Odulesè, deixando Oyá muito triste.
A jovem pensou numa forma de homenagear o seu pai adotivo, reuniu todos os instrumentos de caça de Odulesè e enrolou-os num pano. Também preparou todas as iguarias que ele tanto gostava de saborear. Dançou e cantou por sete dias, espalhando por toda parte, com seu vento, o seu canto, fazendo com que se reunissem no local todos os caçadores da terra.
Oyá embrenhou-se mata adentro e depositou ao pé de uma árvore sagrada os pertences de Odulesè. Ọlọrun, que tudo via, emocionou-se com o gesto de Oyá e deu-lhe o poder de ser a guia dos mortos no caminho do Ọ̀run.
Transformou Odulesè em Òrìsà e Oyá na Mãe dos espaços dos espíritos. Desde então todo aquele que morre tem seu espírito levado ao Ọ̀run por Oyá. Antes, porém, deve ser homenageado por seus entes queridos, numa festa com comidas, canto e danças. Nasceu assim o funerário ritual do aeè.
Oyá recebe o nome de Oyá, mãe dos nove filhos
Oyá desejava ter filhos, mas não podia conceber Oyá foi consultar um babaláwo e ele mandou que ela fizesse um Ẹbọ.
Ela deveria oferecer um carneiro, um agutà, muitos búzios e muitas roupas coloridas.
Oyá fez o sacrifício e teve nove filhos. Quando ela passava, indo em direção ao mercado, o povo dizia:
"Lá vai Oyá".
Lá ia Oyá, que quer dizer mãe nove vezes.
E lá ia ela toda orgulhosa ao mercado vender azeite-de-dendê. Oyá não podia ter filhos, mas teve nove, depois de sacrificar um carneiro. E em sinal de respeito por seu pedido atendido
Oyá, a mãe de nove filhos, nunca mais comeu carneiro.
Oyá ganha de Obaluayè o reino dos mortos
Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Omulu- Obaluayè chegou vestindo seu capucho de palha. Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oyá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra.
Tanto girava Oyá na sua dança que provocava vento. E o vento de Oyá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluayè. Para surpresa geral, era um belo homem.
O povo o aclamou por sua beleza. Obaluayè ficou mais do que contente com a festa, ficou grato. E, em recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oyá a rainha dos espíritos dos mortos.
Rainha que é Oyá Igbalè, a condutora dos Egun. Oyá então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava agora, agitava no ar o Iruquerè, o espanta-mosca com que afasta os Egun para o outro mundo.
Rainha Oyá Igbalè, a condutora dos espíritos. Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ògún

Ògún (em português: Ogum) é, na mitologia Yorùbá, o Òrìṣà ferreiro, senhor dos metais. O próprio Ògún forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura, e para a guerra. Na África seu culto é restrito aos homens, e existiam templos em Ondo, Ekiti e Oyó. Era o filho mais velho de Odùduwà, o fundador de Ifé, identificado no jogo do merindilogun pelos Odù EtaOgundá, Odí e Ogundá.

Ògún é considerado o primeiro dos
Òrìṣà a descer do Ọ̀run (o céu), para o Àiyé (a Terra), após a criação, visando uma futura vida humana. Em comemoração a tal acontecimento, um de seus vários nomes é Oriki ou Osin Imole, que significa o "primeiro orixá a vir para a Terra".

Ògún foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos povos yorubá da África Ocidental. Acredita-se que ele tenha wo ile sun, que significa "afundar na terra e não morrer", em um lugar chamado 'Ire-Ekiti'.

É também chamado por Ògún, Ogoun, Gu, Ogou, Ogun e Oggún. Sua primeira aparição na mitologia foi como um caçador chamado Tobe Ode. É considerado o Òrìṣà ferreiro, Senhor dos metais, responsável por forjar suas próprias ferramentas, tanto para a caça como para a agricultura e para a guerra. Na África seu culto é restrito aos homens, existiam templos os estados de
Ondo, Ekiti e Oyo.
É filho de Odùduwà e Yembo, irmão de Ṣangô, Òṣòssi, Òsun e Eleggua. Ògún é o filho mais velho de Odùduwà, o herói civilizador que fundou a cidade de Ifé. Quando Odudua esteve temporariamente cego, Ògún tornou-se seu regente em Ifé.

Ògún é um Òrìṣà importantíssimo na África e no Brasil. Sua origem, de acordo com a história, data de eras remotas. Ògún é o último imolé.

Os Igba-Imolé eram os duzentos deuses da direita que foram destruídos por Olodumaré após terem agido mal. A Ògún, o único Igba Imolé que restou, coube conduzir os Irun Imole, os outros quatrocentos deuses da esquerda.

Foi Ògún quem ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. Ele tem um molho de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a natureza.

O guerreiro

Era um guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, "Rei de Irê". Tem semelhança com o vodum Gu.

Ògún era o filho predileto de Odùduwà; essa preferência devia-se à sua abnegação, pois, quando estava construindo o mundo, esparramando terra com sua espada de cristal para formar os continentes, a mesma partiu-se; mas ele não desanimou e voltou para continuar o trabalho com sua espada de ferro. Essa afinidade fica evidente quando Odùduwà vem ao mundo e é amparado e escoltado por Ògún nas festas grandes nos terreiros. A primeira cidade que Ògún construiu foi Irê, deixando seu filho na chefia do governo, em seguida partiu para fundar ou conquistar outras cidades. Muito tempo depois, ele retornou, mas teve a impressão de que ninguém o reconheceu e ficou colérico. Naquele dia, por fatal coincidência, acontecia uma cerimônia onde não era permitido falar, o que teria causado a Ogum a Impressão de que o estavam desprezando. Outra lenda afirma que ele não teria reconhecido a cidade que fundara, tratando a população como inimiga. Enfurecido Ògún foi dizimando a todos. Mais, tarde, quando seu filho pôde falar com ele, então percebeu o erro, mas já era tarde demais. O guerreiro ficou tão arrependido que preferiu morrer. Assim, ele baixou sua espada em direção ao chão e, da mesma maneira que a utilizara para destruir seus inimigos, com um gesto violento abriu um grande buraco no chão e afundou terra adentro. Esta emoção, somada à força do guerreiro, transformou Ògún num Orixá. Ògún é o Òrìṣà guerreiro da Nação Nàgó, defende as leis e a ordem, representa todas as batalhas da vida humana, na luta pelo dia-a-dia, está presente em tudo aquilo em que é preciso lutar para se alcançar a vitória.

Com Ògún os homens aprenderam a manufaturar o ferro e o aço, a Ògún pertence o "obé" - a faca utilizada para os sacrifícios

Alguns Oriṣás Ògún cultuados entre os
Nàgó'Kobi:

Ògún Avagã ou Ògún Olóde = Ligado ao Bara seu assentamento fica do lado de fora do templo, geralmente na frente da casa, é o Ògún  caçador. Uma divindade solitária.

Ògún Meje
= É o mais velho de todos os Ògún, geralmente recebe oferendas em campos como lado de fora de cemitérios ou encruzilhadas.

Ôgúnjá = é um Ògún, como indica seu nome, particularmente combativo.

Ògún Ajàká = É o “Ògún guerreiro”, o sanguinário.


Ògún Lebede
(Alagbede) = É o Ògún ferreiro.


Ògún Oniré ou Onira
= É o título do filho do Ògún que reinou sobre Iré, o dono de Iré, primeiro filho de Odúduwà.

Ògún Adjiolaiá = Ògún que faz juntó com òṣún e algumas vezes com Yemonjá
.

Saudação: Ogunhê
Dia da Semana:
Segunda-feira para Ògún Avagà, Quinta-feira para os demais.
Número:
07 e seus múltiplos

Cor: Azul escuro, podendo acompanhar vermelho ou amarelo dependendo do Ògún, sendo Vermelho x Verde para Avagà.


Guia:
Vermelho e Verde escuro para Ògún Avagà, azul marinho para os demais, ou azul marinho com vermelho para Ògún Onira, azul marinho com azul claro ou amarelo para Ògún Adjiolaiá..

Oferenda:
Costela bovina frita e farofa de farinha de mandioca, dependendo do Ògún a costela pode ser frita no Epo Pupa, algumas famílias oferecem a feijoada, mas preferimos a carne que representa a caça.

Ferramentas: Alicate, espada, faca, bigorna, búzios, moedas, martelo, tenaz, lança, ferradura, entre outros


Ave:
Galo prateado (penas pretas e brancas)

Quatro pé:
Cabrito malhado

Sete folhas mais utilizada para Ogum: Iji opé, Ida orixá, Atoribé, Okiká, Ojusaju, Peregun, Ewurô


Ògún mata seus súditos e é transformado em Òrìsà
Ògún, filho de Oduduwá , sempre guerreava, trazendo o fruto da vitória para o reino de seu pai. Amante da liberdade das aventuras amorosas foi com uma mulher chamada Ojá que Ògún teve seu filho Òṣòssi. Depois amou Oyá, Ọ̀ṣún e Obá, as três mulheres de seu rival, Ṣàngó. Ògún seguiu lutando e tomou para si a coroa de Irê, que na época era composto de sete aldeias. Era conhecido como o Onirê, o rei de Irê, deixando depois o trono para seu próprio filho.
Ògún era rei de Irê, Oni Ire, Ògún Onirê. Ògún usava a coroa sem franjas chamada acorô. Por isso também era chamado de Ògún Alacorô. Conta-se que, tendo partido para a guerra, Ògún retornou a Ire depois de muito tempo. Chegou num dia em que se realizava um ritual sagrado. A cerimônia exigia a guarda do silêncio total. Ninguém podia falar com ninguém. Ninguém podia dirigir o olhar para ninguém.
Ògún sentia sede e fome, mas ninguém o atendia. Ninguém o ouvia ninguém falava com ele. Ògún pensou que não havia sido reconhecido. Ògún sentiu-se desprezado. Depois de ter vencido a guerra, sua cidade não o recebia. Ele, o rei de Ire! Não reconhecido por sua própria gente! Humilhado e enfurecido, Ògún, com sua espada em punho, pôs a destruir tudo e a todos. Cortou a cabeça de seus súditos. Ògún lavou-se com sangue. Ògún estava vingado. Então a cerimônia religiosa terminou e com ela a imposição de silêncio foi suspensa.
Imediatamente o filho de Ògún, acompanhado por um grupo de súditos, ilustres homens salvos da matança, veio à procura do pai. Eles renderam as homenagens devidas ao rei e ao grande guerreiro Ògún. Saciaram sua fome e sua sede. Vestiram Ògún com roupas novas, cantaram e dançaram para ele. Mas Ògún estava inconsolável. Havia matado os habitantes de sua cidade. Não se dera conta das regras de uma cerimônia tão importante para todo o reino. Ògún sentia que já não podia ser o rei. E Ògún estava arrependido de sua intolerância, envergonhado por tamanha precipitação. Ògún fustigou-se dia e noite em autopunição.
Não tinha medida o seu tormento, nem havia possibilidade de auto compaixão. Ògún então enfiou sua espada no chão e num átimo de segundo a terra se abriu e ele foi tragado solo abaixo. Ògún estava no Ọ̀run, o céu dos deuses. Não era mais humano. Tornara-se um Òrìsà.

Ògún cria a forja
Ògún e seus amigos Alaká e Ajero foram consultar Ifá, queriam saber uma forma de se tornarem reis de suas aldeias, após a consulta foram instruídos a fazer Ẹb, e a Ògún foi pedido um cachorro como oferenda.

Tempos depois, os amigos de Ògún tornaram-se reis de suas aldeias, mas a situação de Ògún permanecia a mesma. Preocupado, Ògún foi novamente consultar Ifá, e o adivinho recomendou que refizesse o Ẹb
, ele deveria sacrificar um cão sobre sua cabeça e espalhar o sangue sobre seu corpo, a carne deveria ser cozida e consumida por todo seu Egbé, depois, deveria esperar a próxima chuva e procurar um local onde houvesse ocorrido uma erosão, ali devia apanhar da areia negra e fina e colocá-la no fogo para queimar.

Ansioso pelo sucesso, Ògún fez o Ẹbọ enquanto isso acontecia, Èṣù, travesso que era, e para sua surpresa, ao queimar aquela areia, ela se transformou na quente massa que se solidificou em ferro, o ferro era a mais dura substância que ele conhecia, mas era maleável enquanto estava quente. Ògún passou a modelar a massa quente, Ògún forjou primeiro uma tenaz, um alicate para retirar o ferro quente do fogo, e assim era mais fácil manejar a pasta incandescente.

Ògún então forjou uma faca e um facão, satisfeito, Ògún passou a produzir toda espécie de objetos de ferro, assim como passou a ensinar seu manuseio, veio fartura e abundância para todos.

Dali em diante Ògún Alagbedé, o ferreiro, mudou, muito prosperou e passou a ser saudado como Aquele que Transforma a Terra em Dinheiro.

Ògún
dá aos homens o segredo do ferro
Na Terra criada por Obàtálá, em Ifé, os Òrìsàs e os seres humanos trabalhavam e viviam em igualdade. Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole, por isso o trabalho exigia grande esforço.

Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa, era necessário plantar uma área maior. Os Òrìsà então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e aumentar a área da lavoura.

Òsanyìn, o Òrìsà da medicina, dispôs-se a ir primeiro e limpar o terreno, mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem sucedido. Do mesmo modo que Òsanyìn, todos os outros Òrìsàs tentaram um por um e fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o plantio.

Ògún, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então, quando todos os outros Òrìsàs tinham fracassado, Ògún pegou seu facão, de ferro, foi até a mata e limpou o terreno. Os Òrìsà, admirados, perguntaram a Ògún de que material era feito tão resistente facão, Ògún respondeu que era de ferro, um segredo recebido de Orumiláia.

Os Òrìsàs invejavam Ògún pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura, mas como à caça e até mesmo à guerra. Por muito tempo os Òrìsàs importunaram Ògún para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só para si.

Os Òrìsàs decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca de que ele lhes ensinasse tudo sobre aquele metal tão resistente, Ògún aceitou a proposta. Os humanos também vieram a Ògún pedir-lhe o conhecimento do ferro, e Ògún lhes deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram suas lanças de ferro.

Mas, apesar de Ògún ter aceitado o comando dos Òrìsàs, antes de mais nada ele era um caçador, certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa difícil temporada, quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho. Os Òrìsàs não gostaram de ver seu líder naquele estado, eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado.
Ògún se decepcionou com os Òrìsàs, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram rei e agora dizem que não era digno de governá-los, então Ògún banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e partiu, num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da árvore de acocô e lá permaneceu.
Os humanos que receberam de Ògún o segredo do ferro não o esqueceram. Todo mês de dezembro, celebram a festa de Iudê-Ògún. Caçadores, guerreiros, ferreiros e muitos outros fazem sacrifícios em memória de Ògún.

Ògún
é o senhor do ferro para sempre.

Ògún
torna-se o rei de Irê.
Quando Oduduwá reinava em Ifé, mandou seu filho Ògún guerrear e conquistar os reinos vizinhos. Ògún destruiu muitas cidades e trouxe para Ifé muitos escravos e riquezas, aumentando de maneira fabulosa o império de seu pai. Um dia, Ògún lançou-se contra a cidade de Irê, cujo povo o odiava muito. Ògún destruiu tudo, cortou a cabeça do rei de Irê e a colocou num saco para dá-la a seu pai. Alguns conselheiros de Oduduwá souberam do presente que Ògún trazia para o rei seu pai. Os conselheiros disseram a Oduduwá que Ògún desejava a morte do próprio pai para usurpar-lhe a coroa. Todos sabem que um rei deve ver a cabeça decapitada de outro rei. Ògún não conhecia esse tabu. Oduduwá imediatamente enviou uma delegação para encontrar Ògún fora dos portões da cidade. Após muitas explicações, Ògún concordou em entregara cabeça do rei de Irê aos mensageiros de Oduduwá . O perigo havia acabado. Ògún fora encontrado antes de chegar ao palácio de seu pai. Como Oduduwá queria recompensar o seu filho mais querido, presenteou Ògún com o reino de Irê e todos os prisioneiros e riquezas conquistadas naquela guerra.
Assim Ògún tornou-se o Onirê, o rei de Irê.

Ògún
livra um pobre de seus exploradores.
Um pobre homem peregrinava por toda parte, trabalhando ora numa, ora noutra plantação. Mas os donos da terra sempre o despediam e se apoderava de tudo o que ele construía. Um dia esse homem foi a um Babalawo, que o mandou fazer um Ẹbọ na mata. Ele juntou o material e foi fazer o despacho, mas acabou fazendo tal barulho que Ògún, o dono da mata, foi ver o que ocorria. O homem, então, deu-se conta da presença de Ògún e caiu a seus pés, implorando seu perdão por invadir a mata. Ofereceu-lhe todas as coisas boas que ali estavam. Ògún aceitou e satisfez-se com o Ẹbọ. Depois conversou com o peregrino, que lhe contou por que estava naquele lugar proibido. Falou-lhe de todos os seus infortúnios. Ògún mandou que ele desfiasse folhas de dendezeiro, mariwo, e as colocasse nas portas das casas de seus amigos, marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ògún destruiria a cidade de onde vinha o peregrino. Seria destruído até o chão. E assim se fez.
Ògún destruiu tudo, menos as casas protegidas pelo mariwo.

Ògún
chama a Morte para ajudá-lo numa aposta com Ṣàngó.
Ògún e Ṣàngó nunca se reconciliaram. Vez por outra se digladiavam nas mais absurdas querelas. Por pura satisfação do espírito belicoso dos dois. Eram os dois, magníficos guerreiros. Certa vez Ògún propôs a Ṣàngó uma trégua em suas lutas, pelo menos até que a próxima lua chegasse.
Ṣàngó fez alguns gracejos, Ògún revidou, mas decidiram-se por uma aposta, continuando assim sua disputa permanente. Ògún propôs que ambos fossem a praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem. Quem juntasse mais, ganharia. E quem perdesse daria ao vencedor o fruto da coleta. Puseram-se de acordo.
Ògún deixou Ṣàngó e seguiu para a casa de Oyá, solicitando-lhe que pedisse a Iku que fosse à praia no horário que tinha combinado com Ṣàngó. Oyá aquiesceu, mas exigiu uma quantia em ouro como pagamento, que recebeu prontamente. Na manhã seguinte, Ògún e Ṣàngó apresentaram-se na praia e imediatamente o enfrentamento começou. Cada um ia pegando os búzios que achava. Vez por outra se entreolhavam. Ṣàngó cantarolava sotaques jocosos contra Ògún. Ògún, calado, continuava a coleta. O que Ṣàngó não percebeu foi a aproximação de Iku. Ao erguer os olhos, o guerreiro deparou com a morte, que riu de seu espanto. Ṣàngó soltou o saco da coleta, fugindo amedrontado e escondendo-se de Iku. À noite Ògún procurou Ṣàngó, mostrando seu espólio. Ṣàngó, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto de sua coleta.



Pai José Bispo dos Santos ou Bobó de Iansã veio de salvador Bahia, se não me engano e se instalou primeiro no rio de janeiro, dono do ilé - Ilê Oyá Mesan Orun.
Mais tarde ele veio para SP, trazendo o Èṣù xorokwé, como era de costume sempre dizia que de osé no igba de Èṣù sorokwé do ògún, e assim foi que nasceu o ògún xorokwé.
(História contada por tata Matâmoride, filho de Kaobakessy.)

Saiba mais sobre o Èṣù (Òrìsà)
Xorokwé foi um guerreiro e feiticeiro, que devo ter lido em algum itãn de ifá, que dizia quem foi, ele se assemelha a Èṣù. Que não é ògún, sendo que Xorokwé começou a ser cultuado como Èṣù entre o povo Jeje Mahi, o Èṣù de ògún, pois ele é extremante esperto, bruto e malvado, ligado a torturas e sem piedade alguma. Difícil de lidar e cuidar, do tipo enquanto ògún é guerreiro e luta com honra, o vodun xorokwé, não tinha isso, ele passaria por cima de todos e tomaria as medidas conforme quisesse sem levar em consideração trazer escravos, mataria a todos da pior forma possível, do tipo sangue nos olhos.
Para ter idéia da sua personalidade, se não lhe agrada o que lhe foi ofertado ele pune seus filhos com desgraças.

Sua cor é azulão com vermelho.


Por isso pouco mexiam com ele, por falta de maior esclarecimento quem sabe ele pulou do Jeje Mahi para a Angola, sendo cultuado como Òrìsà dentro da angola e mais tarde no ketu.Hoje ele é cultuado na Angola e no ketu como todos sabem, um meta - meta, mas sua origem é outra.